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Quanto custa viajar?

Frequentemente escuto pessoas dizendo “Eu queria ser rica igual você, assim poderia viajar mais” ou “Eu queria ir para o lugar X, mas não tenho dinheiro para isso” ou “Quantos dias de férias você tem por ano?”. Eu também queria ser tão rica quanto as pessoas acham que eu sou e ter tantos dias de férias quanto elas acham que eu tenho, mas não é bem assim. Afinal, quanto custa viajar?

A resposta para essa pergunta é muito fácil. Uma viagem custa o quanto você quiser investir nela. E sim! Toda viagem é um investimento, é o que dizem por aí: viagem é a única coisa que você compra que te deixa mais rico. Mais rico em experiência, em cultura, em vivências, e por aí vai…

Nesse post aqui eu conto como passei 1 dia em Porto de Galinhas com R$50, neste valor está o transporte de ida e volta (saindo de Recife), os passeios e o almoço. São muitos fatores envolvidos no custo de uma viagem e há muitas formas de reduzir o orçamento para caber no seu bolso, seja ele do tamanho que for. Veja algumas dicas:

 

Quanto você quer investir?

O primeiro passo é você definir isso. Assim, vai ter mais parâmetros para tomar decisões e vai ter mais tempo para se planejar. Com o valor definido, corra atrás!

Se você já tem uma graninha guardada é mais fácil, mas se não tem chegou a hora de engordar o cofrinho. Guardar pouquinho por mês, trocar aquele jantar em restaurante pela cozinha de casa, a balada de toda semana virar uma vez por mês, vender aquele video-game que está parado no seu quarto e você não joga há meses ou até fazer chocolates para vender na faculdade, no trabalho e no dia dos namorados.

Para mais dicas de planejamento de viagem, leia este post aqui.

Dica: Tenha foco e estabeleça prazos!

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Para onde você vai?

Existem lugares mais baratos e lugares mais caros. Passar 10 dias em Paris, por mais econômico que você seja, provavelmente vai ser mais caro que passar os mesmos 10 dias na Bolivia. Não se iluda achando que toda viagem internacional é cara, pesquise e vai ver que passar alguns dias no nordeste brasileiro pode ser mais caro que passar os mesmos dias em Miami. Mas também não ignore os destinos nacionais, nosso Brasil tem muito lugar bonito, muita cultura e você pode achar uma viagem fantástica que vai ser tão (ou mais) proveitosa que ir para outro país.

Passar alguns dias na Tailândia é mais barato do que você imagina, além de ser um país lindo e um dos meus preferidos (mas você vai precisar achar uma promoção de passagem aérea). Já Europa e Japão, por exemplo, são muito interessantes, mas vão exigir que você rebole um pouco mais para reduzir o orçamento.

No Brasil existem cidades de interior que escondem lugares lindos como Extrema, em Minas Gerais, ou cheio de cultura como Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Se a ideia é gastar menos, fuja do Rio e de Salvador, principalmente no verão e no carnaval.

Dica: Pesquise!

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Quando você vai?

A época da viagem também tem grande influência no preço. Em alta temporada tudo é mais caro – passagem, hospedagem, passeios etc, além de ser mais cheio, ter mais fila, mais espera e assim por diante. Obviamente tem um motivo para isso e deve ser a época com o melhor clima, quando as flores desabrocham, quando chegam os animais ou quando as lojas entram em promoção. Coloque na balança o que mais vale para você.

Já a baixa temporada nem sempre é tão ruim. Deve existir uma época do ano que não é alta temporada e que não chove, por exemplo. Cada lugar tem sua característica e vale buscar isso. É claro que ir para as praias do Caribe na época de tornados não parece ser uma boa escolha, mas avalie qual o impacto da chuva se você vai passar a maior parte do tempo dentro de um shopping  ou de museus.

Eu, por exemplo, fui para França em novembro, um dos meses que mais chove no ano. Os campos de lavanda não tinham a menor graça e é claro que choveu em alguns momentos, mas isso não impediu que a viagem fosse muito bem aproveitada.

Você ainda terá que conciliar a época escolhida com a data das suas férias e, se não for sozinho, com as férias das outras pessoas. Isso não é tarefa das mais simples.

Dica: Avalie possibilidades e cruze as datas com o seu roteiro

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Como você vai?

O transporte é um dos itens que mais pesa no orçamento de uma viagem. Esse é um bom caminho para reduzir ou aumentar o orçamento.

Para distâncias mais curtas, que tal trocar a passagem de avião por uma viagem de carro ou de ônibus e aproveitar a paisagem da estrada? Para destinos mais distantes não dá, mas fique de olho nas promoções das cias aéreas e use e abuse dos programas de milhagem. Compare os preços dos buscadores com os preços dos sites das cias aéreas, eles podem variar.

Chegando no destino final, cuide da sua locomoção por lá. Pegar um taxi do aeroporto para o seu hotel é infinitamente mais caro que outros meios. Você pode ir de ônibus, trem ou pegar um shuttle (vans que levam vários passageiros para a mesma região).

Dica: Acompanhe as promoções!

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Onde você vai dormir?

