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Ubud, a tradicional Bali

Qual a primeira coisa que vem a sua cabeça quando se fala em Bali? Praia? Surf? Pois é, Bali é tudo isso e muito mais.  A ilha dos deuses tem uma cultura rica, interessante e super diferente da nossa, então porque não conhecê-la?

Toda essa parte cultural e tradicional se concentra em Ubud, que fica no centro da ilha, e vou dizer que foi o lugar que mais gostei. Se você gosta do livro ou do filme “Comer, Rezar e Amar” Ubud faz parte da sua lista de lugares para conhecer, toda a parte de Bali do filme acontece nessa região.

O centro de Ubud não é muito grande e dá para fazer tudo a pé. Em 20 minutos você caminha de um lado ao outro. Só cuidado ao andar nas calçadas (quando elas existirem), pois elas são irregulares, não é difícil encontrar um buraco de tamanho suficiente para cair uma pessoa dentro ou trechos com piso irregular para dar um belo chute e quebrar um dos dedos do pé. Além disso, são estreitas e se você parar para ver uma vitrine ninguém mais passa de nenhum dos dois lados, a não ser que seja pela rua.

Esqueça aquele conglomerado de lojas de marca e restaurantes fast food, Ubud não tem isso. Apesar de ser bastante turístico e sempre lotado de gente, o local ainda consegue manter um ar de interior com lojas de artesanato, roupas que parecem ter saído das feirinhas de praia e um milhão de pequenos restaurantes de comida balinesa e indonésia. A vida noturna é fraca, você até encontra um barzinho ou outro que fica aberto durante a madrugada, mas no geral a cidade dorme depois das 11h da noite.

Um dos pontos mais visitados é o Monkey Forest, na verdade um templo, mas a principal atração são os macacos. Centenas deles! A entrada custa Rp 30.000 (2,5 dólares) e também há uma banquinha que vende bananas na porta. O lugar realmente parece uma floresta, as árvores têm raízes enormes e alguns lugares são restritos para prática religiosa, onde só os balineses devidamente vestidos podem entrar.

Não é preciso estar do lado de dentro para ver os primatas caminhando de um lado para o outro e pousando para os turistas. Eles parecem bonitinhos e inofensivos, mas tome cuidado. O que eles querem mesmo é comida e vão te perseguir se desconfiarem que você tem alguma coisa. Li tantos relatos horríveis em outros blogs que entrei no templo com um certo receio deles, mas eles não são assim tão maus quanto dizem. Vá para lá com tudo bem guardado, pois qualquer coisa fácil de pegar irá embora nas mãos deles – óculos de sol, garrafas de água nas mãos, máquinas fotográficas ou acessórios diversos (brincos, presilhas ou qualquer coisa que eles consigam puxar). Eles abrem zíperes de bolsas e mochilas e enfiam as mãos dentro dos bolsos para pegar o que tiver dentro (cuide da sua carteira e celular). Se alguma coisa sua se for, você vai precisar comprar uma banana e negociar com o bichinho para que ele devolva seus pertences (que talvez não estejam mais nas melhores condições).

Caçando piolho?

 

Outro local que merece uma vista é o Ubud Market. Pela manhã você encontra temperos, frutas, peixes, flores e tudo referente à cozinha e oferendas. Isso porque os balineses só cozinham uma vez por dia, na parte da manhã, então para eles não faz sentido vender comida a tarde. As oferendas também são dispostas na parte da manhã. Na parte da tarde o mercado é tomado por roupas, sarongs e todo o tipo de bugiganga que se pode imaginar. O negócio aqui é pechinchar tudo! Pode pedir 25% do valor inicial que for oferecido para começar a negociar, se conseguir um valor final por volta de 1/3 do inicial talvez você tenha feito um bom negócio (mas lembre-se que se a pessoa te vendeu por esse valor é porque ela ainda está lucrando em cima. Imagina o quanto seria se você tivesse topado o primeiro preço).

