Reflexão

Uma janela para o mundo

Esses dias me perguntaram o que me motiva a manter esse blog. Quem não tem vontade de conhecer o mundo? Ah, esse mundo cheio de mistérios, de cultura, de paisagens e de histórias é sempre uma caixinha de surpresas. Porém, sair por ai para desbravar o desconhecido não é para qualquer um. Uns apenas arrumam as malas e vão, outros simplesmente não conseguem. E assim como o mundo se divide em hemisfério norte e sul, existem as pessoas que ficam e as que vão.

E isso é de cada indivíduo, não tem certo e errado. Cada um tem seus valores, sua história, sua formação e seus princípios. Há quem dê mais importância para o que fica – os momentos com a família, datas importantes de amigos, a carreira promissora ou o sonho da casa própria – e há quem valorize mais o que o mundo oferece – as aventuras, as experiências diferentes, as culturas exóticas, as novas cores, cheiros e sabores e a liberdade.

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A curiosidade é nata do ser humano. Não ache que as pessoas que ficam não querem conhecer o que há por ai. Talvez não seja o momento certo. Talvez a prioridade agora seja outra. Talvez o medo seja muito grande. Elas decidem ficar, mesmo que haja alguma vontade de ir. Também não julgue as pessoas que partem. Elas sabem que a vida é feita de escolhas e que essa não é uma decisão fácil. Elas têm vontade de voltar cada vez que uma amiga se casa, que um sobrinho nasce ou a família se reúne para ceia de natal. Temos então uma contradição: pessoas que ficam querendo ir e pessoas que vão, mas querem voltar.

Essa vida de contradições não é fácil. Eu faço parte dos que vão e esse é o meu dilema. Se você é dos que ficam, aposto que você tem um amigo ou parente que mudou de cidade, de país ou resolveu tirar um período sabático e já passou por algo parecido também. E se as pessoas que vão pudessem estar presentes sem ter que voltar? E as que ficam pudessem ir sem ter que realmente partir? Seria isso possível?

Minha amiga de infância casou e meus familiares de outra cidade se reuniram em casa durante minha volta ao mundo. Eu participei via Skype. É claro que não é a mesma coisa, mas foi a forma que encontrei de estar presente, mesmo estando do outro lado do mundo. Os grupos do whatsapp também me fizeram sentir um pouco por perto dos amigos, mesmo com um oceano separando a gente.

Voltando à pergunta lá do começo: o que te motiva a manter esse blog? Por um lado, para ajudar os que vão, com dicas e informações. Por outro, para inspirar os que ficam, os que por algum motivo não podem ir, mas que querem conhecer esse nosso mundão. Para que eles embarquem nas aventuras junto comigo, sem que eles tenham que sair do conforto de suas casas ou escritórios, sem deixar seus afazeres rotineiros, sem se despedir de amigos e familiares, sem a necessidade de ir. E, quem sabe, um dia não chegue a hora deles partirem também? Nem que seja só um pouquinho.

Pai Canyon - Tailandia
Pai Canyon (Tailândia)

As pessoas que vão estão imersas em um mar de novidades. A cada dia uma experiência nova, a cada refeição um novo sabor, a cada passeio uma nova aventura, a cada conversa um novo relato para compartilhar e a cada momento um novo aprendizado. Cada uma dessas experiências é única. Esse momento não vai se repetir em outro dia ou com outra pessoa e é por isso que cada pessoa que parte tem uma história diferente. Para quem fica, cada foto e cada texto é uma oportunidade de ir. É a chance de conhecer novos lugares, culturas e histórias, porém sob o olhar de quem partiu. E é por isso que esse blog está aqui: para ser a sua janela para o meu mundo. Vem que ela está sempre aberta!

 

* Imagem destacada: visualhunt.com

 

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The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

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