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Caminho de Santiago: Dicas gerais

Você decidiu fazer o Caminho de Santiago de Compostela e surgiram um milhão de dúvidas na sua cabeça. Como funcionam os albergues? E como é a comida? Tem banheiro no meio do caminho? E muitas outras perguntas… Comigo aconteceu o mesmo e foi por isso que eu preparei esse post para esclarecer tudo e ainda te deixar umas dicas.

Esse post é para complementar o que fala sobre a preparação para o caminho. Lá já tem muita informação e orientações de planejamento – quando ir, o que levar, quanto levar etc. Dá uma olhadinha.

E vamos às perguntas:

 

Devo despachar minha mochila?

A bagagem é um dos pontos mais importantes da preparação para o caminho. Já imaginou o que acontece com a sua viagem se a cia aérea perder sua mochila? Eu nunca tive uma mala extraviada, mas não quis dar chance para o azar justamente dessa vez. Eu não despachei.

O ideal é que a mochila seja o mais leve e compacta possível e de um tamanho que permita ser transportada como mala de mão. Vale lembrar que objetos cortantes e líquidos acima de 100ml devem ser despachados. Eu coloquei minha necessaire em uma caixa e a despachei junto com os sticks de caminhada. Devido ao tamanho, eles foram como bagagem especial e tive que ir em um outro setor para despachar.

Na volta, eu despachei tudo e embarquei com uma sacolinha apenas com minha blusa, passaporte e eletrônicos. Fica a critério de cada um despachar ou não.

 

Quantos km andar por dia?

Isso é muito pessoal e varia de pessoa para pessoa. Depende da condição física, do tipo de terreno, do tempo disponível, do clima e, principalmente, da sua vontade. Lembre-se que a principal força que te move não está nas pernas e sim na mente.

Eu fazia, em média, 30km por dia. Em dias com mais subidas e descidas um pouco menos, nos dias planos um pouco mais. Nos primeiros dias não abuse e deixe o corpo se acostumar, depois ele vai ditar o seu ritmo e dizer quando parar. Nunca andei menos de 20km em um dia e o máximo foi 40km.

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Peregrino no caminho

 

Como é a rotina do caminho?

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Basicamente andar, comer e dormir. E é essa simplicidade que torna o caminho tão especial.

A minha rotina era praticamente a mesma todos os dias (o que não quer dizer que a sua precisa ser igual). Eu acordava por volta das 7h e começava a andar entre 7h30 e 8h. Meu café da manhã era no bar da primeira cidade que aparecesse, o que podia ser em 30 minutos ou 2 horas. As vezes eu comprava um iogurte ou preparava um sanduíche e comia antes de sair. Tudo depende da cidade, do tempo e da disposição. A cada 8 ou 10km (cerca de 2 ou 3h) eu fazia uma pausa para comer alguma coisa e descansar os pés.

O horário de chegada no albergue varia de acordo com a distância, terreno, velocidade da caminhada e o número e tempo de cada parada. Geralmente eu chegava na cidade final entre 15h e 18h. Uma vez alojada, a rotina de todo santo dia era arrumar a cama, tomar banho, lavar roupa, tomar cerveja, jantar, tomar outra cerveja e dormir.

 

Como funcionam os albergues?

Tem 3 tipo de albergues no caminho. Entenda como albergue quartos compartilhados, com beliches. O banheiro também é dividido com os outros peregrinos.

Os municipais costumam ser os mais baratos (de 4 a 8 euros/dia) e têm algumas regras. Abrem por volta das 12 – 13h, o que significa que se você aparecer antes disso precisa esperar para entrar e isso é feito por ordem de chegada (não aceitam reservas). Fecham as 22h e isso quer dizer que se você estiver na rua vai ficar trancado do lado de fora e se estiver comendo, bebendo ou conversando vai tomar bronca e vão te mandar dormir. E o horário de check out é até as 8h ou 9h, ou seja, você precisa sair antes disso ou vão te por pra fora. Não pode ficar mais de um dia, a não ser que você esteja visivelmente doente ou impossibilitado de andar. As instalações são simples, mas no geral tudo novo e limpo. As camas não tem lençol (alguns lugares te dão um lençol descartável) e praticamente todos os chuveiros são quentes. Você obrigatoriamente precisa levar sua própria toalha de banho e saco de dormir (para os friorentos, a maioria tem cobertor).

