Intercâmbio

Quero fazer intercâmbio!

Fazer um intercâmbio é uma das melhores experiências que alguém pode ter. É mais que a oportunidade de aprender uma nova língua, mas também a chance de conhecer um outro país, outra cultura, fazer amigos pelo mundo todo, se tornar mais independente… nem dá para listar todos os benefícios aqui.

Digo por experiência própria. Eu passei 9 meses na Austrália e foi a melhor época da minha vida. Tenho saudades de lá todos os dias, até hoje mantenho as amizades que fiz do outro lado do mundo e nem preciso comentar de todos os aprendizados que tive, né?

Se você está animado (ou animada) para iniciar essa etapa na sua vida, vou te dar uma notícia: fazer intercâmbio não é para qualquer um. É verdade, e não é apenas no quesito financeiro (leve em conta que o investimento é considerável também). Não é qualquer um que está disposto a sair da sua zona de conforto e se arriscar em um lugar onde não conhece ninguém, não entende o que os outros falam e que pode ter uma cultura bem diferente. Você está preparado para viver longe dos seus pais, irmãos e dos seus amigos? Você sabia que vai ter que arrumar sua cama, limpar seu banheiro, lavar sua roupa e preparar sua própria comida? Ninguém vai pegar um carro para te levar de um lado para o outro, você vai ter que andar, pegar ônibus, metrô, trem etc. E se você ficar doente? E se o dinheiro acabar? E se você não se adaptar? E se… E se.. E se… Já parou para pensar nisso?

A ideia não é te assustar ou te fazer desistir, mas te fazer pensar nas reais situações que podem acontecer para que você se prepare. Se você acha que alguma das situações acima pode ser um problema, avalie o quanto você está disposto a enfrentar isso. Se você acha que pode conviver e contornar tudo, bem-vindo ao início de uma jornada que vai mudar a sua vida, assim como mudou a minha.

 

Por que fazer intercâmbio?

Young Woman Writing

 

Todo mundo fala que vale a experiência, que é importante saber outra língua, que é isso, que é aquilo e bla bla bla. Você quer fazer um intercâmbio porque os outros falam que é bom ou porque você tem vontade e vê a oportunidade de agregar algo para si mesmo? Qual é o seu objetivo?

É importante ter isso muito bem definido para ir com a expectativa certa, não se frustar depois e saber o que fazer em determinadas situações. Eu, por exemplo, queria melhorar meu inglês, ter a experiência de morar fora do Brasil e ser mais independente. Antes de ir eu fiz um teste em uma escola de idiomas para saber qual o meu nível e refiz o mesmo teste logo quando voltei, assim pude saber o quanto meu inglês evoluiu. Queria evitar ao máximo fazer amizade com brasileiros (é difícil, as pessoas dos mesmos países se atraem como imãs), afinal a experiência de outro país não é a mesma se você só convive com seus conterrâneos, além de você exercitar apenas o português com eles, por isso, escolhi uma escola em que a quantidade de brasileiros era baixa. Meu primeiro mês, o de adaptação, foi em casa de família, mas já fui decidida a mudar assim que possível para ter minha própria casa ou quarto (no meu caso foi minha própria cama, eu dividia quarto com uma coreana).

 

 

Quanto tempo ficar?

The Traveler

 

Isso é uma decisão muito pessoal e tem interferência de muitos fatores. Quanto tempo você tem disponível? Apenas seu período férias ou tem mais tempo? Por quanto tempo você está disposto a ficar fora? Alguns não se importam com a distância, outros não conseguem ficar mais que 1 mês longe de casa.

O lado financeiro pesa nessa decisão também. Quanto mais tempo, mais caro se considerar o valor total, mas mais barato se considerar o valor investido x tempo. A passagem aérea vai ser a mesma, não imposta se seu intercâmbio ser de 1 mês ou 1 ano. As escolas costumam dar descontos ou ter preços promocionais para períodos maiores. Veja o que vale mais a pena para você.

A experiência do intercâmbio é válida, independente do tempo de duração, mas considere que o início é uma fase de adaptação e só depois você realmente começa a aproveitar. Eu percebi uma grande melhoria do meu inglês do terceiro mês em diante. Isso varia muito de pessoa para pessoa e de acordo com as experiências prévias de cada um.

 

 

Para que país e cidade ir?

Thumbtack On Map - London Stock Photo

 

Essa talvez seja a segunda decisão mais difícil (a primeira é decidir fazer o intercâmbio mesmo). As opções são tantas que não é fácil escolher.

O primeiro passo é definir o idioma e saber quais países têm essa língua nativa. É meio óbvio, né? Não adianta querer estudar francês na Alemanha, com certeza na França ou no Canadá você vai aprender muito mais. E de verdade, são muitas opções, principalmente para o inglês e espanhol.

