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Cataratas do Iguaçu – Brasil X Argentina

Muitas pessoas perguntam qual o lado melhor: o brasileiro ou o argentino? Não sei responder, tudo depende do ponto de vista. São 2 parques nacionais, declarados patrimônio da humanidade pela UNESCO, e a vista das cataratas dos 2 lados é impressionante!
Não há comparação da infraestrutura dos 2 parques. O brasileiro é by far, muito melhor que o argentino. O parque brasileiro parece um parque da Disney (falando da estrutura), tudo novo e bem conservado, bem sinalizado, limpo, com acesso para cadeirantes. O argentino é mais simples, com umas casas meio velhas, pintura descascando, mas muito maior que o brasileiro. 
O transporte do lado brasileiro é feito em ônibus que passam a cada 5 ou 10 minutos. São 5 estações no parque todo. Gravações trilíngues explicam para onde o ônibus vai e o que há para fazer em cada parada. No lado argentino tem um trem que demora meia hora ou mais para passar (perdeu o trem? boa espera ou boa caminhada). São 3 estações e apenas uma gravação espanhol/inglês dizendo: “esse trem vai para estação X”.
Passei meio dia no lado brasileiro com tempo sobrando (só o passeio do barco levou quase 2 horas). Há também opções de rapel, rafting, trilhas etc, todas pagas a parte. O caminho convencional é uma trilha de +/- 1km que passa por alguns pointviews ótimos para fotos. No caminho ainda estão alguns quatis bonitinhos, mas eles não se aproximam dos humanos.
No lado argentino foi um dia inteiro, correndo para dar tempo de ver tudo. O passeio de barco que eu não fiz me tomou cerca de meia hora (eu não fiz, mas estava com 3 inglesas que conheci aqui, que foram e eu fiquei esperando elas).  Começamos por uma trilha (trilha mesmo, no meio do mato, chão de terra, macacos pulando por cima da sua cabeça, um monte de pássaros e diz a placa que tinha cobras – ainda bem que não encontramos nenhuma!). 3km para ir, mais 3km para voltar. Vários velhinhos no meio do caminho observando os pássaros com binóculos superpotentes, inclusive gravando sons. No final dessa trilha chegamos em uma mini cachoeira, com uma piscina natural onde algumas pessoas estavam nadando. (não recomendo fazer essa trilha, a não ser que você tenha tempo sobrando. A trilha em si vale mais a pena que a cachoeira do final). 

Cachoeira ao final da trilha

Além  disso, tem outros 2 circuitos com vista das cataratas por cima e por baixo. O circuito de cima é parecido com o brasileiro, tem quase 1km e a vista é bem legal! (melhor que a brasileira). O circuito inferior é maior, com quase 3km, escadas pra cima e pra baixo, passagens no meio do mato, um monte de pontes (as pontes são feitas de “telas”. Se tem medo de altura não olhe pra baixo), e se chega muito mais perto das cataratas que o circuito superior (mas não tanto quanto no barco).

Vista do circuito superior

Visão privilegiada!

Circuito inferior. Muita água!!

Espetáculos da natureza

Os quatis estão por toda parte! Esses não tem medo nenhum dos humanos. Se deixar sua bolsa descuidada por 1 minuto, tem um quati com o focinho lá dentro procurando comida. Deixou seu almoço em cima da mesa, em 5 segundos tem um quati em cima da mesa atacando sua comida. Está comendo e andando pelo parque, tenha a certeza que em breve uma familia inteira de quatis estará te seguindo. Os quatis argentinos são meio malas!

Quatis por toda parte!

A principal atração dos 2 parques merece uma comparação a parte. A Garganta do Diabo (ou Garganta del Diablo) é o local onde muitas cachoeiras se juntam em um mesmo ponto. Diferença principal entre os 2 lados: no lado brasileiro você está no meio de toda a água que esta caindo. No lado argentino você vê tudo de camarote.  Tirem suas próprias conclusões sobre o que é melhor –  estar ali na muvuca, mas no meio do show, ou ver tudo tranquilamente de cima.

Garganta del Diablo, o lado argentino

Ponto de união das cachoeiras

Para chegar pelo lado brasileiro é só terminar o caminho de 1km. Tem uma passarela que vai lá no meio de tudo e é aconselhável ir com uma capa de chuva (blusa e sapatos impermeaveis de nada adiantam se você está de calça jeans! Nada que 1 hora no sol depois não resolva). No lado argentino também tem uma passarela, mas a caminhada é pela passarela de telas por mais de 1km em cima da água (medo de altura? já sabe…) e não há nada para ver nesse caminho a não ser uns tucanos que raramente passam voando ou uma familia de tartarugas que mora debaixo da ponte. Chegando lá, como já disse, a visão é de cima, e tem tanta água subindo que fica tudo meio embaçado e não dá pra ver direito o espetáculo das águas.

A vista poderia ser linda, se não tivesse tanta água subind

No lado brasileiro 80% das pessoas que eu vi por lá falam espanhol. 15% falam inglês (ou se comunicam com os outros em inglês) e  5% falam português/outros (sendo que dos que falam português, uma parte era de guias e a outra das pessoas que trabalham no parque). Definitivamente, esse não é um lugar visitado pelos próprios brasileiros. No lado argentino não muda muita coisa, com a diferença que as pessoas que trabalham no parque e os guias… falam espanhol, ou seja, a proporção de português é menor ainda. O lado argentino é também muito mais cheio, tinha fila pra tudo!

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

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