Os albergues privados são um pouco mais caros (de 8 a 20 euros/dia). Os horários são flexíveis, não tem hora certa para acordar, para sair e se você quiser ficar mais de um dia não tem problema. Você pode ligar antes e fazer reserva. A estrutura costuma ser um pouco melhor e eles também fornecem toalhas e camas com lençol e cobertor.

Existem ainda os paroquiais, que são ligados à igrejas. A maioria deles é donativo, ou seja, não há um valor fixo e você deixa uma doação no valor que quiser. Alguns oferecem jantar no mesmo esquema. Os horários são similares aos municipais. A estrutura varia, tendo locais bons e outros que são apenas um colchão no chão e banho frio.

A grande maioria das minhas camas foi nos municipais. Os privados eram a última opção, apenas quando a cidade não tinha albergue municipal ou eles estavam lotados. Fiquei em alguns donativos também (minha experiência em Bercianos del Real Camino foi sensacional!). Não fiz reserva em nenhum lugar (com exceção de Santiago) e não tive problemas com isso (fui em abril/maio, baixa temporada).

Fica a dica para quando estiver perto de Santiago: reserve um lugar um ou dois dias antes de chegar, se quiser ficar no centro. Os quartos lá lotam rápido e se você for procurar no dia, não vai encontrar. Existem opções muito boas, mas um pouco mais afastadas (cerca de 2km da catedral) e nessas pode ser mais tranquilas de encontrar uma cama no dia.

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Um dos albergues do caminho francês

 

Como é a comida no caminho?

Todo bar tem praticamente a mesma coisa. O famoso bocadillo (lembre-se desse nome) é o sanduíche na baguete e o recheio pode ser presunto, salame, queijo, jamon (presunto espanhol), bacon, atum entre outros e alguns lugares têm opções quentes como carne e frango. Não espere maionese, alface, tomate, vinagrete ou qualquer outra coisa (não é Subway), se pedir bocadillo de queijo vai ser só pão e queijo, mas você pode incrementar com um tomatinho se pagar por isso. Prepare-se para comer isso até enjoar, seja no café da manhã, almoço, lanchinho da tarde ou jantar.

Outro item que não falta é a tortilla de patata – uma torta de batata com ovo ou um omelete com batatas, como você preferir. Com sorte você acha variações como um chorizo misturado na massa ou um recheio de atum com tomate. A tostada con mantequilla é aquele pão que saiu da torradeira e vez ou outra você encontra sanduiches calientes (como o nosso misto quente – presunto com queijo).

Para uma refeição mais encorpada, tem milanesa, ovos com bacon, carne, frango, peixe etc tudo com batata frita ou salada. O menu peregrino é uma boa opção, pois inclui uma entrada (salada, massa ou sopa), um prato principal, sobremesa, pão e bebida (geralmente vinho) e o preço fica entre 9 e 15 euros.

O norte da Espanha é famoso pelos frutos do mar e pelos vinhos. Você encontra qualidade e bom preço. E para as formiguinhas de plantão, a tarta de Santiago é bem típica da região – um bolo de amêndoas e ovos.

 

Posso cozinhar?

Se o seu orçamento é apertado, uns dias na cozinha vão fazer uma bela diferença no final. A resposta é sim, mas depende de alguns fatores.

Algumas cidades do caminho são tão pequenas que não tem mercado, então se for dormir nelas é preciso se programar e fazer as compras antes de chegar.

Outro ponto é que nem todos os albergues possuem cozinha. Os privados geralmente servem menu peregrino e você não pode preparar sua própria comida, já os donativos têm jantar comunitário e você pode ajudar, mas não decide o cardápio. Boa parte dos municipais tem cozinha compartilhada, mas cidades grandes como Burgos e León não tem.

Nem todas as cozinhas são bem equipadas e lembre que elas são compartilhadas com todos os peregrinos do albergue. As vezes falta talher, panela, prato… Opte por um cardápio simples e vale ter um canivete e usar a criatividade. Uma vez descobrimos que não tinha prato fundo quando a sopa estava pronta e a solução foi tomar no copo mesmo.

A partir de Sarria, nos últimos 100km, nenhum municipal tem cozinha equipada e, para a felicidade de todos (#sqn), os restaurantes desse trecho são mais caros.

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Jantar peregrino no albergue

 

Devo comprar um guia antes de ir?

Isso também é bem pessoal. Estudar o caminho, se preparar e saber o que te espera pela frente é uma boa ideia, principalmente se você é o tipo de pessoa que se planeja bem antes de fazer as coisas. O único detalhe é que ele vai ser um peso a mais na sua mochila e nesse caso, qualquer 100g conta.