Temperos a venda no Ubud Market

 

Uma boa dica para conhecer melhor a cultura e costumes de Bali é fazer um cycling tour. Existem várias empresas que fazem esse passeio, que não é exatamente em Ubud, mas é em regiões próximas. Eu fiz com a Bali Eco Cycling e achei ótimo, apesar de caro (Rp 400.000 – 35 dólares). O tour começa cedo, com uma van pegando as pessoas em seus hotéis e segue para um restaurante que fica na base do Mont Batur, um dos vulcões da região. Lá é servido o café da manhã em formato buffet, para carregar as energias para a pedalada. Os cafés da manhã asiáticos são uma refeição como qualquer outra do dia, então você vai encontrar arroz, frutos do mar e inclusive coisas apimentadas (eu não ligo pro arroz, mas pimenta logo de manhã é demais para mim), mas também tem uma mesa de frutas, café e chás. As panquecas de banana e de chocolate são muito gostosas e bem típicas (a de banana, já a de chocolate acho que é para agradar turista) e há ainda um doce local feito de feijão doce com leite de coco e um caramelo de palm sugar (não sei qual a tradução disso para o português). Falando assim parece estranho, mas é gostoso! O restaurante tem vista para o Mont Batur e para o lago, uma bela paisagem se o dia estiver limpo, mas tudo que eu consegui ver foi uma cortina branca de neblina.

Depois de alimentados e de volta para o carro, seguimos para uma “fazenda” (eles chamam de farm, mas é praticamente uma plantação de quintal) para conhecer algumas plantas locais, uma aula de café e para uma degustação de chás e cafés. É claro que tem uma lojinha para compras depois. O mais curioso dessa degustação é o Luwak Coffee – nessa “fazenda” tem algumas jaulas com um animal que parece uma raposinha e se alimenta de grãos de café, entre outras coisas. O grão fermenta dentro dele e quando sai é colhido, seco e torrado para o preparo do café, que é um dos mais caros do mundo e não está incluso na degustação. Caso você queira experimentar é preciso pagar a parte. É literalmente um café de cocô.

Degustação de chás e cafés

 

A próxima parada é o local onde pegamos as bicicletas. Capacetes e água fazem parte do pacote. O grupo vai com 2 guias – um na frente, mostrando o caminho, e um atrás, para garantir que ninguém se perca ou para ajudar no que for preciso. Cerca de 90% do trajeto é descida, então se você conseguir se equilibrar na bike já está ótimo! Não é necessário um grande preparo físico para acompanhar o tour.

Durante o caminho vamos fazendo algumas paradas em terraços de arroz, para ver uma árvore de 500 anos e em uma casa tradicional para ver como vivem os balineses. É bastante interessante e diferente, falei sobre isso neste post. O tour termina com um belo almoço em um restaurante, também em esquema de buffet. Eles se vendem como “a melhor refeição que você vai ter em Bali”, eu não achei tudo isso, mas é uma boa oportunidade de experimentar o smoked duck, que é um prato típico e caro nos restaurantes (entenda por caro algo entre 15 -20 dólares).

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Falando em comida, opções para comer são encontradas com fartura. É fácil encontrar pizza, restaurantes italianos ou mexicanos, mas você está em Ubud, porque não pelo menos experimentar a culinária local? Apesar dos nomes um pouco difíceis, a comida indonésia não tem nada de estranho (nada de insetos, comida crua ou bichos esquisitos), sendo basicamente arroz, macarrão, frango, peixe, frutos do mar, vegetais, ovo e um tempero maravilhoso (carne de boi é um pouco mais difícil de achar, mas também tem). Se você gosta de algo mais picante pode pedir um prato típico balinês, que também são deliciosos. Uma dica é a Jalan Gootama, uma rua cheia de restaurantes bons e baratos.  Eu não vi um fast-food em Ubud, mas você vai encontrar Mc Donalds e Pizza Hut em Kuta ou Jinbaran.

nasi-goreng-Bali
Nasi Goreng, o tradicional fried rice

 

A paisagem típica que as pessoas buscam em Ubud são os terraços de arroz, uma hora ou outra você vai passar por eles e a região tem vários. O próprio cycling tour passa por um e há outro bem perto do centro, dá para ir andando. A entrada fica um pouco escondida e as placas de indicação são bem discretas, mas basta perguntar para um local que vão saber te informar. Não é o melhor deles, achei um pouco sujo, mas se for a sua única oportunidade de ir em um terraço de arroz, não a perca! Caso alugue uma moto ou contrate um motorista particular, procure por Tegalalang rice terraces, são os mais bonitos da região e prepare-se para as “armadilhas turísticas”. Pessoas caracterizadas oferecendo fotos (e depois te cobram por elas) faz parte. Há um trecho em que é preciso atravessar uma ponte, que parece caindo aos pedaços, mas todo mundo atravessa, e do outro lado tem uma senhora pedindo doações pelo uso da ponte (!). Tem um restaurante no local em que você pode tomar um café apreciando a paisagem, em mesinhas pequenas com almofadas que são um charme. Imagino que tudo seja meio caro também, não tive essa experiência.

