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Os guerreiros de terracota de Xian

Eu nunca fui muito ligada em arqueologia, mas confesso que me interessei pela exposição dos Guerreiros de Terracota de Xian que foi no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, em 2003. Por algum motivo eu nunca me esqueci deles, mesmo passados mais de 10 anos e quando passei pela China é lógico que fui vê-los novamente!

Vou ser sincera, eu odiei a cidade de Xian. Um caos, super poluída e não achei nada de muito interessante a não ser a muralha que cerca o centro da cidade e merece uma visita (alugue uma bicicleta lá mesmo). O principal transporte público é o ônibus (e eu sempre me perco neles) e recorrer aos taxis é um teste de paciência e lição de negociação na prática (foi o pior lugar da China nesse quesito, na minha opinião). Porém, visitar os Guerreiros de Terracota, considerado patrimônio mundial pela UNESCO, salvou a ida até a cidade.

Na verdade o local onde as estátuas estão fica em Lintong, cidade vizinha a 35km de Xian, o que dificulta um pouco o acesso. Há um ônibus direto do aeroporto e para quem está na cidade há um ônibus turístico que sai do centro. Essa viagem leva cerca de 1 hora e custa 8 yuans (cerca de $1.50). Outra opção é contratar um tour, mas é aquele esquema de horário para tudo e paradas em outros locais turísticos que incluem lojas com preços para turistas. Ou é possível ir de taxi, esse é o meio mais caro e merece uma observação importante: combine com o taxista o valor para ida e volta, pois o motorista de uma cidade não pode pegar passageiros em outra, ou seja, se fizer só um trecho ele vai voltar com o carro vazio e te cobrar por isso. Considere o mesmo para a volta e você irá pagar o valor de 4 corridas. Toda vez que tem taxi no meio, já sabe, né? Negocie o valor e barganhe muito. Aproveite para parar em locais pelo caminho, já que essa corrida não será barata. Espere pagar em torno de 400 – 500 yuans (cerca de $65 – $80).

A entrada para ver os guerreiros custa 150 yuans (cerca de $25) e dá acesso aos pits onde estão as estátuas, ao museu, ao mausoléu, ao jardim e aos shuttle bus entre esses lugares. Contratar um guia é altamente recomendado para ter as explicações e detalhes, eles são oficiais, uniformizados e com crachás e estão aos montes nos arredores. Você será abordado por um deles, tenha certeza. Considere mais 100 – 150 yuans pelas explicações (cerca de $16 – $25), faça o tour no seu tempo e só pague no final, eles vão tentar fazer tudo correndo, pois quanto mais tours no dia, mais dinheiro para eles.

cavalos em terracota
Detalhes dos cavalos em terracota

 

As esculturas possuem mais de 2.200 anos de idade, mas foram descobertas há pouco tempo, no ano de 1974, por fazendeiros locais que cavavam a região procurando água. As escavações estão ainda em andamento, foram encontradas mais de 8 mil estátuas e estima-se que mais 2 mil estejam por lá.

O local é o mausoléu do imperador Qin Shi Huang e as estátuas foram enterradas juntas para protegê-lo em sua vida após a morte. A região foi estrategicamente escolhida, fica entre a montanha de onde é extraída a jade, pedra da sorte na China, e o rio de onde se retira o ouro, sinônimo de riqueza. Calcula-se que 750 mil artesãos trabalharam durante 35 anos para produzir todas e também que eles foram enterrados vivos no local para que ninguém soubesse da existência delas. Realmente, demorou-se muito para que elas fossem descobertas.

O lugar tem mais de 16 mil m² está dividido em 3 blocos: Pit 1, pit 2 e pit 3. O primeiro deles é o maior e o que reúne grande quantidade de estátuas, que estão em posição de batalha e de costas para o mausoléu (protegendo o imperador). O pit 2 tem cerca de 2 mil guerreiros ainda enterrados e carruagens de madeira e o pit 3, o mais recente descoberto, tem a formação de quartel general. Há ainda um museu que guarda as esculturas em bronze, encontradas enterradas na mesma região.

Pit 1
Pit 1 concentra a maior quantidade de estátuas

 

A precisão de detalhes é incrível, principalmente considerando que eles foram feitos há tanto tempo atrás, quando ferramentas e estruturas eram mais limitadas. Repare com atenção e verá que um é diferente do outro, uns são mais altos, outros mais barrigudos, pois foram feitos com base nos reais guerreiros do exército do imperador. O tamanho é de uma pessoa de verdade, entre 1,70 e 1,90m. Era preciso ser alto para fazer parte do grupo.

Algumas esculturas permanecem enterradas para manter sua cor original, pois o contato com o ar as descolore. As estátuas que vemos no museu tem cor de terra ou acinzentada, mas as cores originais eram cerca de 10. É possível observar 4 tipos de guerreiros: o arqueiro, o general, o soldado e o comandante, além dos cavalos. Suas roupas, cabelos e posição variam de acordo com a função.

A grande maioria das estátuas foram encontradas quebradas, pois a terracota não é um material muito resistente. Boa parte foi restaurada e encontra-se em exposição no museu. Algumas peças expostas estão em processo de restauração ou ainda danificadas. Como o processo ainda está em andamento, é bem provável que em alguns anos novos pits sejam inaugurados.

Esculturas em bronze também encontradas nas escavações
Esculturas em bronze também encontradas nas escavações

 

É possível fazer a visita ao mausoléu do imperador, a entrada está inclusa no mesmo ticket. Se estiver de taxi, peça para o motorista te levar até lá. Se estiver de ônibus, pegue-o de volta e desça no mausoléu. Se estiver com o tempo apertado pode pular essa parte, depois de ver os pits o mausoléu é um bônus, mas não é imperdível.

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O local parece um parque bem verdinho, super bem conservado, bem bonito e grande. Se não quiser andar tem um carrinho que faz a volta no parque e para em alguns locais onde você pode ver as escavações e mais algumas estátuas. O mausoléu é a última parada, que é um morro. O imperador está enterrado embaixo dele.

mausoléu do imperador Qin
mausoléu do imperador Qin

 

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

4 Comments

  1. 29/10/2014 at 21:30 — Responder

    Meu sonho é conhecer este lugar!

    • 05/11/2014 at 08:58 — Responder

      Eloah,
      Vale super a pena! Muita história e riqueza de detalhes incrível.

      Bjo,

  2. Petronilho
    11/07/2017 at 00:02 — Responder

    Fascinante!
    Uma riqueza de obra de arte para a humanidade.

    • 19/07/2017 at 22:29 — Responder

      Com certeza!! Um lugar cheio de arte e história.

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