São PauloSão Paulo (SP)

Sampa também tem carnaval!

Quando o assunto é carnaval qual a cidade que você lembra primeiro? Rio de Janeiro ou Salvador, provavelmente, certo? Muitas cidades tem grandes festas nesta época e São Paulo não fica de fora, com direito a desfile de escolas de samba e tudo!

Tem coisas que todas as pessoas deveriam fazer pelo menos uma vez na vida. Um dos itens da minha bucket list era participar de um desfile de escola de samba no carnaval, item cumprido neste ano.

São Paulo tem 22 escolas: são 14 no grupo especial e mais 8 no grupo de acesso. Basta escolher uma e cair no samba. Os preparativos começam um pouco antes para quem participa do desfile assim você já entra no clima de carnaval. Eu desfilei pela Águia de Ouro e vou contar como foi.

 

Os preparativos

As escolas podem fazer parcerias com empresas, associações ou algum grupo de pessoas para fechar uma ala e foi um desses convites que eu recebi. Elas também tem alas abertas ao público, basta escolher uma escola, entrar no site, definir sua ala (e consequentemente sua fantasia) e entrar em contato com eles. É preciso pagar pela fantasia e o valor varia conforme a escola e os detalhes de cada vestimenta. O investimento fica  entre R$ 150 e R$ 400, mais ou menos.

Feito isso, participe dos ensaios gerais na quadra da escola de samba. Os da Águia de Ouro eram todo domingo a noite. Verifique as datas e horários no site da escola. Cada ensaio é uma grande festa e é aberto também para quem não vai desfilar. Leve seus amigos, vale a experiência! O grande objetivo é que as pessoas aprendam a letra do samba enredo, um item importante no momento do desfile.

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Há também os ensaios técnicos que acontecem no sambódromo e dão uma boa ideia de como será o desfile no dia. O que eles enfatizam muito é que todos cantem o samba enredo. As alas são organizadas em filas que devem sempre se manter alinhadas, durante toda a avenida.

Verifique como retirar sua fantasia e experimente antes. Não deixe para a última hora! Faça os ajustes necessários e reforce as costuras principais, já que com a grande quantidade de fantasias que a escola produz, o tamanho acaba ficando bem genérico e o acabamento não é lá dos melhores. Muitas delas são grandes e podem não ser muito confortáveis (costeiros e chapéu, principalmente), então veja se é necessário proteger com espumas, enchimentos, toalhas etc.

 

O grande dia

Prepare-se para o dia do desfile! Descanse bem antes, pois ele vai madrugada a dentro dependendo da ordem da sua escola, hidrate-se bastante, já que você vai perder muita água no dia, e cuidado com alimentação (ter uma dor de barriga no meio do desfile não deve ser nada bom).

A concentração da Águia de Ouro foi na quadra da escola. E prepare-se para esperar (a espera é mais cansativa que o desfile em si). Eles pediram para chegar às 22h30 e o desfile estava programado para 2h50. Já ali você começa a sentir a energia – pessoas alegres andando de um lado para o outro, cantando e dançando, cada uma com a sua fantasia.

Esse tempo acaba sendo muito útil para resolver imprevistos, como aconteceu com meu chapéu, que estava grande. Ele balançava tanto que fiquei com medo dele cair no meio do desfile, mas resolvi isso em casa amarrando um pano na  cabeça e colocando o chapéu por cima. Ficou firme! Mas para minha alegria não me deixaram usar o paninho porque ele era colorido e a escola perderia pontos se ele aparecesse (ele ficava escondido, mas não quiseram correr o risco). O improviso na hora foi colocar absorventes por dentro do chapéu e assim ele voltou a ficar preso.

Tinham mais ou menos uns 50 ônibus (os de linha mesmo) estacionados na rua ao lado da quadra e foi com eles que fomos até o Anhembi. A viagem não foi rápida e com roupas tão grandes foi um pouco desconfortável, mas faz parte do pacote

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Chegamos no Anhembi, onde mais uma vez tivemos que esperar. Um tempo depois eles começam a organizar as filas e a passar as orientações para o momento do desfile – proibido tirar fotos,  manter o alinhamento, cantar sempre, não usar adereços (brincos grandes, relógios etc) entre outros. Isso tudo é levado muito a sério, pois se não cumprido a escola pode perder pontos. Apenas 1 décimo de ponto é o suficiente para tirar o título de campeã. Tantas pessoas trabalham o ano inteiro para esse momento e não é você que vai estragar, certo?

