Reflexão

E por que não ser feliz?

Como todo ano que começa, chega a hora de rever o que foi cumprido da lista do ano anterior, rever o que aconteceu, onde acertamos, onde erramos, onde podemos melhorar etc. É hora de tirar os sonhos e ideias das gavetas, fazer planos e promessas e… você sabe como é essa história. Qual a chance do ano terminar e eles estarem lá exatamente na mesma gaveta, no mesmo lugar?

Por quanto tempo aquele seu sonho está aguardando o melhor momento para ser realizado? E há quantos anos aquela ideia brilhante está engavetada porque você ainda não teve tempo para fazer acontecer?

E com toda essa reflexão que um ano novo traz, a pergunta que não quer calar: você é feliz?

Você já parou para pensar o que você está fazendo com a sua vida? Quais histórias quer contar para os seus netinhos? Que lembranças quer ter quando der seus últimos suspiros?

Durante minha volta ao mundo uma das perguntas frequentes que escutei foi: quais são seus planos quando você voltar para casa? Eu não tinha planos, simplesmente planejei meus passos, larguei minha vida no Brasil e fui, sem saber o que aconteceria quando voltasse.

Mas ao mesmo tempo que fui questionada, conversei muitas pessoas que largaram seus empregos, seus diplomas, deixaram suas vidas para trás para seguir aquele chamado interior. Encontrei aqueles que queriam conhecer o mundo, aqueles que eram voluntários em um acampamento de elefantes ou em um abrigo de crianças carentes, aqueles que buscavam ter uma qualidade de vida melhor, aqueles que queriam apenas dar um break antes de voltar para a vida de antes (e imagino o quão difícil isso é) ou aqueles que seguem para onde o vento as leva. De fato, essa foi uma das melhores respostas que já ouvi: My plan is to have no plans. Just go with the flow (Meu plano é não ter planos, apenas seguir o fluxo).

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Venho me questionando sobre esse modelinho que a sociedade nos impõe há tempos, muito antes de sair do Brasil e cair no mundo. Tudo começa muito cedo e para ser uma pessoa bem sucedida você precisa tirar notas altas na escola, entrar em uma boa faculdade (uma pública, de preferência), estagiar em uma multi-nacional, ser efetivado, ter uma carreira exemplar, comprar seu próprio apê, casar antes dos 30, ser promovido a gerente antes dos 35, ter uma família perfeita, mas nenhum tempo para ela, já que sua dedicação em busca da próxima promoção lhe toma todo ele. Além disso você precisa ter um rosto bonito, um corpo sarado, uma conta bancária recheada e bla bla bla bla.

Será mesmo que precisamos de tudo isso? Eu falhei em todas essas etapas, com exceção das notas altas na escola, talvez. Essa foi a vida que eu não segui e senti toda a pressão da sociedade por isso. Tenho certeza que muitas pessoas continuam me julgando. Eu mesma me questionei muito por não conseguir me adequar a esse modelo, apesar de ter tentado segui-lo por anos e nunca ter realmente me adaptado.

Acredito sim que algumas pessoas são felizes com essa vida, mas a grande maioria não é. Perdi as contas de quantas vezes ouvi conhecidos reclamando de seus empregos, de sua rotina, de sua vida… mas o que elas fizeram para que algo fosse diferente? Talvez tenham medo de mudar, talvez nunca tenham parado para pensar sobre. Eu me pergunto o que as impede de dar o primeiro passo? O que as impede de buscar a própria felicidade?

Mudar não é fácil, ir contra os padrões muito menos. É preciso sim uma boa dose de coragem, desapego e preparo psicológico, mas é um risco que vale a pena correr e que pode te mostrar um mundo completamente diferente! O máximo que vai acontecer se nada der certo é você voltar a mesma vida de antes, porém com outra visão, outra cabeça, outras experiências e outras perspectivas. Por que não tentar?

