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Os templos de Angkor Wat

Conhecer os templos de Angkor Wat e o Camboja foi, sem dúvidas, uma das coisas que mais me marcou durante minha volta ao mundo. Eles ficaram mais conhecidos depois do filme Tomb Rider, com Angelina Jolie, onde muitas das cenas foram gravadas, e com certeza merecem o título de Patrimônio Mundial da UNESCO.

O país ganhou minha admiração por ter tanta história e pessoas tão amáveis e sempre com um sorriso no rosto, mesmo com fatos históricos tão tristes, entre eles a colonização francesa, a ocupação japonesa, a guerra civil, o Khmer Rouge e a guerra Camboja – Vietnã.

A porta de entrada para conhecer os templos é Siem Reap. Apesar de pequena, a cidade é uma graça e com uma vida noturna bem agitada, cheia de restaurantes, bares e night markets. Foi lá que comi um dos melhores cupcakes da minha vida (jamais imaginei que isso fosse acontecer no Camboja) e super recomendo o Blossom Cafe. Outra dica é o sorvete do Blue Pumpkin, uma delícia também (principalmente no calor que faz por lá).

Os viajantes geralmente chegam à cidade vindo de Phnom Penh, a capital do Camboja, ou de Bangkok, a capital da Tailândia. Dá para voar ou ir de ônibus. Veja o post que fizemos sobre o trecho Bangkok – Siem Reap de ônibus para ter todas as dicas.

 

Sobre a história

Muita gente já ouviu falar de Angkor Wat ou já viu uma foto da famosa construção, mas o local é bem mais que um templo. Angkor foi a sede do Império Khmer, que habitou o local entre os anos 800 e 1400, mais ou menos, e é considerada a maior cidade pré-industrial do mundo. Já deu para ter uma ideia de quanto tempo atrás os templos foram construídos e da magnitude do lugar, né? Hoje, o local tem ruínas de mais de mil templos.

O hinduísmo é a religião original dos Khmer, mas ao longo de sua história adotaram o budismo e a religião variava conforme a troca de reis. Devido a essas mudança muitas imagens foram decaptadas ou destruídas, o que é bem visível durante a visita aos templos.

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Imagem decaptada

 

Quanto tempo e quanto custa?

Com ruínas de mais de mil templos, é desnecessário dizer que não dá para conhecer todos, né? Tudo depende de quantos dias você tem  para explorar o local e o quanto se interessa por eles. Tem quem diga que um dia é suficiente, porque depois dos 2 primeiros o resto é tudo igual. Eu fiz 3 dias só de templos e não achei entediante. Isso vai mudar de pessoa para pessoa.

Os principais estão concentrados perto de Siem Reap e em uma área com entrada bem controlada. Para estrangeiros são $20 para 1 entrada, $40 para 3 entradas ou $60 para 7 entradas (3 entradas válidas por 1 semana, não precisam ser em dias consecutivos). Defina qual tipo de ingresso você vai querer antes de chegar ao local, porque as bilheterias são separadas (elas ficam perto, uma na frente da outra, é só para você não pegar a fila errada). Nem tente ser espertinho e tentar repassar seu ingresso para alguém ou usar o de outra pessoa, ele é pessoal e tem a sua foto. Outros templos ficam mais distantes da cidade e a entrada é paga a parte. Ah, e o preço é em dólar mesmo. Aliás, a moeda que circula no país é a americana, essa mesma que todo mundo conhece. A moeda local até existe, mas é tão desvalorizada que é usada apenas para pequenos trocos (as notas americanas circulam, mas as moedas não).

ingresso para Angkor Wat
Meu ingresso para Angkor Wat – para 3 entradas

 

Dicas para o seu passeio pelos templos de Angkor Wat

Vista-se apropriadamente. Além de templos serem um lugares religiosos, os asiáticos, no geral, são bem recatados em suas roupas. Cubra os ombros e joelhos, ou seja, nada de regata e shorts. Evite decotes, barriga de fora e roupas muito apertadas. Não existe uma fiscalização muito rígida para isso, você pode ser barrado em alguns templos e em outros não, e também vai encontrar pessoas sem noção vestindo tudo que não é recomendado, mas é sempre bom respeitar a cultura dos países que visitamos, certo?

Use sapatos confortáveis. Você vai caminhar muito, andar sobre pedras e subir muitas escadas. Um bom tênis será seu melhor amigo. Se for em época de chuvas, as pedras podem estar escorregadias. Basta ter cuidado.

Os momentos mais disputados são o nascer e o por do sol. São espetáculos que valem a pena, mas são os horários mais cheios também. Se quiser garantir um bom lugar, chegue mais cedo. Se quiser fugir da muvuca, não vá nesses horários, os outros períodos do dia são bem mais tranquilos, mas vale lembrar que no final da manhã e o início da tarde o sol é cruel. De maio a agosto costuma chover na parte da tarde.

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Falando do sol… Tenha sempre uma garrafa de água e protetor solar. Abuse da água, eu levei uma garrafa de 2 litros. Dependendo do transporte que você escolher você não vai precisar carregá-la (vamos falar sobre isso mais abaixo). Em último caso, dá para comprar água, suco, frutas e comida por lá também, só não espere um restaurante com ar condicionado. Vai ser street food à la sudeste asiático.

