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Salar de Tara – lagos, deserto e neve

O Salar de Tara é, sem sombra de dúvidas, um dos lugares mais impressionantes que já vi. Consegue misturar belas paisagens da forma mais extrema possível, como um deserto árido ao lado de montanhas nevadas e lagos azuis, além de me levar para o ponto mais alto que já estive nesse mundo.
Esse é um dos passeios mais caros do Atacama, então prepare seu bolso, mas tenha certeza que o investimento vale a pena. O alto preço é justificado por ser um lugar longe e que só vão grupos pequenos. O passeio ainda inclui café da manhã e almoço, tudo bem simples mas fresquinho! É também um dos únicos tours que não tem saída diária, portanto é preciso se programar para ir – grupos pequenos e dias reduzidos… já viu, né!
 
Perto das 8h uma van percorre a cidade para pegar seus passageiros. Éramos 10 pessoas mais um motorista, guia, mecânico, cozinheiro e psicólogo, segundo sua própria descrição (é uma pessoa só). Saímos de San Pedro e começamos a subir pela estrada que leva às fronteiras da Argentina e Bolívia. A primeira para foi aos pés do vulcão Licancabur, a entidade máxima da região. Pausa para algumas fotos e para acostumar o corpo a altitude que já estávamos, e seguimos viagem.

Vulcão Licancabur

Na estrada

Em menos de meia hora de estrada (desconsiderando o tempo que ficamos parados no vulcão) a paisagem mudou drásticamente. O cenário seco e marrom do deserto deu lugar a uma enorme camada branca de neve nas laterais da estrada. Nevou bastante durante a noite. Achei incrível essa mudança tão rápida!!

Estrada nevada (veja na outra foto como estava há poucos quilometros atrás)

 

Paramos em Quepiaco para a primeira refeição do dia foi com vista para um lago cheio de flamingos e vicunhas. O café da manhã foi bom – leite, café, bolachas, sanduíches de presunto e queijo e palta (vulgo abacate, mas diferente dos brasileiros). Se você está no Chile, não tem como não ter pelo menos visto um prato com palta. Isto está em todo lugar e lá não se come com açúcar, mas sim nas saladas, sanduíches, como acompanhamento de pratos principais e onde mais a imaginação permitir. Experimente! Gosto mais de chocolate, mas palta também não é ruim.

Quepiaco. A paisagem do café da manhã

Não é difícil encontrar vicuñas por lá

De volta a estrada, continuamos a subir. Um dos trechos do caminho chega há 5.200m de altitude, se não me engano, é por aí que fica a fronteira com a Argentina, mas a aduana fica lá embaixo. Ninguém vive ou trabalha a essa altitude, o ar é rarefeito e a pressão é menor, o que pode causar alguns problemas em quem passa muito tempo lá. Ainda bem que estávamos dentro do carro e só de passagem.
 
Deveríamos ter ido para o Salar de Pujsa, lugar que me foi tão recomendado, mas é preciso atravessar um rio e para nossa sorte (ou azar nesse caso específico), o dia estava muito quente e o rio muito cheio pelo derretimento da neve das montanhas. O carro não conseguiu cruzar para o outro lado e perdemos Pujsa.

A próxima parada foram os Monges de Pakana. São pedras enormes, com uns 30m de altura. Uma delas, vista de longe, parece um índio bravo, como se fosse o guardião do lugar, mas ao chegar mais perto o índio começa a sorrir. Outra formação famosa de lá é a pedra de Pablo Neruda.

Monge de Pakana visto de longe, com cara de bravo

De perto ele parece sorrir

Só para referência do tamanho da pedra (eu estou na foto!)

A pedra de Pablo Neruda


Todo o passeio é só natureza. Prepare-se para os banheiros naturais de lá e tome água o suficiente para não desidratar, mas não demais para evitar ter que ir à casinha toda hora. 

Banheiro natural - cabine 1, 2 e 3

 

Seguimos em direção a um mirador com vista para o Salar de Quisquiro, Lagunas Aguas Calientes e Catedrales de Pakana. Dizer que esse lugar é bonito é pouco. Segundo palavras do guia, “Desculpe por meu país ser tão lindo”.

Salar de Quisquiro

Laguna Aguas Calientes

Catedrales de Pakana

 

Após uns 15 minutos de apreciação da paisagem, fomos para a Laguna de Tara. Uma caminhada leve para ver muitos flamingos e me impressionar com a paisagem fantástica de lá. Não é todo dia que se consegue enquadrar um deserto árido e marrom, uma lagoa linda e cheia de vida e montanhas com picos nevados em uma mesma foto!

Laguna de Tara

Montanhas nevadas e muitos flamingos

De um lado o deserto seco e marrom

Do outro, um lago azul, muito verde, flamingos rosados e montanhas nevadas

Tudo em uma única foto

 

Uma pausa para o almoço há 4.800m de altitude, com direito a vinho chileno, e seguimos nosso caminho de volta. A última parada foi a Laguna Diamante que ficou para o final do passeio justamente porque a tarde ela fica verde, devido ao ângulo que os raios de sol desse horário. Geralmente essa lagoa fica congelada é é possível andar sobre ela, mas o dia que fui foi anormal e estava muito quente. Apesar do frio que fazia, o gelo todo derreteu e tivemos que apreciá-la da terre firme mesmo.

Almoço - frango, tomate, palta e vinho

Laguna Diamante

Uma pena ela não estar congelada

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

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