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Se você nunca parou para pensar nisso, aproveite esse início de ano para refletir. Apenas pense e coloque no papel tudo o que você gostaria de fazer e o que gostaria de mudar na sua vida de hoje. Escreva e não se preocupe com julgamentos. O papel não vai te julgar e esse é um exercício só seu, não precisa compartilhar com outras pessoas se não quiser. Importante: não se julgue!

Procure também pessoas que te inspiram. Pode ser aquele que dizem que é louco por ter se demitido para viver em uma vila nas montanhas do Vietnã, pode ser aquela mãe que deixou sua carreira de lado para cuidar dos filhos, pode ser aquele aquele mocinho que teve uma ideia brilhante e conseguiu empreender, pode ser aquela senhora que se dedicou de verdade para chegar a posição que tem hoje na empresa, pode ser a Madre Tereza de Calcutá, a Oprah Winfrey ou a sua vizinha, amiga, mãe ou professora… enfim, tenha em mente alguém que te inspire e saiba o motivo disso.

Pessoas que seguiram seus sonhos sem se preocupar com o julgamento da sociedade são minha grande inspiração. Que os chamem de loucos, sem noção, sem responsabilidade, frustrados, indecisos etc etc etc. Cada um enxerga sob um ângulo diferente e eu prefiro vê-los como pessoas que tentaram sair de sua zona de conforto e, principalmente, tiveram muita coragem para isso.

Zona de conforto? Ahn?? O nome explica por si só, é a situação em que você se sente confortável e a zona de cada um tem um tamanho e formato diferente – pode ser sua casa, seu bairro, seu emprego estável, seu currículo impecável, seus amigos e família etc. Tem quem não consiga ir ao cinema sozinho, morar em uma cidade longe da família, mudar de emprego, fazer um discurso em público ou ir contra o que é imposto pela sociedade.

E porque você deve fazer algo que não se sente confortável? Isso faz sentido? Ficar onde se conhece é com certeza mais cômodo, mas toda a mágica acontece lá fora. É fora da sua zona de conforto que estão os aprendizados, as descobertas, o auto-conhecimento e a sua nova vida, aquela que vai te fazer acordar motivado todos os dias! E viver fora da zona de conforto é um desafio sem fim, porque ela é flexível e está sempre em expansão, quanto mais você a explorar, mais ela vai crescer.

Imagine que sua zona de conforto é um pequeno terreno protegido por uma cerca. Essa cerca é o seu contato com o novo e tudo que está além dela é desconhecido. Se você colocá-la um pouco mais para longe o seu terreno será maior, mas você também precisará de uma cerca maior, pois o perímetro do seu terreno aumentou. Quando sua zona de conforto se expande o seu contato com o desconhecido também aumenta.

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E então? Que tal trilhar o caminho da felicidade? Mas esse caminho é diferente do meu, cada um tem o seu. Não existe receita e essa é uma jornada só sua, só você tem o mapa e o poder de decidir. Pare de andar pelo caminho dos outros, tome as rédeas da sua vida, tire seus sonhos e ideias da gaveta e dê o primeiro passo! Falta dinheiro, falta coragem? Quem constrói esse cenário é você, lembre-se disso, e o melhor momento para começar é AGORA!

Ah! Sabe aquele papel que você escreveu tudo o que gostaria de fazer e mudar? Guarde-o e só abra quando esse ano terminar.

 

* Todas as imagens de FreeDigitalPhotos.net

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

4 Comments

  1. Ceci
    02/01/2015 at 15:35 — Responder

    Ótimo texto!! 🙂

    • 02/01/2015 at 15:41 — Responder

      🙂 Obrigada Ceci! E vamos todos ser felizes!!

  2. Rosana
    17/02/2015 at 17:54 — Responder

    oi Patricia hoje é feriado …..estou aqui em casa pensando na fragilidade de nossa existencia, (profundo), e planejando minha proxima viagem e por acaso, talvez, encontrei seu bloq e porque nao ser feliz? ameiiiiiiiiiiii, queria que soubesse disso.

    • 18/02/2015 at 10:32 — Responder

      Rosana,
      Muito obrigada pela visita!
      Fico feliz por saber que gostou do texto. Vamos sonhar, viajar e ser felizes!
      Bjo

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