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Perrengues de viagem: A hospedagem em Cameron Highlands

Uma coisa é fato: por mais planejada que esteja uma viagem, imprevistos acontecem! Esperamos que eles nunca apareçam, mas a verdade é que não temos o menor controle sobre isso, tudo o que podemos fazer é nos preparar ao máximo para evitá-los (há quem goste de viver aventuras e novas experiências também).

E quando você faz tudo por conta, sem envolver uma agência, não há para quem reclamar e a solução está em você mesmo. No final vira uma bela história para contar e para rir, mas o durante é sempre meio chato, estressante e parece nunca ter fim.

A minha história começa em Kuala Lumpur, capital da Malásia. Cheguei na rodoviária às 10h30 da manhã para comprar uma passagem de ônibus para Cameron Highlands e consegui uma para às 11h. Fui direto para o local onde o ônibus deveria estar e lá conheci um casal de holandeses que iam para o mesmo lugar. Ficamos conversando e o ônibus só resolveu aparecer às 11h30, mas até ai nenhuma novidade considerando que o sudeste asiático não é conhecido pela pontualidade.

A viagem de 4 horas foi horrível para mim. Na verdade o ônibus era bom, confortável, com ar condicionado, assentos com um espaço considerável, reclináveis, com apoio para pernas e tinha até uma TV. O único detalhe é que a estrada era cheia de curvas e eu passei a segunda metade da viagem super enjoada (e por isso achei horrível), mas a empresa de ônibus nada tem a ver com isso.

Chegando ao destino e depois de 5 minutos sentada para me recuperar, peguei minha mala, me despedi dos holandeses e fui em direção ao hostel que eu tinha feito a reserva. Os holandeses não tinham hospedagem ainda e iam andar pela cidade para procurar uma.

Cheguei no hostel e mostrei a confirmação da reserva, feita há mais de 2 semanas, para a moça que estava na recepção. A resposta:

– Não temos nenhuma reserva no seu nome.

– Mas eu tenho a reserva feita, olha aqui a confirmação. Inclusive eu paguei 15% para garantir a reserva

– Por onde você reservou?

– Pelo Hostelworld

– O hostelworld não nos disse nada sobre sua reserva e o dinheiro que você pagou a eles nunca chegou até a gente

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– Mas você tem lugar para mim?

– Não, estamos cheios. Mas você pode tentar os hostels X, Y e Z que ficam aqui perto.

 

Nesse momento eu não sabia se o problema tinha sido o Hostelword que não repassou minha reserva para o hostel ou se o lugar era desorganizado e tinha vendido minha cama para alguém, mas ficar lá discutindo não ia adiantar nada. Eu precisava achar um lugar para dormir.

Tem muita gente que chega no lugar sem reservas e sai batendo perna para achar algo na hora. Eu acredito que eles realmente encontram lugares mais baratos que os que são reservados online e com a vantagem de saber o que você está contratando – você pode pedir para ver o quarto antes de decidir se vai ficar ou pelo menos para saber se ele realmente vale o que foi cobrado. Eu particularmente gosto de chegar com um lugar para ficar, nem que seja só para a primeira noite, não me agrada muito a ideia de ficar andando de um lado para o outro carregando toda sua bagagem, batendo de porta em porta, ainda mais quando você está viajando sozinha. É claro que depende da época e do lugar, eu jamais faria isso em um lugar com pouca opção de hospedagem ou em alta temporada em lugares muito frequentados, se for baixa temporada dá para arriscar sem problemas.

Mas o ponto é: eu tinha a reserva e tinha pago por ela. Se eu tivesse decidido que ia procurar na hora sabia que estava sujeita a andar mesmo, mas não era o caso.

De volta a história, sai do hostel para tentar uma cama nos lugares que a moça recomendou. Ao sair para a rua encontrei o casal de holandeses e expliquei o que tinha acontecido. Eles já tinham passado em uns 4 lugares e nenhum deles tinha vaga também. Saímos juntos a procura de um lugar para dormir.

