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I Japão.br | a cultura japonesa no Brasil

Já parou para pensar como a cultura japonesa se misturou na brasileira e faz parte da nossa rotina? Talvez não seja no Brasil todo, mas em São Paulo isso é bem forte (ou não, as vezes está no dia a dia mesmo e a gente nem percebe).

Vai dizer que você nunca viu um sushi no buffet da churrascaria ou se divertiu no karaoke? Aposto que você conhece alguém que curte animes e mangás, as animações e quadrinhos japoneses. E o que falar do judô, sudoku, shiatsu, 5S e muitas outras coisas que viraram rotineiras mesmo?

Como a cultura japonesa chegou ao Brasil? E o que mudou? Foi pra trazer esse entendimento e essa reflexão que o Japão.br foi criado e a primeira edição aconteceu no dia 3 de fevereiro de 2018, em São Paulo.

 

I Japão.br, encontro de blogueiros de viagem

Apesar de não ter crescido em uma família super tradicional, eu sempre fui muito ligada na cultura japonesa. Quando criança pedi para os meus pais me colocarem em uma escolinha de japonês para aprender o idioma e depois da faculdade passei a me envolver cada vez mais com a comunidade. Você sabia que o Brasil tem a maior comunidade japonesa fora do Japão no mundo?

Foi durante o Encontro Rota Sul que a ideia surgiu. “Estou muito feliz por apresentar a vocês a minha cidade e a minha cultura”. Essa foi a frase que uma das organizadoras falou durante o evento, em um jantar típico italiano, e que peço a permissão para usá-la exatamente igual para falar do Japão.br.

O Japão.br tem como objetivo principal divulgar a cultura japonesa no Brasil e a nipobrasileira. Explico: cultura é algo vivo, mutável e em constante transformação. Há mais de 100 anos, os japoneses vieram e trouxeram sua cultura. A cultura que vemos hoje lá no Japão não é mais essa. Ela se alterou. O mesmo aconteceu no Brasil. A cultura que chegou sofreu adaptações, se mesclou com tantas outras e criou vida própria. Hoje temos aqui uma cultura japonesa com tempero brasileiro (ou seria brasileira com um toque japonês?) que chamamos de nipobrasileira.

Para a primeira edição a ideia foi dar um banho de história nos blogueiros que participaram. E foi isso mesmo que aconteceu. Temos informação que não acaba mais para compartilhar com vocês!

E ainda vale dizer que o ano de 2018 comemora os 110 anos da imigração japonesa no Brasil, então muita coisa, muitos eventos, muito conteúdo vai sair este ano. Fique de olho!

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Blogueiros do I Japão.br em visita à Japan House

 

História da imigração japonesa

O I Japão.br começou do começo. Do início de toda essa história, um pouco antes dos japoneses chegarem ao Brasil.

Era final do século IXI e o Japão saia de um governo feudal e estava em crise econômica pós guerra Sino-Japonesa. Com o fim do Shogunato Tokugawa e o início da Restauração Meiji o país abre suas portas para o ocidente e inicia um intercâmbio cultural e econômico. Nessa mesma época, em terras tupiniquins, tivemos a Lei Áurea e o fim da escravidão. As lavouras de café sofriam com a falta de mão de obra.

O Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão foi assinado em 1895. Em 1907 foi firmado o contrato da vinda dos primeiros imigrantes e em 18 de junho de 1908 chega ao Brasil o navio Kasato-Maru, com os primeiros japoneses oficiais. (Os primeiros imigrantes japoneses, de fato, se instalaram no norte do país vindos do Peru, que tem história de imigração mais antiga).

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Os japoneses chegaram ao Brasil cheios de sonhos e expectativas. Com a promessa de uma vida mais digna e próspera, trabalharam duro nas fazendas para juntar dinheiro e retornar à sua terra natal. Isso não aconteceu e a grande maioria nunca voltou ao Japão.

Leia também: O Japão no Brasil – imigração, superação e lições

Toda essa história e mais:

  • a vida difícil nas fazendas
  • a formação das colônias e as primeiras manifestações culturais
  • influência dos japoneses na agricultura
  • Brasil e Japão, inimigos durante a II Guerra Mundial
  • Shindo Renmei, a divisão dos imigrantes japoneses
  • Superação, a reconstrução das colônias e retomada da imigração
  • A comunidade nikkei de hoje

Você vê em uma visita ao Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil. Sou suspeita para falar, mas é bem interessante essa história, apesar de tão sofrida.

