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Uma visita à Casa de Anne Frank

Conhecer a Casa de Anne Frank é obrigatório para quem vai à Amsterdam, a capital da Holanda. Não só é uma das top 5 atrações da cidade, mas retrata a história e a rotina incomum de uma família que viveu em uma fase negra e cruel da história. Anne conta cada detalhe em seu livro, sob o olhar inocente de uma pré-adolescente que amadurece devido ao contexto em que vive. Fica a reflexão, para mim e para você, sobre a discriminação sofrida pelos judeus e o aprendizado que esse triste passado nos deixa.

 

A história de Anne Frank

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Otto e Edith Frank eram um casal de judeus que tinham duas filhas, Margot e Annelies, e viviam em Frankfurt, na Alemanha. Com o crescimento do poder do partido nazista e Hittler liderando o governo, eles decidem se mudar e para Amsterdã. Os primeiros anos são tranquilos e seguros, até que a II Guerra Mundial começa e, com a invasão alemã no país, eles se vêem em perigo novamente.

A vida se torna muito difícil para os judeus, com diversas imposições que limitavam o comércio, a comunicação, o convívio social entre muitas outras coisas. Quando Margot recebe uma carta-convite para um campo de trabalho alemão, Otto entende que a situação está muito perigosa e decide esconder sua família.

 

“Depois de maio de 1940, os bons momentos foram poucos e muito espaçados: primeiro veio a guerra, depois a capitulação, em seguida, a chegada dos alemães, e foi então que começou o sofrimento dos judeus”

(Trecho de O Diário de Anne Frank)

 

Os fundos da casa onde funcionava a empresa de Otto é preparado para ser um esconderijo chamado de anexo e a porta de acesso é camuflada com uma estante de livros e, por mais de 2 anos, a família Frank e mais 4 outros judeus lá permanecem. Quatro funcionários da empresa os ajudam trazendo comida, roupas, livros e notícias, usando seus nomes em correspondências e arriscando suas próprias vidas. Os demais funcionários da empresa não sabiam do esconderijo. As janelas do anexo são todas vedadas e eles convivem todos juntos em um espaço apertado, sem poder fazer barulho durante o dia para não serem descobertos. O medo faz parte da rotina.

No seu aniversário de 13 anos, Anne ganhou um diário e o escreve como se estivesse falando com sua melhor amiga, contanto suas intimidades. Durante o tempo que esteve no anexo, as palavras de uma inocente criança pouco a pouco se transformam em um relato de sentimentos, sofrimentos, medos e da vida incomum durante a guerra e mostram uma menina que amadureceu de forma incrivelmente rápida, devido ao contexto em que viveu. Ela tem o desejo de que sua história seja publicada em um livro pós guerra, mas infelizmente não sobrevive para ver isso acontecer.

 

“Tenho vontade de escrever e necessidade ainda maior de desabafar tudo o que está preso em meu peito. O papel tem mais paciência que as pessoas”

(Trecho de O Diário de Anne Frank)

 

Em agosto de 1944 eles são traídos e o anexo é descoberto pelos agentes da Gestapo. Todos os judeus são levados para Westerbork, um campo de concentração de trânsito, e em seguida para Auschwitz-Birkenau. O único sobrevivente foi Otto. Anne e sua irmã morreram de tifo e os outros moradores do anexo, de exaustão pelo trabalho nos campos de concentração ou nas câmaras de gás. Os quatro ajudantes da família Frank sobreviveram. O traidor nunca foi descoberto.

Quando Otto é libertado de Auschwitz, retorna à Amsterdam em busca de notícias das filhas e descobre o diário que Anne escrevia em segredo, guardado por Miep Gies, uma das funcionárias que ajudou a família durante o período em que ficaram escondidos. Com o fim da guerra, ele dedica-se a lutar pelo respeito aos direitos humanos, corre atrás do sonho de sua caçula e publica seu livro. Hoje, a história de Anne Frank é conhecida no mundo todo e seu livro, considerado um dos mais importantes do século XX, foi traduzido para mais de 70 línguas, publicado em mais de 60 países e vendeu mais de 30 milhões de cópias, além de ter ganhado uma peça de teatro e um filme.

 

“Não acredito que somente os grandes, os políticos, os capitalistas, sejam responsáveis pela guerra. Oh, não! O homem comum é tão culpado quanto eles, se não os povos do mundo já teriam insurgido, revoltados. Simplesmente existe nas criaturas uma verdadeira sanha de destruir, de matar, de assassinar, e até que a humanidade inteira sofra uma grande transformação, explodirão novas guerras e tudo o que foi construído, cultivado e plantado será novamente destruído e desconfigurado. Aí então, a humanidade terá de recomeçar tudo outra vez.”

(Trecho de O Diário de Anne Frank)

 

 

Sobre a Casa de Anne Frank

Anne Frank House (Foto: sarowen via Visual Hunt / CC BY-NC-ND)
Estátua de Anne Frank (Foto: sarowen via Visual Hunt / CC BY-NC-ND)

A casa onde Anne e sua família se esconderam foi transformada em um museu que ainda guarda os objetos pessoais dos moradores, além de diversas fotos, vídeos e trechos do diário. Vale cada segundo, mesmo para quem não é muito fã de museus (como eu).

O caminho segue uma rota única e passa pelos aposentos da empresa de Otto, antes de chegar à estante de livros que esconde a entrada do anexo. A visita segue pelos quartos onde as oito pessoas se esconderam. Há um modelo que mostra detalhes de como eles eram, mas hoje estão sem as mobílias para representar o vazio deixado pelas milhares de pessoas que foram deportadas para os campos de concentração e nunca retornaram.

O sótão era o lugar preferido de Anne. Lá ficava a única janela do anexo que não era vedada e através dela, podia ver o céu, os galhos de uma árvore e os pássaros voando. Esse era o seu único contato com o mundo exterior durante os mais de 2 anos que ficou escondida. O trajeto termina em uma área de exposições sobre as 12 pessoas (8 escondidos no anexo + 4 ajudantes) e com um filme que merece ser visto, em que celebridades, visitantes do museu e conhecidos da família Frank falam sobre o significado da história de Anne para eles.

Assim como em tudo que nos relembra guerras, o nazismo e genocídios, fica a reflexão. A história não pode ser alterada, mas podemos aprender com os erros cometidos no passado e entender as consequências da discriminação e da perseguição de pessoas inocentes, para que isso não se repita no futuro.

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A Casa de Anne Frank fica no canal Prinsengracht, nº 263-267, na zona central de Amsterdam. Esse museu é uma das principais atrações da cidade e as filas são frequentes e enormes, faça chuva ou faça sol, seja temporada ou não. Prepare-se para 2 ou 3 horas de espera, em média. Comprar o ingresso online é uma ótima dica, pois com ele você não precisa ficar na fila. O único detalhe é que isso precisa ser feito com muita antecedência, porque eles esgotam rapidinho. Caso não consiga, chegue antes das 8h da manhã para, com sorte, pegar uma fila menor.

Mais informações: annefrank.org/pt/

 

Compre aqui o combo “Cruzeiro pelos Canais + Casa de Anne Frank” e evite filas na entrada do museu.

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* Imagem destacada: ~MVI~ (warped) via VisualHunt / CC BY-NC

 

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Ingresso sem fila!

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

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