Acho que passamos pelo menos 1 hora andando pra lá e pra cá, perguntamos em pelo menos uns 15 lugares e nada. Nesse tempo encontramos algumas das pessoas que vieram no mesmo ônibus fazendo a mesma coisa. A última esperança era um hotel novo na cidade e que pouca gente conhecia:

– Nós temos um quarto para 2 pessoas, um para 3 e um para 4! (Na minha cabeça: ótimo! Pegamos o quarto para 3 pessoas e dividimos)

E então o holandês disse:

– Ok, nós vamos ficar com o quarto para 2 pessoas. Olhou para mim e disse: e você? Como vai fazer?

Mensagem captada, já entendi que eles não queriam dividir um quarto comigo.

– Eu vou continuar procurando. Não vou pagar por um quarto para 3 para ficar sozinha.

 

A cidade é bem pequena e acho que não haviam mais opções. Sem saber o que fazer, voltei no hostel que deveria ter minha reserva e falei com a mesma moça na recepção. A tática foi abordar de outra forma:

– Voltei! Passei nos lugares que você indicou e em mais um monte de outros e todos estão cheios. Você não tem nada mesmo? São 4 noites.

– Eu tenho um quarto a partir de amanhã, mas é um quarto individual e não compartilhado (como eu tinha reservado). Para hoje eu não tenho nada. É feriado na Malásia, por isso está tudo cheio (Feriado!!! Importante detalhe que eu não sabia…)

– Quanto é o quarto?

– RM 35. (Isso equivale a 10 dólares, mais ou menos. O quarto compartilhado era RM 25, cerca de 8 dólares)

– Então reserve esse quarto para mim a partir de amanhã, 3 noites. Mas para hoje não tem nada mesmo? Um sofá? Um colchão ali no cantinho? Qualquer coisa! (nível desespero entrando em mode on)

Depois de conversar com uma outra pessoa em um idioma que eu não entendi nada: Ok, nós vamos arranjar um lugar para você para hoje, mas só consigo a noite, agora eu não tenho nada.

– Ok! Sem problemas, eu espero.

 

Ufa! Eu não fazia a menor ideia do que significava o “nós vamos arranjar um lugar”. Estava esperando um colchão na dispensa, no corredor ou qualquer coisa do tipo, mas isso já era melhor que nada. Com tudo “resolvido” pedi uma cerveja gelada para comemorar e depois fui para a cidade para sacar dinheiro, comprar água e comer (afinal eram quase 7h da noite e tudo o que eu tinha comido no dia era um pacote de salgadinho no ônibus, com a ideia de almoçar decentemente quando chegasse). Enquanto estava jantando encontrei o casal de holandeses de novo e eles perguntaram se eu tinha achado um lugar, expliquei a história e disse que achava que estava tudo bem.

De volta para o hostel, a moça da recepção disse que ia me mostrar meu quarto. Para minha surpresa, realmente era um quarto! Tinha uma cama, um ventilador, uma mesa, um armário e um monte de sacolas, edredons enrolados, bagunças diversas, cheiro de repelente, enfim… era perfeito! Logo percebi que tinham fotos e coisas pessoais lá, aquele quarto tinha um dono e essa pessoa estava sem cama para que eu pudesse dormir. As fotos eram da mocinha da recepção e eu acho que ela é a dona do hostel.

Meu quarto em Cameron Highlands

 

 

 

Review: Cameronian Inn

O mínimo que eu posso fazer é deixar meu review recomendando o lugar, que se chama Cameronian Inn, depois de tudo o que eles fizeram por mim!

A localização não é o que mais importa nessa cidade, ela é pequena e todos os hotéis, hostels, guesthouses etc ficam há 10 minutos ou menos de caminhada do centro. O Cameronian Inn não é diferente, fica há 3 quadras da rua principal e há 5 minutos de bancos e restaurantes.

