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Memórias da Viagem: Whitehorse (por Miki Shimizu)

O Memórias da Viagem de hoje conta com a participação da Miki Shimizu, libriana e indecisa, que acredita ter sido cigana em vidas passadas e hoje carrega a vontade de ser nômade e viver em vários países (mas por hora ela os conhece viajando). Nos conhecemos faz alguns anos e compartilhamos do mesmo gosto de conhecer lugares e culturas espalhados por este mundo. Ela foi para Whitehorse, no Canadá, ver a aurora boreal e conta aqui sua experiência.

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  • Memórias da viagem para… 

Whitehorse, no Canadá. Fui em agosto de 2013 para ver a aurora boreal e fiquei 3 noites.

 

  • Roteiro na bagagem

A minha viagem começou 5 meses antes de embarcar. Escolhido o mês, contatei uma agência de turismo especializada que possui cálculos e previsões para “adivinhar” o melhor período, o com maiores chances para se ver a aurora, e, baseada nessa informação, fechei os vôos e o passeio. A agência sempre deixa claro que é uma viagem sem garantia. De nada adianta ter condições perfeitas e no dia chover ou nevar.

Não vejo dificuldade se você optar por ir por conta, porém, chegando na cidade terá que contratar o passeio, pois os locais propícios são afastados da luz da cidade e não há transporte público em Whitehorse. Mesmo que você vá de taxi, não há onde ficar por ser muito frio. O local é totalmente escuro. A agência prepara um tipo de chalé onde tem uma fogueira, chás, cafés e guloseimas à vontade. Enquanto esperávamos no quentinho matamos o tempo com baralhos, esquentando marshmallows na fogueira e batendo papo com os demais. O banheiro é uma casinha de madeira com um buraco no chão, mas tem papel higiênico e álcool em gel. Achei a estrutura super confortável.

Enfim, por sorte conseguimos ver a aurora boreal na primeira noite. Estávamos no chalezinho quando, de repente, escutei vozes lá de fora e pela janela vi algumas luzes de lanternas pulando: eram os guias correndo de chalé em chalé avisando que havia aurora boreal. Ah! Os guias usam capacetes com lanternas na cabeça e ajudam a andar no escuro até chegar em um local melhor para ver, geralmente em uma clareira.

Os chalés são divididos por línguas. Nos colocaram no inglês, talvez porque não haviam brasileiros e nem estrangeiros de língua espanhola. Mas se o português for a língua que você se sente mais seguro, dá para pedir para que te coloquem em algum grupo desse idioma.

No meio do alvoroço total entre os turistas um casal de americanos com mais de 70 anos estava comemorando, pois era a terceira e a última noite deles e até o momento não tinham conseguido ver a aurora boreal. Realmente é frustrante ficar da meia-noite até as quatro da manhã na expectativa de vê-la e nada acontecer.

A agência que contratamos chama-se Northern Tales. Fomos muito bem atendidos. Super recomendo!

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O chalé

 

  • Compartilhando memórias

Viajei com o meu marido.

 

  • Transporte da bagagem

Os vôos para Whitehorse são os de low cost. Você pode aproveitar Vancouver por uns dias, como fiz. Caso não queira ir a Whitehorse, Noruega, Finlândia e Alaska também são destinos para ver a aurora boreal.

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Como já havia fechado o pacote (passeio + hotel), do aeroporto peguei o transfer que nos aguardava. Vi taxis lá no aeroporto, mas nenhum ônibus. A cidade é muito pequena, dá para se locomover a pé ou de bike.

 

  • Por que Whitehorse?

A aurora boreal é um fenômeno físico em que luzes se formam devido à combinação de temperatura baixa e umidade do ar. Essas luzes têm cores que variam entre verde, rosa, amarelo e laranja. Tudo depende da mãe natureza.

Sempre que via fotos da aurora e o céu colorido com aquelas luzes todas sentia que definitivamente um dia precisava vivenciar essa experiência. Whitehorse é a cidade que me deu essa oportunidade.

