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Cusco, o umbigo do mundo

O Peru é um país com uma cultura riquíssima e boa parte dela está concentrada em Cusco, uma das cidades mais importantes principalmente por carregar tanta história e bagagem cultural. Além do mais, a cidade é caminho para quem vai para Machu Picchu.

A melhor forma de chegar é pelo ar. Existem vôos frequentes de Lima, a capital do país, praticamente a cada hora pela Lan, Peruvian Airlines ou Star Perú. O aeroporto fica há uns 10 minutos de taxi do centro da cidade (é preciso negociar o valor da corrida com o motorista).

Cusco é uma cidade de altitude, fica a 3.400m acima do nível do mar. Nos primeiros dia você provavelmente vai sentir os sintomas do soroche, ou mal da altitude, que são dores de cabeça, cansaço, enjôo etc. Isso é normal, pois a cidade tem menos oxigênio e menos pressão atmosférica devido a altitude. Também é provável que alguém te ofereça um chá de coca, que ajuda a se sentir melhor. Os hotéis costumam fazer isso. Sim, a cocaína é feita com um dos componentes da folha de coca, mas o chá não tem nenhum efeito alucinógeno. Ah! Cuidado para abrir os frascos de cremes, shampoos e outras embalagens rígidas, pois devido a diferença de pressão eles vão “explodir” na primeira abertura. As embalagens molinhas (tipo salgadinhos e amendoins) vão ficar estufadas.

Querendo ou não, em Cusco você vai respirar a cultura e história inca, presente na culinária, na arquitetura, nas pessoas e, obviamente, em praticamente todos os passeios turísticos pela região. Os incas eram um povo muito inteligente e interessante e vou falar mais sobre eles em um próximo post.

Influência inca em todo lugar de Cusco
Influência inca em todo lugar de Cusco

 

O centro da cidade é uma graça, bonito, seguro e bem cuidado e organizado. É a área turística. Já as zonas mais periféricas são mais simples, sujas e pobres. Você vai sentir uma grande diferença da região do aeroporto para o centro.

Existe um ingresso chamado boleto turístico que custa 130 soles, é válido por 10 dias e serve como entrada para 16 atrações na cidade e nos arredores (mais informações aqui). Existem também os boletos parciais que custam 70 soles e dão direito de entrara para as ruínas do Vale Sagrado ou ruínas ao redor de Cusco ou aos museus da cidade. Veja o que vale mais a pena para o seu roteiro. Para conhecer as ruínas tanto de Cusco quanto do Vale Sagrado, é válido contratar um tour que já vem com guias e as explicações, já os museus dá para ir por conta sem nenhum problema.

O City Tour de Cusco inclui visita ao templo de Qoricancha, Catedral e as ruínas de Sacsaywaman, Tambomachay, Pukapukara e Q’enqo (apenas as ruínas fazem parte do boleto turístico). Já o tour do Vale Sagrado passa por Pisac, Ollantaytambo e Chinchero, todas entradas inclusas no boleto turístico. O roteiro pode variar de uma agência para outra, verifique o que está incluso quando for contratar.

Em uma volta pelo centro você vai perceber que todas as casas tem uma base de pedra. Cusco foi uma cidade inca que foi destruída pelos espanhóis e novas construções foram feitas no lugar, mas a base das casas permaneceu. Passe pela Plaza de Armas e pela Plaza Regocijo, super agradáveis e bonitas, vão render boas fotos! São 4 museus na região que estão inclusos no boleto turístico. O Museo de Arte Contemporáneo é terrível, de verdade, só vá se tiver muito tempo sobrando. O Museo de Arte Popular reúne uma pequena coleção de peças em cerâmica, esculturas etc, que também não tem nada de muito interessante.

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Plaza de Armas de Cusco

 

Já o Museo Histórico Regional, também conhecido como Casa Garcilaso, vale a visita. A casa foi moradia de Inca Garcilaso de la Vega, considerado o primeiro mestiço do Peru pois seu pai foi capitão espanhol e sua mãe princesa inca. Ele passou a infância em Cusco e depois da morte de seu pai foi para a Espanha, onde passou o resto de sua vida. O museu oferece visita guiada gratuita em inglês ou espanhol (verifique no local os horários) e os guias são ótimos (pelo menos os que fizeram a visita que eu fui). O tour se divide em duas partes: a primeira fala sobre as civilizações pré-incas, sobre os incas e conta um pouco de história, cultura, costume e religião por meio de cerâmicas, principalmente (foram culturas que não desenvolveram a escrita). A segunda parte conta a história depois da chegada dos espanhóis, o que mudou, o choque de culturas, principalmente da religião, e fala sobre a escola de arte cusquenha, que tem grande influência européia e sinais da cultura andina.