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Réplica do Kasato Maru, o primeiro navio a trazer imigrantes japoneses para o Brasil

 

Almoço no Restaurante Espaço Kazu

Um encontro sobre a cultura japonesa não poderia ter outro almoço senão um belo prato típico da culinária do sol nascente.

O Espaço Kazu nos recebeu com todo carinho! E se você acha que tivemos rodízio de sushi está muito enganado. A gastronomia japonesa vai muito além do peixe cru e foi exatamente esse o motivo de termos almoçado lá.

O restaurante traz diversos pratos tradicionais, todos com muito sabor, qualidade e muito bem servidos. Tem opção pra todos os gostos! E o andar superior ainda guarda uma surpresa: uma doceria típica com obras de arte de encher os olhos e o estômago. Vale dizer que os doces japoneses são bem suaves, não tão doces como os brasileiros, e dá pra comer muito sem ficar enjoativo.

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Doces no estilo japonês, mais leves e suaves, no Kazu Cake

 

Um tour pelo bairro oriental

Depois de bem alimentados, o grupo seguiu para um walking tour para queimar as calorias. O passeio foi conduzido pela Shirley e pela Eliza, da Giro in Sampa, uma empresa especializada em roteiros temáticos em São Paulo. Uma ótima opção para os turistas conhecerem a cidade e para os paulistanos serem turistas dentro de Sampa.

Quem vê o bairro hoje todo decorado com lanternas e motivos orientais não imagina a história que existe por lá. O bairro da Liberdade nasceu como a região dos fundos da Catedral da Sé, uma área periférica e não muito valorizada. A relação com a história dos negros ali é bem pesada. A fazenda quebra bunda, que ficava por ali, era lugar de correção (entenda como espancamento) dos escravos rebeldes. E o local onde hoje temos a Praça da Liberdade, palco de grandes eventos da comunidade nikkei, já foi uma praça de enforcamento.

Passamos por igrejas do bairro que eu não conhecia (e eu moro em São Paulo desde que nasci), cheias de fatos relacionados à história do Brasil que eu nem fazia ideia. A Igreja Nossa Senhora da Boa Morte foi a primeira a badalar o sino informando a independência do Brasil. Foi na Capela do Menino Jesus e Santa Luzia que a Domitila de Castro, também conhecida como Marquesa de Santos, foi esfaqueada. Com a chegada da Universidade São Francisco, de direito, o bairro sofre grandes mudanças e a conhecida Rua dos Estudantes tem esse nome porque era lá que muitos universitários se instalaram. Aposto que você também não sabia disso!

Em 1912 os japoneses chegam ao bairro e iniciam uma completa transformação. Eles se instalam na Rua Conde de Sarzedas, em porões de casas alugados para as famílias. Era uma moradia extremamente barata e o início de um novo sonho para os imigrantes. Não vou me aprofundar nesse assunto porque ele merece um post específico. Aos poucos o bairro da Liberdade se transformou e ganhou ícones da cultura japonesa, como o jardim oriental, por exemplo.

Vale muito a pena fazer o tour da Giro in Sampa para conhecer a história e ver os locais onde ela aconteceu.

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Blogueiras (parte deles) que participaram do I Japão.br curtindo o bairro da Liberdade

 

Bunkyo, o centro da cultura japonesa no Brasil

Voltamos ao Bunkyo para conhecer mais da sua estrutura e importância. A Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social – Bunkyo é uma das principais responsáveis pela preservação da cultura japonesa no Brasil e também pela cultura brasileira no Japão.

Fundado nas comemorações dos 50 anos da imigração japonesa no Brasil e também para administrar o Pavilhão Japonês, que fica no Parque do Ibirapuera, hoje se tornou um centro cultural rico para quem tem interesse na cultura. No prédio acontecem diversas atividades culturais como aulas de esportes, de idiomas, de música, de arte, artesanato etc. Fazem parte também o museu da imigração japonesa (que já falamos no início desse post), uma biblioteca com grande acervo de livros japoneses, dois auditórios e espaços de exposições.