Esse é o segundo item mais oneroso da viagem e opções de hospedagem não faltam por ai. Vale gastar um tempo nessa pesquisa. Não opte pelo lugar mais barato sem saber nada sobre ele, veja os reviews ou sua economia pode virar uma grande dor de cabeça. A localização também conta muito, de nada adianta pagar barato por um quarto se você vai ter que gastar mais com transporte (fora o tempo de idas e vindas todos os dias).

Isso não quer dizer que você precisa ficar em um hotel 5 estrelas, que geralmente tem ótima localização e preços absurdos. Procure um hotel mais simples que ofereça conforto e não luxo. O booking.com é uma ótima opção para isso. Tenha em mente que o valor para 1 pessoa é diferente do valor para 2 ou 3 pessoas no mesmo quarto, quanto mais gente, mais barato fica para cada um. O airbnb.com oferece locação de casas por um preço bom, mas acho que vale mais a pena se você estiver em grupo.

Os hostels são opções mais em conta ainda e uma ótima maneira de conseguir passeios baratos (ou de graça), conhecer pessoas e culturas. Se você tem aquela imagem de que hostel é bagunçado, sujo, perigoso, só pra jovens etc, comece a rever seus conceitos. Se seu problema é dividir quarto e banheiro, grande parte dos hostels tem quartos individuais ou para casais. Eu uso muito o hostelbookers.com

Se quiser uma experiência mais profunda, que tal tentar “surfar” no sofá de alguém? O Couchsurfing oferece hospedagem grátis na casa de um residente local, além da oportunidade de conhecer como as pessoas realmente vivem, você vai ter muitas dicas que só eles sabem. Programas de voluntariado costumam oferecer hospedagem grátis também, além disso você contribui com a comunidade.

Essas são apenas algumas dicas, mas existem muitas outras opções.

Dica: Avalie o custo x benefício!

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Como será seu dia-a-dia no local?

Antes de correr para as agências de turismo tente fazer algumas coisas por conta própria. Não contrate uma para a viagem toda e monte seu roteiro por conta, reserve passagens e hospedagens online.  Agências locais às vezes são necessárias, mas avalie. City tour é o dinheiro mais fácil que elas ganham e que você pode fazer sem problemas sozinho com um mapa na mão, na maioria das cidades. Já alguns lugares tem o acesso mais restrito e você não chega sem um guia ou será muito mais difícil. No Atacama uma agência local ajuda muito, já que não existe transporte público para as principais atrações (e a grande maioria fica longe da cidade) e alguns lugares não tem nem estrada, o carro vai pelo meio do deserto se orientando pelas montanhas. O mesmo vale para o Salar de Uyuni.

A dica do taxi do aeroporto vale para toda viagem. Use transporte público que além de mais barato, vai te dar uma visão mais completa do lugar. Aproveite para caminhar muito e ver cada detalhe que não pode ser visto de dentro de um metrô que vive dentro de túneis. Faça as contas, as vezes vale alugar um carro, principalmente se você não estiver em uma viagem solo (mas considere o valor de estacionamentos e gasolina).

Fuja dos locais turísticos para fazer compras ou para comer. Eles são sempre muito mais caros. Se estiver em hotel, veja se o café da manhã está incluso na diária e, caso não esteja, não pague a mais por isso. Hotéis são caros e você vai comer a mesma coisa todos os dias. Procure uma padaria ou um café nas redondezas para conhecer um lugar novo por dia ou conheça o mercado local e veja o que faz parte da rotina das pessoas (adoro essa parte!).

Aproveite cada lugar com calma, curta o clima sem pressa, fique alguns dias mesmo que isso signifique ir para menos locais. Ficar pulando de uma cidade para outra, além do tempo de deslocamento e de check in e check out que se perde, encarece muito a viagem.

Dica: Tente fazer como os locais fazem

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Na ponta do lápis!

Estabeleça o valor/dia que você pode gastar (é só dividir o valor total de investimento pelo número de dias de viagem). Tem dias que você vai gastar mais e outros menos, o importante é tentar equilibrar.

No final de cada dia anote tudo o que gastou e onde, assim fica fácil ver se você está dentro do orçamento proposto no início. Se estiver acima, tente trocar o jantar no restaurante por um lanche feito com compras do mercado ou controle-se nas compras. Use o bom senso e não esqueça que você está viajando e deve curtir o lugar. Não deixe de ir aos restaurantes se estiver na Itália, mas não precisa ir em lugares chiques e caros todos os dias. Comida de rua é mais barata e faz parte da cultura local.

Dica: anote e controle!

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Mas voltando a pergunta inicial, quanto custa uma viagem? Tudo depende. Basicamente depende do estilo de viagem que você quer fazer e de onde e quando você vai. Uma viagem econômica exige um pouco de sacrifícios, como algumas pessoas dizem. Eu prefiro enxergar uma viagem econômica como uma oportunidade de experiências – conhecer mais gente em um hostel, conviver com os locais, caminhar para ver cada detalhe e sentir o clima de cada lugar.

 

E você? Qual seu estilo de viagem? Deixe sua resposta aqui nos comentários.

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

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