Dica: não tem lugar para guardar as coisas, tudo que você levar vai ter que carregar sem que apareça na fantasia. Bolsas e mochilas nem pensar, deixe dentro do carro ou não leve. Vá para o sambódromo com o mínimo possível. Um money belt com um documento, dinheiro e o celular é o suficiente. Um lencinho ou um batom ainda é aceitável, mas nada além disso.

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Comprar água, cerveja ou outras bebidas é fácil, ambulantes estão por todo o caminho na concentração. Só não exagere na bebedeira. A escola proíbe que pessoas bêbadas desfilem e caso julguem que você está muito alterado, podem te tirar na última hora. Os banheiros no Anhembi são escassos e químicos, então se a cerveja mais desce que sobe pra você, controle-se. Eu não cheguei a ter essa experiência, mas se banheiro químico já não é muito agradável normalmente, imagina com uma roupa desse tamanho!

 

Hora do desfile!

Quando a hora do desfile se aproxima e a escola chega bem pertinho da avenida o presidente faz seu discurso e começa o esquenta da bateria. Duas ou três músicas para jogar a animação da galera lá pra cima e entrar no clima. No trajeto são instalados alguns telões, então dá para acompanhar um pouco do que está acontecendo.

A escola tem 65 minutos para completar o desfile, ou seja, desde a comissão de frente entrando na avenida até a última alegoria saindo. Isso significa que você vai realmente desfilar por uns 20 ou 30 minutos, mas isso é mais que o suficiente para suar a camisa, secar a garganta e cansar os braços e pernas.

Uma vez na avenida, aproveite o momento! A energia é contagiante. Dance, cante, divirta-se, interaja com o público, sorria e dê um tchauzinho para Globo, porque você vai passar na TV.

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Fim de festa

Ao sair da avenida não pare, continue seguindo o fluxo. Você terminou seu desfile, mas o resto da escola ainda não e a passagem precisa ficar livre. Tenha certeza que se você parar no meio do caminho alguém vai vir gritando no seu ouvido. A saída é uma verdadeira bagunça, principalmente do portão do sambódromo para fora. Tem gente que fica conversando, tem quem resolve trocar de roupa por ali, tem os curiosos que se misturam no meio das pessoas que saíram do desfile e não ajudam em nada, tem o tiozinho (um monte, na verdade) que vai passar com seu isopor gritado “Água e cerveja”, e por ai vai.

Lembra dos 50 ônibus que trouxeram  as pessoas? Pois é, eles estão ali esperando para levar todo mundo de volta para quadra. Na ida tudo é organizado, as alas vão juntas e tem um coordenador em cada carro. Na volta, a regra é: garante seu lugar quem entrar no ônibus primeiro e com muita sorte você consegue sentar na janelinha (se conseguir sentar já é muita sorte). E garanta o seu mesmo, porque achar outro jeito de voltar vai ser um pouco complicado.

Dica: se entrar no ônibus ainda vazio, aproveite para tirar parte da sua fantasia, de preferência aquelas que são pesadas e quentes (é carnaval, mas nada de ficar pelado no busão). Todos os fechos da minha estavam presos com alfinetes, para não correr o risco de se soltarem no meio do desfile, isso significa que foi um pouco difícil conseguir me livrar dela. O ônibus vai cheio, as pessoas estão suando depois do desfile e ônibus é ônibus, né! (como eu disse, a janelinha é muita sorte).

De volta a quadra da escola, é hora de… comer! Eu cheguei morrendo de fome e sede, larguei a fantasia no carro e fui direto para o pastel e a cerveja.

 

Resumo da história: Existem coisas que é preciso experimentar nessa vida, e todo bom brasileiro deveria desfilar em uma escola de samba pelo menos uma vez. Meu próximo desfile vai ser no Carnaval do Rio!

 

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

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