O Bunkyo é sede de grandes eventos da comunidade nikkei, incluindo alguns com a presença de representantes do consulado, do Embaixador e da família real japonesa. Tem também a função de incentivar a realização de ações que promovam a cultura japonesa em outras regiões do Brasil e o importante papel de formação de novas lideranças que seguirão com esse trabalho no futuro.

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Bunkyo, referência na cultura japonesa no Brasil

 

Hachi Crepe & Café

Pra fechar as atividades do dia, fomos ao Hachi Crepe & Café que serve deliciosos crepes doces, tudo seguindo o estilo japonês. Massa fininha e recheios suaves e na medida, em formato de cone. Como já falei sobre os doces japoneses, o sabor é suave, nada de muito doce e enjoativo. Eu comi um desses quando estive em Tokyo e posso dizer que é bem parecido.

O cardápio ainda tem opções de crepe salgado e bebidas incrementadas que são uma delícia. Já experimentei em outras vezes que estive no local.

 

 Japan House, o Japão contemporâneo no Brasil

A manhã do segundo dia foi dedicada para conhecer a Japan House, na Avenida Paulista, um projeto do governo japonês para promover um intercâmbio do Japão com o resto do mundo. São 3 casas no mundo: São Paulo, Londres e Los Angeles, e a brasileira foi a primeira a ser inaugurada. Tivemos uma visita guiada pela exposição Futuros do futuro, de Sou Fujimoto, e uma palestra de apresentação da casa.

A arquitetura da Japan House já é uma atração por si só. Inspirada no Pavilhão Japonês (aquele lá no Parque Ibirapuera) e projetada pelo renomado arquiteto Kengo Kuma (lembre desse nome, foi ele que projetou o estádio olímpico de Tokyo 2020), ela mistura de forma harmônica traços que representam o Japão e o Brasil, como a fachada de madeiras que são montadas por encaixe ao lado do cobogó, muito utilizado nas casas brasileiras.

As exposições são trocadas, em média, a cada 2 ou 3 meses e trazem um pouco do Japão contemporâneo para São Paulo. A casa ainda sedia palestras, workshops e outros eventos para divulgar a cultura em seus diversos aspectos.

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Tour guiado pela Japan House

 

Arigatou ^^

Além de todos os parceiros já citados, tivemos o apoio de empresas que ofereceram brindes para o evento e fizeram a alegria dos blogueiros. A Viagema, loja online com coisinhas lindas para quem curte viagem, e a Laço Cerâmica, com cerâmicas feitas em estilo oriental para momentos especiais, forneceram produtos que foram sorteados entre os participantes. E a Hikari, uma sacola cheia de produtos para os blogueiros lembrarem do Japão.br enquanto preparam as comidinhas em casa. O Bunkyo ainda deixou à disposição dos blogueiros vários livros.

Deixo aqui meu agradecimento a cada blogueiro que participou do evento, a todos os parceiros que tornaram o Japão.br possível e ao pessoal que me ajudou nos bastidores.
Vamos continuar divulgando a cultura japonesa e a nipobrasileira. Que venham outros encontros!

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Delícia de brindes da Hikari

 

Parceiros:

Bunkyo | Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil | Giro in Sampa | Japan House | Restaurante Espaço Kazu | Hachi Crepe & Café | Hikari Alimentos | Viagema | Laço Cerâmica | Heloisa Yamamoto

Blogueiros participantes:

Bagagem de Memórias | 3, 2, 1… Viajando! | Coisos on the Go | Destinos por Onde Andei… | Fui Ser Viajante | Juny Pelo Mundo | Mapa na Mão | São Paulo Sem Mesmice | Segredos de Viagem | Viagens CineViajante Comum

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

2 Comments

  1. 05/03/2018 at 18:49 — Responder

    Pati!
    Primeiro, parabéns pela iniciativa de divulgar a cultura japonesa! Eu, também como descendente, acho importante mostrar a história e cultura da nossa família.
    Também agradeço pela oportunidade de participar do evento. Aprendi muita coisa legal! =)

    • 05/03/2018 at 19:51 — Responder

      Tati,
      Fico muito feliz que vc tenha gostado de participar! Foi um aprendizado pra todo mundo, né?
      Mesmo a gente que está mais próxima à cultura, sempre tem coisa nova.

      Obrigada por ter feito parte do I Japão.br! =]

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