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A aurora boreal da primeira noite

 

  • Principais memórias

Whitehorse é a capital da província de Yukon, no Canadá, com 34 mil habitantes. Dizem que tem 70 mil alces na província, ou seja, mais do que pessoas. E não é piada! Eles se orgulham da fauna deles.  Você consegue conhecer a cidade a pé ou de bicicleta. É bem tranquila, limpa, gostosa e tem a natureza exuberante. Durante o dia há passeios para caminhadas e trekking. É um ótimo lugar para quem gosta de esportes ao ar livre. Você também pode ir para termas de água, fazer dog sledding (trenó puxado por cachorros), dirigir ski na neve, pescar no lago congelado ou andar de avião para ver Yukon de cima. Também vale conversar com os locais, já que eles são super receptivos.

O principal rio, o Klondike, é lindo! Pena que não dá para entrar por ser muito frio. Dizem que no inverno você consegue patinar no gelo que se forma nele.

Todos os turistas estão na cidade para ver a aurora boreal. Esse passeio é bem cansativo, pois saimos do hotel umas 10 da noite e esperamos a noite inteira para tentar vê-la. Retornamos somente após as 4 da manhã. Eu que sou super noturna não vi problema nenhum, porém acordava quase na hora do almoço, o que me fazia perder metade do dia. Para quem quer aproveitar mais, sugiro dormir nos chalezinhos a noite enquanto aguarda. Tem alguns cobertores, sofás ou cadeiras.

O que me arrependo um pouco foi de não ter alugado carro e “me perder por ai” nas cidades próximas. Um casal de americanos fez um bate e volta para uma cidadezinha do Alasca de carro para fazer compras.

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Whitehorse

 

  • Memória do estômago

Infelizmente não é o lugar onde mais adorei comer. Não há comidas típicas em Whitehorse.
Como a cidade gira em torno da natureza, tem bastante restaurante “natureba” de pratos orgânicos, peixes e padaria artesanal.

Há apenas 2 bares (baladinha) na cidade. Eles servem comida também.

 

  • A memória que ficou na bagagem

A aurora boreal, sem dúvidas. A olho nú você vê o céu verde com umas pontinhas brilhando, que são as estrelas. No começo fiquei meio assustada, pois é estranho. Céu verde à noite? Depois que a ficha cai você se emociona ao ver o espetáculo da natureza! O cenário muda a cada minuto, as luzes mudam de intensidade, posição, aparecem e desaparecem em outra parte do céu junto com as nuvens. O seu papel é ficar contemplando e passando frio nesse show.

Escolhemos ficar 3 noites, vimos a aurora boreal na primeira e só conseguimos ver novamente na última. Essa foi diferente da primeira vez. Ao invés do céu ficar verde por inteiro, havia uma parede alta bem demarcada que se alternava entre raios de luzes mais fortes e mais fracas. E o vento fazia com que as faixas se mexessem, como se estivessem dançando. Foi emocionante! E como era a nossa última noite, imaginei que a aurora estivesse fazendo o gesto de “tchau” com a mão dela, que a natureza estava se despedindo de nós.

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Luzes da aurora boreal na terceira noite

 

  • Atenção com a bagagem!

Há 2 pontos que gostaria de deixar avisado.

– Leve muitas roupas de inverno, pois o frio é intenso.

– Não se afaste muito da cidade após escurecer (recomendação dos guias). Lembre-se que o sol se põe cedo, pois é muito perto do polo norte. Essa precaução é necessária para não ter encontros desagradáveis com alces (ou outros animais) que podem te atacar para se defender. Mesmo em estradas, cuidado, os alces estão em qualquer lugar e podem aparecer do nada!

 

  • Dicas do viajante

– Consulte uma agência de viagem ou algum órgão antes de marcar a viagem para diminuir os riscos de não conseguir ver a aurora
– Para quem curte experiências VIPs, há hotéis com o teto do quarto de vidro, o que possibilita apreciar a aurora deitada na sua cama.
– Leve uma  boa câmera fotográfica, de preferência uma que tenha ajuste manual. Precisa aumentar bem a exposição da foto para a luz da aurora poder ser captada.

Essa foi uma das melhores viagens da minhas vida! Super recomendo! Vale a pena! 🙂

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  • Entre em contato

Para mais informações, mande um e-mail para a Miki: skmiki8@gmail.com

 

 

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The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

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