São Paulo (SP)

Vale dos Templos em São Paulo

Se você gosta do Japão, assim como eu, com certeza já ouviu falar no famoso templo dourado que fica em Kyoto, o Kinkaku-ji, ou no mínimo já viu uma foto dele em algum lugar (aqui no blog tem foto dele também!). É um dos templos mais conhecidos da terra do sol nascente e para vê-lo a viagem é longa (mas vale a pena!).

Poucos sabem que temos um Kinkaku-ji na cidade de Itapecerica da Serra – SP, mais ou menos  há 1 hora de São Paulo. Ele foi construído em 1976, como uma réplica do templo japonês, porém com funções distintas. O brasileiro é um cinerário, ou seja, guarda as cinzas de pessoas que foram cremadas.

Desde que fiquei sabendo da existência desse templo aqui pertinho venho tentando me programar para ir e os planos deram certo para esse feriado de páscoa, que aproveitei para viajar dentro da minha própria cidade (e seus arredores). Confesso que estava bem empolgada para ir, mas li relatos meio desanimadores em blogs e sites, dizendo que o lugar era mal conservado e mal administrado, e fui com a expectativa baixa. No fim  das contas isso foi bom, porque o lugar me surpreendeu! O lugar é lindo, super tranquilo e transmite paz. Ainda dei sorte com o tempo, céu azul com nuvens branquinhas, não poderia ser mais perfeito. Bom, tenho que concordar que a conservação do lugar não é 100%, mas não é das piores também, nada está caindo aos pedaços e nada que vai atrapalhar o seu passeio (desde que você não tenha fobia de aranhas, porque há algumas teias por lá).

Bom, para chegar lá saindo de São Paulo siga pela Rodovia Régis Bittencourt. As informações que você achar na internet dizem para você pegar a saída 285, mas o GPS me indicou a 284. Passei essa entrada esperando a  próxima e acabei dando uma voltinha a mais, então preste atenção quando você for. A placa da saída 284 diz “Itapecerica – Santo Amaro”. No sentido contrário eu achei a placa com a saída 285. De qualquer forma, ir com um GPS vai te ajudar, com certeza.

Saindo da Régis você vai passar por alguns trechos de estrada de terra um pouco esburacada, nada grave se estiver sequinha. Aliás, evite ir em dias de chuva porque além da estrada dificultar sua vida, o lugar é bem aberto e não vai ter a menor graça ficar passeando de guarda-chuva. Depois de um certo ponto o caminho é bem sinalizado com placas marrons, como esta da foto abaixo. O endereço do templo é Rua Camarão, 220. Confira se o GPS te leva para o lugar certo, porque o meu indicava uma rua do lado. Em caso de dúvidas, confie nas placas.

IMG_4554
Placas indicam o caminho até o Kinkaku-ji do Brasil

 

O templo não tem estacionamento, mas tem bastante lugar para parar na própria rua. A entrada é bem característica, com um grande portão em estilo japonês e você logo vai saber que está no lugar certo (veja a foto abaixo).

A visita tem o valor de R$ 5,00 que são pagos na recepção, crianças e idosos não pagam. Lá você também pode comprar um pacotinho de comida de peixe (R$ 1,00) para alimentar as carpas (e patos) que ficam no lago. Os funcionários foram bem simpáticos, mesmo com um grupo que estava fazendo o maior caos na entrada na hora que cheguei, e quando fui embora agradeceram a visita.

 

IMG_4492
Entrada do Kinkaku-ji do Brasil

 

A visita começa em um jardim japonês bem bonito, cheio de pontes e pequenos lagos com peixes. Vá seguindo o caminho sempre para baixo até chegar ao templo. Reparem que eu disse para baixo, todo o trajeto é cheio de descidas e escadas irregulares de pedra que podem escorregar se estiverem molhadas. O começo parece bem tranquilo, mas o final merece uma descida com mais cuidado. Dica: vá de tênis ou algum sapato que não escorregue, mulheres deixem o salto alto em casa. Para pessoas com dificuldade de locomoção, pergunte na recepção a alternativa, pois parece que existe uma entrada já no nível do templo, que dispensa todo esse trajeto, mas é preciso ir de carro.