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Fazer intercâmbio não é só estudar. Melhor ainda, lugar de aprender não é só dentro da sala de aula. Pense que você terá muito tempo para passear, andar pela cidade, conhecer novos lugares, ter experiências diferentes e tudo isso faz parte. É fazendo esse tipo de coisa que você vai adquirir a fluência, ganhar vocabulário, fazer amigos e aproveitar o que o local tem a oferecer. Alie a oportunidade de estudar em outro país com as coisas que você gosta ou gostaria de conhecer. Não vá para Austrália se você gosta de história e arquitetura, não vá para Nova York se quer curtir as praias. Aproveite a Nova Zelândia para conhecer os locais de Senhor dos Anéis ou a Argentina para aprender a dançar tango.

Pense também no clima. Não adianta ir para o inverno do Canadá se você morre de frio com o ar condicionado do carro, ou ir para o verão espanhol se você não suporta o calor. Lembre que quanto mais perto dos extremos do planeta, mais as estações do ano são bem marcadas e a duração do dia também varia. No verão do norte da Europa ou do sul do Chile, por exemplo, o sol se põe às 10h da noite, o que te dá mais tempo para aproveitar a cidade. No inverno, porém, os dias são bem mais curtos e a noite chega rapidinho.

Outro fator é ver o que há nos arredores – cidades próximas e países vizinhos que você pode conhecer em um final de semana ou em uma viagem quando terminarem as aulas. Viajar nos países próximos à Irlanda é relativamente fácil, barato e rápido. O mesmo não se aplica para Austrália e Canadá, que têm dimensões muito maiores e, consequentemente distâncias e preço de deslocamento.

Por último, mas não menos importante, você vai apenas estudar? Ou vai trabalhar também? Isso é super importante para decidir o local do seu intercâmbio, pois os vistos e regras de cada país mudam bastante. Minha primeira opção era ir para o Canadá, mas decidi pela Austrália porque o visto de estudante permitia que eu trabalhasse algumas horas por semana, o que não acontecia com o visto canadense.

 

 

 Onde ficar? 

Family Lying On Carpet In Living Room With Laptop

 

São várias opções: casa de família, flat, dividir apartamento, hostel, alojamento da escola e por ai vai. Todas tem seus prós e contras e tudo depende do que você quer (olha aí o objetivo do intercâmbio influenciando suas decisões).

Ficar em casa de família é como jogar na loteria. Você pode ter a sorte de ter uma família linda, que te ajuda em tudo, se preocupa com você, te inclui nas programações e te trata como se fosse filho deles. Ou pode ter o azar de ser hospedado por alguém que só tem interesse no dinheiro que recebe da escola (sim, as famílias são pagas para receber os estudantes). De toda forma, você estará inserido em uma família local e verá como é o dia a dia das pessoas lá. Geralmente são casas próximas ou de fácil acesso à escola, incluem algumas refeições (café da manhã e jantar) e, é claro, você vai precisar se adaptar às regras de convivência da casa. Essa é a opção mais cara, por ser a que inclui mais regalias (refeições, alguém te ajudando na adaptação etc). Eu fiquei meu primeiro mês em casa de família, eles eram ótimos, super me ajudaram, mas eu nunca tive a sensação de estar em casa.

Logo me mudei para um apartamento de 2 quartos que dividia com mais 3 meninas (2 em cada quarto). A escola tinha um mural em que os alunos podiam deixar anúncios. Se você for por agência, eles devem ter uma base de apoio que pode te ajudar nisso também. E existem sites que também fazem essa busca. Ali eu me senti em casa, era a minha casa (dividida, mas era minha também). Podia fazer os meus horários, não devia satisfação para ninguém, tive que cozinhar, lavar roupa, limpar banheiro, pagar aluguel etc e fiz amigas para a vida. A convivência com pessoas de outras culturas nem sempre é fácil, mas faz parte do aprendizado.

Quem quer ter mais privacidade pode alugar um flat ou studio e morar sozinho, só tenha em mente que isso pode limitar um pouco seu relacionamento com outras pessoas. Conheci também pessoas que moravam em hostels e pagavam em forma de trabalho (na recepção, fazendo limpeza, cozinhando etc). É uma forma bem barata, afinal você não paga hospedagem, mas também não se sente em casa. Existem ainda escolas que oferecem alojamentos para seus estudantes (nem todas tem) e cada um funciona de uma forma. Vale pesquisar caso a caso.

 

 

Como escolher a escola?

Teenage students Writing On book

 

Esse é um ponto muito importante, afinal você vai estudar! Não veja apenas o valor, mas também quantas horas de aula/semana você vai ter, qual o suporte que a escola te oferece, se há atividades extras fora do horário de aula, qual a sua localização. Busque referências de pessoas que já estudaram lá, veja o site da escola, a página do facebook etc.

Você pode fazer contato direto com a escola (por telefone ou pela internet) ou via agência no Brasil. Pela agência você tem suporte para toda a burocracia como documentos, visto e passagens, o que dificilmente você terá em um contato direto com a escola. Porém, fica restrito às opções que a agência te dá e as parcerias que eles já estabeleceram. Fazendo direto com a escola a flexibilidade é muito maior, mas o risco é todo seu. Contratando uma agência no Brasil, caso aconteça algum problema são aplicadas as leis nacionais, já no contato direto valem as leis do país em que a escola está.

 

Você já fez intercâmbio? Diga nos comentários como foi sua experiência.

 

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* Todas as imagens: FreeDigitalPhotos.net

 

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

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