Uma visita a Catedral de Cusco completa a aula de história. Lá é possível ver mais quadros da escola cusquenha e outros indícios da preservação da cultura andina no meio da religião católica, como a representação dos deuses incas disfarçados nas imagens das virgens. As cinzas do Inca Garcilaso de la Vega estão na igreja, que é enorme e dourada. A entrada custa 25 soles (não faz parte do boleto turístico) e inclui o audioguide, caso você vá por conta. Se estiver no roteiro do city tour, o guia se encarrega das explicações.

Ainda pelo centro, visite um dos mercados de artesanías, com vários artesanatos típicos do Peru. São vários pela Avenida Sol, a principal, e o maior deles chama Mercado Artesanal, que fica perto da estação de trem. Os desenhos que aparecem nas peças remetem à cultura inca e a forma como eles registravam sua história.

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Feiras de artesanatos em Cusco
Feiras de artesanatos em Cusco

 

Para conhecer a cultura atual dos Andes, há um show de música e dança que acontece todas as noites no Centro Qosqo de Arte Nativo, que fica também na Avenida Sol. A casa abre às 18h30 e o show tem início às 19h, com duração de 1 hora. O ingresso no local é feito com o boleto turístico. Os dançarinos se apresentam com trajes típicos, a música é ao vivo e há uma breve explicação de cada apresentação, feita em espanhol, inglês e japonês. Na saída há uma exposição das roupas típicas e loja de souvenirs.

Como não podia ser diferente, Cusco e seus arredores estão repletos de ruínas e vestígios incas. Bem no centro da cidade está Qoricancha, o antigo templo do sol e o mais importante para essa cultura (sim, mais importante que Machu Picchu). É impossível passar pela avenida principal e não reparar nessa construção e em seu jardim cheio de pedras enormes. A entrada custa 10 soles e não faz parte do boleto turístico.

Uma visita com guia vale muito a pena para entender cada detalhe. O templo era um local de rituais para o sol, o principal deus dos incas. Dizem que ele era todo coberto com folhas de ouro, que foram saqueadas com a chegada dos espanhóis (para os incas o ouro tinha grande valor por representar a cor do sol, assim como a prata tem a cor da lua, mas nenhum desses metais tinha valor comercial). O templo foi destruído para que desse lugar a uma grande igreja (representação do poder dos espanhóis), mas como os incas tinham uma engenharia fantástica a fundação e base foram aproveitados, a igreja foi construída por cima e algumas das paredes foram revestidas.

Parte da construção colonial caiu durante dois grandes tremores, revelando novamente a arquitetura inca que não sofreu abalos. Pois é, eles faziam construções à prova de terremotos há mais de 500 anos atrás! O templo foi todo feito com blocos de pedra polida que se encaixavam perfeitamente sem o uso de qualquer coisa entre elas (o equivalente ao nosso cimento hoje). O que se vê agora é uma construção bastante interessante que mescla em sua arquitetura as duas culturas: inca e européia.

Qoricancha. Repare nas construções incas ao fundo
Qoricancha. Repare nas construções incas ao fundo, no lado direito

 

Saindo um pouco da cidade e indo para seus arredores encontram-se diversas outras ruínas, muitas delas tem entrada inclusa no boleto turístico e fazem parte do city tour. Cusco tem o formato de um puma (as cidades incas tinham formato de animais) e em sua cabeça está Sacsaywaman. Essa construção tem formato de raio e não se sabe ao certo qual era sua utilidade, mas tem pedras enormes com encaixes perfeitos. Incrível imaginar como elas foram transportadas e cortadas! (Lembre que na época não existiam máquinas e eles não tinham ajuda de força animal). Essa área é bem grande e é dividida em 6 partes, mas durante minha visita começou a chover e voltamos para o carro. Uma pena… E fica a dica: o clima das montanhas é imprevisível. Pode chover mesmo em épocas secas e mesmo que o dia comece ensolarado. Tenha uma capa de chuva sempre!

Ali perto fica Tambomachay, com seus dutos de água originais que ainda funcionam perfeitamente. Essa ruína foi um local de descanso para viajantes e também lugar de culto à água, que representava a purificação. Há 1km dali fica Pukapukara, uma construção com localização estratégica em um ponto alto que dá visão para 3 estradas e servia como controle de acesso para Tambomachay. Q’enqo é uma outra ruína com um labirinto entre as pedras e uma caverna com mesa esculpida na rocha, que há anos atrás foi um centro religioso onde acredita-se que eram realizados cerimônias de sacrifício.

Sacsaywaman e suas pedras gigantes
Sacsaywaman e suas pedras gigantes

 

Se você vai para Cusco provavelmente é porque o objetivo é Machu Picchu. Fica a dica – faça o tour por Cusco antes por dois motivos: primeiro porque ele vai te dar uma bagagem histórica para entender melhor as construções de Machu Picchu (e tem muita história por lá), e segundo porque Machu Picchu é enorme e as ruínas de Cusco vão perder a graça se você for depois, mesmo que não percam seu conteúdo histórico.

 

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

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