Telalagang rice terrace
Telalagang rice terrace

 

Para um mergulho mais profundo na cultura local existem diversas opções. Ao redor de Ubud estão alguns templos, não dá para ir andando e você vai precisar alugar uma moto ou carro, contratar um tour ou um motorista particular. Entre eles estão Elephanat Cave Temple, Gunung Kawi Temple e o Tirta Empul Temple. A entrada em cada um custa Rp 10.000 e é preciso vestir um sarong. Caso você não tenha, pode pegar um emprestado na porta.

Que tal uma aula de yoga? A prática é bastante popular em Bali e o lugar mais conhecido é o Yoga Barn, com aulas para iniciantes a avançados, além de retiros espirituais e um restaurante vegano no local. A grade de aulas está no site deles (veja aqui) e para algumas é preciso fazer reserva, outras basta chegar, pagar e aproveitar. Muitas pessoas fazem a primeira aula de yoga da vida lá (eu inclusive) e a recomendação é a Intro to Yoga, onde eles vão explicar os fundamentos e filosofia. A prática exige concentração, flexibilidade e força, além de ser uma boa maneira de conhecer o próprio corpo. Cada aula custa Rp 110.000 (10 dólares) e a partir de 3 aulas eles fazem um pacote de descontos. Quase todo dia tem uma aula aberta grátis, que eles chamam de Community Classes e dizem ser a forma que eles tem de agradecer.

Se você viaja para relaxar e esquecer dos problemas, Ubud te oferece a massagem balinesa. Em cada rua tem 2 ou 3 lugares de massagem, além da mocinha que fica panfletando na rua (aliás, o que você mais escuta nas ruas é “taxi?” e “massage?”). Aqui existem opções para todos os bolsos. A massagem de 45 minutos custa a partir de Rp 50.000 (4 dólares), mas pode ficar muito mais caro dependendo do lugar. É claro que qualidade e limpeza também variam. O tradicional é a massagem full-body, feita em maca e com óleo, mas existem outras opções – só pés, mãos, cabeça, costas, com pedras quentes, ofuro e por ai vai. Massagem lá é tão sério que existem lugares que te pegam na porta do hotel (sem custo), te levam para um pacote de 3 horas de relaxamento e depois te deixam de volta. Se você não conseguir desestressar depois disso, seu caso é sério.

O programa da noite é assistir uma dança típica. Existem diversos locais na cidade com shows toda noite e de diferentes estilos. O valor varia entre Rp 75.000 e Rp 120.000 (entre 6 e 10 dólares).

Kecak Dance
Kecak Dance

 

Um dos programas que eu mais gostei foi o cooking class. Digo que eu sou um verdadeiro desastre na cozinha, mas me diverti muito! Fiz o programa da Payuk Bali, que começa cedo, às 8h da manhã com uma visita ao mercado de Ubud para conhecer os ingredientes. De lá, partimos para um terraço de arroz, para entender como ele é produzido e sua importância na vida dos balineses. A próxima parada é o local onde é realizado o curso e somos recebidos com um chá gelado de gengibre. A primeira aula nada tem a ver com cozinha, é sobre as oferendas e cada um aprende como fazer para oferecer aos espíritos. A segunda aula é sobre coco, onde aprendemos como fazer óleo de coco e leite de coco, ingredientes fundamentais na culinária balinesa. E antes de por a mão na massa ainda tem uma pausa para chá, café e jaca frita (não sou fã de jaca, mas confesso que estava gostoso).

E então começa a parte prática. Hora de por a mão na massa e picar cebola, tomate e todos os outros ingredientes, colocar tudo na panela etc. Ao todo são preparados 7 pratos: salada, sopa, arroz, chicken satay, porco ao molho balinês, peixe em folha de bananeira e a sobremesa. Eles são super cuidadosos e verificam se alguém tem algum tipo de alergia ou restrição alimentar no início. Uma das pessoas não gostava de frango e o prato dela foi substituído por peixe, outro não comia carne de porco e seu prato foi feito com frango, e por aí vai. A melhor parte é a hora de experimentar tudo que fizemos e no final ganhamos as receitas para tentar fazer em casa. Será que vai dar certo?

Aula de culinária balinesa
Aula de culinária balinesa

 

Opções do que fazer não faltam em Ubud. Se você vai para Bali, reserve um tempinho para passar por lá!

 

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

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