O lugar é limpo e o café da manhã é muito bom, apesar de não estar incluíd, ou seja, é pago a parte. Entre as opções estão pães caseiros, ovo, omelete, torradas, sanduíches, panquecas, sucos, chá, café, entre outros. O chuveiro é ótimo, quentinho e com boa quantidade de água. Eles também fazem reservas de tours e ônibus para Kuala Lumpur ou outros destinos turísticos. Você pode ir até a agência também, mas é uma comodidade não ter que se deslocar. Os preços são os mesmos das agências.

Os reviews do local dizem muito dos staffs, que não são gentis e só querem saber do seu dinheiro. Essa foi a impressão que passou longe da que eu tive! Depois de toda essa história, não preciso dizer muito sobre eles serem gentis ou não. Por regra da casa, você deve pagar 100% da sua hospedagem no momento do check in, mas eles não me cobraram e eu paguei no check out (e o senhor que fez o meu check out só cobrou os cafés da manhã, pois achou que eu já tinha pago o quarto). Eu poderia ter saído sem pagar, mas não fiz isso.

Homemade scoones e suco de laranja para o café da manhã

 

 

 

Hostelworld Costumer Service

Depois de tudo resolvido, fui checar quais eram meus direitos para uma reserva que não foi feita. Já imaginava que os 15% pagos para garantir a reserva não voltariam para minha conta bancária. O Hostelworld deixa bem claro na confirmação que esse valor não é reembolsável.

No site deles há uma página que diz “Sua reserva é 100% garantida. Qualquer problema nós lhe daremos 50 dólares” (a frase está em inglês). Mas aí quando você vai ler as condições, não é bem assim… Eles devolvem sim o depósito feito e te dão mais 50 dólares, ambos em forma de créditos para suas próximas reservas, porém esses créditos só podem ser usados para os 15% de depósito, não para pagar o valor da hospedagem na íntegra. Convenhamos que depois disso eles não são minha primeira opção, então esses créditos não me ajudam em nada.

De qualquer forma, eu preenchi o formulário no site e recebi um e-mail automático em poucos minutos com o número do chamado. Você só pode fazer isso em até 48 horas da data suposta do check in. Eles demoraram 4 dias para me enviar um e-mail pessoal pedindo desculpas pelo ocorrido e dizendo que estavam verificando o que aconteceu. Uma semana se passou e eu não tive nenhum retorno deles. Cerca de 10 dias depois recebi um novo e-mail dizendo que eles haviam contatado a propriedade e que estavam me retornando os 15% pagos em forma de crédito, porém como o local me ofereceu um quarto eu não receberia os 50 dólares.

Eu entendo que eles não cumpriram com o que foi prometido, mas também não quis me desgastar brigando por algo que não tem utilidade para mim. Eu não costumo usar o serviço deles e optei por usá-lo pois não encontrei opções de hospedagens que agradassem (a mim e ao meu bolso) em outros sites. A primeira vez não tive problemas, mas a segunda… não preciso comentar muito. Prefiro me manter no Booking.com e no Hostelbookers, cujos serviços utilizo há anos e nunca tive problemas.

Vale lembrar que eu recomendo a hospedagem no Cameronian Inn, mas não recomendo fazer a reserva pelo Hostelworld. Você pode achar o mesmo local cadastrado no Booking.com neste link.

 

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

2 Comments

  1. 25/05/2015 at 16:53 — Responder

    Oi, Patrícia! Estou amando o seu blog!

    Vamos fazer um período sabático (marido, filha 4 anos, eu) pela Ásia este ano e o encontrei pelo post sobre o visto chinês. Muito bacana! Adorei este relato aqui também 🙂

    • 25/05/2015 at 17:25 — Responder

      Oi, Cristina!
      Muito bom saber que está gostando. A Ásia é incrível! Sou suspeita para falar, mas tenho certeza que vão amar. Uma super viagem para vocês.

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