Nascer do sol em Angkor Wat - Camboja
Nascer do sol em Angkor Wat, no Camboja

 

Como chegar e circular

Não dá para conhecer todos os templos, mas existe uma seleção já feita dos principais. São 11 e a maioria fica perto do centro de Siem Reap. Estes se dividem em small cycle (com 5 templos – Angkor Wat, Ta Prhom, Bayon, Ta Keo e Banteay Kdei) e grand cycle (com 4 templos – Preah Khan, Neak Pean, Ta Som e Pre Rup). Essa divisão de pequeno e grande é feita de acordo com a distância percorrida em cada um. Angkor Wat é o principal e o small cycle inclui os templos que estão mais próximos a ele. O grand cycle passa pelos que ficam ao redor dessa zona central. Outros 2 templos também são recomendados, mas ficam mais distantes e a entrada é paga a parte. São eles Beng Mealea e Banteay Srei.

Se tiver ou quiser fazer só um dia de templos, opte pelo small cycle, os principais e mais conhecidos estão nessa rota. Em termos de tempo, até dá para fazer os dois circuitos no mesmo dia, porém não recomendo. É cansativo, faz muito calor e você vai acabar não aproveitando o que ficar para o final.

A forma mais comum para explorar os templos é de tuk-tuk, uma moto com carroceria que comporta até 4 pessoas de forma confortável. A recepção do seu hostel ou hotel pode te ajudar com isso ou basta caminhar poucos minutos pela rua para ser abordado por um motorista oferecendo o passeio. O valor não é por pessoa, mas pela viagem, então quanto mais gente, mais barato para cada um. Vale negociar o valor (geralmente fica entre $12 – $18 para o small cycle e entre $18 – $23 para o grand cycle). Dá para ir para os dois templos mais longe de tuk-tuk também (entre $25 – $35), porém o caminho é longo e pode ser desconfortável.

Outra opção é fazer o circuito de taxi, a forma mais confortável e com o luxo do ar condicionado (cerca de $30 para o small cycle ou grand cycle e vale negociar). Também dá para alugar uma moto, o que não é muito comum. Uma das principais atividades econômicas da cidade gira em torno do transporte de turistas, então as pessoas desencorajam o uso de motos dizendo que a polícia pode te multar e que você não pode entrar nos templos assim (não sei se é verdade), tudo para suportar os motoristas taxi e tuk-tuk. Para os mais atléticos, que tal pedalar? Só lembre que o calor é intenso.

Mapa de Angkor Wat
Mapa de Angkor Wat

 

Os templos

 

Angkor Wat

Construído no início do século VII para ser a capital de Angkor, é o maior, mais conhecido e mais preservado templo, foi o centro político e religioso do Império Khmer, além de ser a máxima representação de sua arquitetura e ter grande importância histórica. Ele abrigou o palácio real e sua imagem compõe a bandeira nacional do Camboja.

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Angkor Wat, antigo centro político e religioso do Império Khmer

 

Ta Prhom

Ta Prhom foi construído no final do século XII e início do século XIII, como par do Preah Khan, para ser um mosteiro budista e foi abandonado após a queda do Império Khmer. O local foi dominado por árvores imensas que cresceram e se fundiram ao templo, dando-o uma característica única. Muitas das cenas de Tomb Rider foram gravadas nesse templo.

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Ta Prhom, templo dominado por árvores gigantes

 

Bayon

Também do século XII, Bayon é o principal templo da cidade de Angkor Thom, a última capital do Império Khmer. Sua característica mais marcante são as torres, cada uma com 4 faces em seu topo que vigiam todos os lados do templo, olhando para norte, sul, leste e oeste.

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Bayon tem torres com 4 faces que vigiam o templo

 

Ta Keo

Foi construído por volta do ano 1000,  mas nunca terminado. Por esse motivo, não tem uma riqueza de detalhes tão grande, uma vez que os detalhes não foram feitos. Foi o primeiro templo khmer construído em arenito e sua arquitetura consiste em 5 torres sobre o terraço de uma pirâmide de 5 níveis.

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Ta Keo com sua estrutura sem muitos detalhes

 

Preah Khan

Foi construído no século XII como um dos projetos mais ambiciosos do reinado da época para ser um templo budista. Diversas imagens religiosas em ruínas são encontradas no local. O templo foi também uma universidade budista. Assim como em seu par, Ta Prhom, as árvores tomaram conta da construção.

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Preah Khan, antigo templo e universidade budista

 

Banteay Kdei

Construído entre os séculos XII e XIII, esse templo budista foi feito com estrutura semelhante ao Ta Prhom e Preah Khan, porém menor e de forma menos complexa. O local foi habitado por monges por muitos séculos.

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Banteay Kdei, lar de monges por séculos

 

Neak Pean

É uma ilha artificial com um templo budista no meio, construído por razões medicinais. Acreditava-se que a água equilibrava os elementos e curava doenças. Quatro piscinas menores se conectam à principal, representando norte, sul, leste e oeste.

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Neak Pean, o templo budista em uma ilha artificial

 

Ta Som

Ta Som é um pequeno templo construído no final do século XII em homenagem ao pai do Rei da época e formado por uma única torre. As árvores também tomaram conta deste templo.

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Detalhes de Ta Som

 

Pre Rup

Construído na segunda metade do século X, acredita-se que o templo hindu recebeu cerimônias de cremação e funerárias.

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Pre Rup foi palco de cerimônias funerárias

 

Beng Mealea

Beng Mealea fica à 77km de Siem Reap e foi construído no início do século XII no mesmo estilo arquitetônico de Angkor Wat. O templo é originalmente hindu, mas tem alguns traços budistas. O local praticamente não foi restaurado. As enormes pedras quebradas e as árvores que invadiram o templo tornam a caminhada um pouco difícil, especialmente em dias de chuva.

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Beng Mealea, praticamente sem restaurações

 

Banteay Srei

Localizado à 30 minutos de Siem Reap, no meio da selva, é considerado a jóia da arte Khmer com uma decoração rica em detalhes. Esse foi o único templo da lista que eu não fui 🙁 Fica para a próxima.

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Banteay Srei, a jóia

 

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The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

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