Durante toda a descida você vai ver túmulos (não sei se essa é a melhor palavra para descrever), mas nada que deixe o ambiente pesado ou fúnebre. Lembre-se que o local é um cinerário e que guarda as cinzas de pessoas que foram cremadas. E eles são de diversas formas, tem os grandes e imponentes feitos de granito preto com ideogramas japoneses gravados e os nomes das famílias, os menores e mais discretos que parecem pequenas casinhas, até alguns que lembram um armário cheio de gavetinhas. Imagino que o valor deve variar conforme o tipo e o lugar. As cinzas do ator global Cassiano Gabus Mendes estão por lá (não sei exatamente onde).

IMG_4498
Os túmulos que guardam as cinzas estão por todo lugar

 

Ao final da descida, o templo dourado! Diferente do templo do Japão, esse pode ser visitado por dentro. São 4 andares ao total, além do “nível térreo”, há um para baixo e mais 2 para cima, todos acessíveis por escadas e cheios das “gavetinhas”. Há também espaço para realização de missas e cerimônias.

O templo é cercado pela mata atlântica e fica às margens de um lago cheio de carpas (e também patos e tartarugas). Se você comprou comida de peixe lá na recepção, é hora de alimentar os bichinhos! O engraçado é que os patos também comem a mesma ração mas eles não são muito rápidos, além de parecer ter medo dos peixes, e sempre acabam perdendo o lanche para uma carpa mais rapidinha.

Está gostando desse artigo? Que tal curtir o Bagagem de Memórias no Facebook?


Do outro lado do lago há um caminho pequeno cheio de árvores de sakura que é super bonito e tem banquinhos para apreciar a vista (as sakuras só florescem no mês de agosto). De lá se tem um bom ângulo para fotos, o mais parecido com as famosas do seu irmão japonês.

IMG_4527
O templo dourado Kinkaku-ji do Basil, às margens de um lago assim como o original do Japão

 

Logo ali do lado fica o Enko-ji, um outro templo budista que, apesar de estar fisicamente no mesmo espaço, tem administração independente. Ele abre das 10h às 14h e aos domingos há sessões de meditação e orientações de práticas e ensinamentos budistas.

IMG_4518
Templo Enko-ji, também parte do Vale dos Templos

 

 

Kinkaku-ji do Brasil

Rua Camarão, 220 – Chácara das Palmeiras – Itapecerica da Serra – SP
Horário de funcionamento: das 9h às 17h. A entrada para visita é até às 16h.
Entrada: R$ 5,00 | Crianças e idosos não pagam
Telefone: (11) 4667-5345

 

 

Veja aqui mais fotos do local:

 

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

2 Comments

  1. Kão
    29/04/2014 at 19:49 — Responder

    Nossa, Pattê! Fomos lá neste sábado, que coincidência! E sua descrição ficou perfeita, rsrs… Eu fiquei meio assustada com o acesso (fomos com indicação do Waze, que nos mandou por uma estrada de terra bem estreita), mas a beleza do lugar compensou tudo… Eu gostei muito de lá… Só me arrependi de uma coisa: não ter comprado mais ração… Quando a recepcionista disse que havia um lago com carpas, eu pensei que era um “laguinho”, rsrs… Imaginei errado… Nossos dois pacotinhos de ração voaram e não quisemos subir para comprar mais, porque a subidinha não permitiu, rsrs! 🙂 Ah, nossa visita foi rápida, mas acho que se fosse um pouco mais longa, uma garrafa de água poderia ser útil… Lá na recepção vende, mas aí é melhor descer com ela! 🙂 E… É bom ir com sapato confortável mesmo, quando fomos havia garoado e aí, com o chão úmido, estava escorregadio… Parabéns pelo post! Bjo, Kão

    • 29/04/2014 at 22:24 — Responder

      Oi Kão!
      Que coincidência, não? Eu adorei o lugar e pretendo voltar mais vezes, de preferência na época das sakuras.
      A dica da água é muito boa. Eu sempre tenho uma garrafinha comigo quando vou bater perna por aí.
      obrigada pela visita! Bjo!

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *