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A Trilha da Costa da Lagoa

Florianópolis é muito conhecida por suas 42 praias, mas existem outras opções para quem não gosta muito de pé na areia ou mesmo para quem vem no frio ou em baixa temporada.

Se você curte estar em contato com a natureza e ver paisagens bonitas, a ilha está cheia de trilhas e a da Costa da Lagoa é apenas uma das opções. A caminhada, apesar de um pouco longa, é bem tranquila. Uma boa opção para os iniciantes ou para quem não quer algo muito pesado.

Essa trilha percorre a margem oeste da Lagoa da Conceição e tem cerca de 7 km de extensão. Para chegar ao seu começo é preciso ir ao Canto dos Araçás. Para quem está sem carro, dá para ir tranquilamente de ônibus. Basta chegar até o Tilag (Terminal Integrado da Lagoa) e de lá pegar o ônibus 362, até o ponto final. Depois, uns 10 minutos de caminhada e você estará no começo da trilha.

Para programar seus transportes, uma boa dica é entrar no site da Transol e ver os horários dos ônibus. Fiz a trilha em um domingo e os horários são mais reduzidos, por exemplo o ônibus saindo do Tilag tinha um intervalo de mais ou menos 2 horas entre um e outro. Em dias de semana o intervalo é menor. Para não ficar esperando muito tempo vale pesquisar e ver os melhores horários para fazer as baldeações.

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O começo da trilha Costa da Lagoa

 

A trilha tem alguns trechos asfaltados, mas a grande maioria é em terra e pedras no meio da Mata Atlântica mesmo. O começo é provavelmente a parte mais difícil, com algumas subidas e muitos insetos. Passada cerca de meia hora, a caminhada fica bem agradável e de alguns pontos dá para ter uma boa vista da lagoa.

Durante toda a trilha existem algumas placas de sinalização. A conservação delas não está muito boa e algumas mal dá para ler o que está escrito, mas é uma indicação de que você está no caminho certo. Na verdade, não tem muito como se perder, o caminho é bem demarcado e existem poucas bifurcações (e as que existem estão sinalizadas). É só se manter no caminho principal.

Faz parte do caminho passar por algumas vilas. É interessante ver como as pessoas vivem lá, algumas casas são bem simples, já outras são super bonitas e grandes. Há também algumas saídas no lado direito que descem para a lagoa, que são pontos onde você pode pegar um barco que te leva de volta para o Canto dos Araçás (ou outro lugar, de acordo com o que for combinado com o barqueiro), então se você cansar da caminhada, por voltar no meio.

Bifurcação na trilha, com sinalização
Bifurcação na trilha, com sinalização

 

Na primeira metade da trilha tem um engenho de farinha, construído no século XVIII. É possível visitá-lo por dentro, apesar de parecer meio abandonado. Não dá para entender muito o que cada “máquina” faz, faltam umas plaquinhas explicativas. Diz a placa na entrada que ele entra em funcionamento no mês de julho, então talvez seja uma boa época para entender todo o processo e história.

Um pouco mais a frente fica a “casa da loquinha”. Mais uma vez, não sei qual o contexto histórico, mas é uma casa sem nenhuma conservação e que está fechada .

Engenho de farinha na trilha Costa da Lagoa
Engenho de farinha na trilha Costa da Lagoa

 

Após cerca de 2 horas de caminhada do início chega-se à Costa da Lagoa, a vila de pescadores que dá nome à trilha. As únicas formas de acesso até lá são de barco ou a pé, o que a torna um local um pouco isolado e que parece ter parado no tempo, ainda vivendo da mesma forma que seus antepassados. O grande atrativo do local são os restaurantes (dê uma volta para checar as opções). A grande maioria deles oferece o transporte de volta para o Canto dos Araçás gratuito, se você almoçar com eles.

Logo que descemos do ônibus um senhor, o seu Nilson, veio oferecer o transporte de barco para o restaurante dele, dizendo que caminhando íamos levar 2 horas e de barco apenas 10 minutos. A ideia era caminhar mesmo, mas ele nos deu um cartão do seu restaurante e disse que estaria nos esperando para almoçar quando chegássemos lá. E realmente ele estava! O restaurante chama Bela Ilha, um trocadilho de Ilha Bela, em São Paulo, onde ele trabalhou por algum tempo, e é conduzido pelo seu Nilson, sua mulher Dalva e os filhos. Além do restaurante eles têm alguns quartos para alugar, que são disputados na alta temporada. O valor é de R$ 100 a diária para o casal.

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Nem preciso dizer que almoçamos por lá mesmo, né? Eles foram super simpáticos e a comida estava muito boa. Fomos de casquinha de siri e uma porção de lula a dorê. O cardápio tem ainda diversas opções de peixes e frutos do mar, as porções estão na faixa de R$ 30 e os pratos em torno de R$ 60 (para 2). Almoçar com pé na areia, olhando para a água é sempre bom, mesmo estando friozinho, de calça comprida e tênis.

Durante o almoço parou um barco e uma menina desceu com uma cesta cheia de doces. Ela disse que a mãe quem faz todos, o pai conduz o barco e ela vende. Mais um exemplo de como a comunidade local vive.

Porção de lula a dorê e uma cervejinha no Bela Ilha
Porção de lula a dorê e uma cervejinha no Bela Ilha

 

Seguindo a trilha há uma entrada à esquerda que leva a uma cachoeira. A entrada não é muito bem sinalizada e a cachoeira não tem muita graça, pelo menos no dia que eu fui quase não tinha água, mas já que estava por lá valeu a visita para tirar uma foto. O seu Nilson disse que é um lugar perigoso, que algumas pessoas morreram tentando escalar as pedras, pois escorregaram e bateram a cabeça. Também disse que há alguns casos de furtos, em que uns meninos aproveitam o momento de fotos dos turistas, pegam bolsas e saem correndo para dentro do mato. Eu não vi nenhum perigo no local, mas é bom sempre ficar de olho nos seus pertences e não tentar escalar as pedras.

Mais para frente, chega-se ao final da Costa da Lagoa e começa outra trilha que vai até a praia do Saquinho. Lá também há serviço de barco que te leva de volta para o Canto dos Araçás. Não fomos até o fim, depois do almoço demos uma volta pela vila e voltamos para o restaurante para pegar o barco de volta. Seu Nilson nos levou de volta sem cobrar, afinal, almoçamos no restaurante dele.

No caminho ele foi contando toda a sua história e ainda nos explicou um pouco sobre navegação e ensinou como conduzir o barco. O levamos por boa parte do caminho.

Pilotando o barco na Lagoa da Conceição
Pilotando o barco na Lagoa da Conceição

 

O barco parou no Canto dos Araçás, no mesmo local em que descemos do ônibus, e vimos nosso bus indo embora quando estávamos chegando. Fica a dica: veja os horários de volta do ônibus e programe-se para chegar antes que ele se vá, como aconteceu com a gente. Como era um domingo e os horários são bem mais reduzidos, o próximo ônibus passaria em cerca de 2 horas. A opção que tivemos foi voltar para o centrinho da Lagoa a pé mesmo, o que não foi ruim. A caminhada é fácil, sem subidas e asfaltada. O único porém é que você precisa saber para onde ir e o local é totalmente residencial, ou seja, não tem ninguém pelas ruas e se precisar perguntar o caminho fica um pouco difícil. Por sorte, encontramos 2 pessoas que estavam fazendo obras em uma das casas e pedimos orientação para elas.

Aproveitamos que já estávamos por lá e demos uma volta pelo centrinho. Não há tanta coisa assim para fazer. Aos domingos tem uma feirinha de artesanato, fora isso são comércios locais e um monte de cafés e restaurantes, boa opção para um happy hour ou jantar depois de um dia de caminhada! Nosso achado foi um lugar simples que fazia deliciosos crepes por R$ 9,00 (o local chama Happy Day). Os crepes são feitos na hora e demoram, portanto não vá com pressa, aproveite para tomar um suco, descansar e conversar sobre a caminhada do dia.

Achado do dia: um crepe gostoso e barato!
Achado do dia: um crepe gostoso e barato!

 

O Tilag não fica longe do centrinho e de lá pegamos o ônibus de volta.

 

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

2 Comments

  1. Que passeio delicioso, já vou colocar um link no meu blog

    • 20/03/2017 at 23:32 — Responder

      =]
      É um passeio muito agradável mesmo. Curti muito fazer!

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