Eu recomendo comprar um guia digital, assim todas as informações estão o tempo todo com você no seu smartphone. Também vale baixar um app que tenha a relação das cidades, distâncias, facilidades de cada uma e albergues.

Se você começar a peregrinação em Saint Jean Pied Port, passe na associação dos amigos do caminho para pegar orientações. Eles também têm uma planilha com essas informações importantes, incluindo valores e estrutura dos albergues.

Eu levei um guia e ele saiu da minha mochila apenas uma vez, foi um peso desnecessário. Se eu pudesse te dar apenas uma dica sobre o caminho ela seria não se prender a roteiros prontos, descubra o caminho do seu próprio jeito, escute seu corpo, siga sua intuição e seu coração.

 

Como faz para lavar roupa?

Existem duas opções para lavar roupa nos albergues. A primeira delas é na mão. A maioria deles tem uma área com tanques, bacias (se não tiver, pode usar a pia do banheiro) e varal. De vez em quando eles ainda têm uma barra de sabão que você pode usar (ou que alguém deixou por lá), mas vale ter o seu próprio.

Boa parte dos locais também tem máquinas de lavar roupa e secadora. Elas funcionam com moedas, ou seja, você põe a roupa e o sabão dentro, coloca as moedas no lugar indicado e espera cerca de 40 minutos para o ciclo completar. Depois você precisa fazer o mesmo processo para a secadora. É fácil, mas você acaba perdendo bastante tempo e muitas vezes existe uma fila para usar as máquinas.

Alguns albergues tem uma pessoa responsável por isso. Você entrega uma bacia de roupa suja, paga e vai passear, dormir ou tomar cerveja. Ela lava e seca sua roupa e depois é só você pegar tudo limpinho. Esse serviço geralmente está disponível nos albergues privados, mas há exceções.

Como lavar roupa é uma tarefa diária, usar máquina todos os dias acaba ficando caro. Vale lavar peças pequenas (roupas íntimas, meias e camisetas) na mão e deixar a máquina para quando for lavar calças, toalhas, blusas etc. Outra opção é juntar 3 ou 4 pessoas para dividir uma maquinada, afinal a quantidade de roupa é bem pequena.

 

Tem banheiro no meio do caminho?

O caminho passa por dezenas de cidades e a maioria delas tem bares, restaurantes e albergues. Esses lugares têm banheiro. É uma boa ideia saber mais ou menos quantos km você vai andar no dia e a distância entre uma cidade e outra, para se planejar não só quanto a banheiro, mas também quanto a água e comida.

Alguns lugares são bem tranquilos e você pode entrar, fazer suas necessidades e ir embora. Eles entendem que peregrinos também fazem xixi e têm dor de barriga. Outros exigem que você consuma alguma coisa para usar as facilidades do local.

Em caso de urgência, um lugar mais discreto no meio do mato não é difícil de achar. Tenha um rolo de papel higiênico na mala, porque vai que… né?

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Caminho – não falta um matinho discreto

 

E wi-fi e sinal de celular?

Antes de mais nada, uma das magias do caminho é você se desconectar e pensar na vida, refletir, conhecer gente e conhecer a você mesmo. Ficar o tempo todo no celular, no facebook ou no whatsapp não, por favor. Eu sei que todo mundo quer saber se você está sobrevivendo e bate saudades da família, dos amigos, da esposa/marido/namorad@, mas saiba separar seu tempo.

Sinal de celular, no geral, funciona bem. Apenas lembre que você estará na Espanha e todas as ligações são internacionais. Há a opção de comprar um chip local.

Alguns albergues têm conexão. Diria que dos privados, praticamente todos tem, dos paroquiais praticamente nenhum e dos municipais, talvez metade. Se o seu não tiver, é só ir no primeiro bar, pedir uma água ou uma cerveja e a senha do wi-fi. Não espere a melhor velocidade do mundo, salvo algumas exceções, a conexão é bem lenta.

 

E água potável?

Água não é um problema no caminho, a não ser que seu estômago seja extremamente sensível.

Há torneiras com água potável, fresca e grátis em praticamente todas as cidades. Basta ter uma garrafinha, enche-la e ser feliz. Mesmo que a sua ainda esteja cheia, ninguém merece água quente quando bate a sede, certo?

Também dá pra entrar em um dos bares e pedir para eles encherem sua garrafa. Ou fazer isso na torneira do banheiro (beber água da torneira é algo bem comum na Espanha). Há casos raros de pessoas que não se acostumam com a água torneiral, ai a opção é comprar água mineral nos bares ou mercados.

Em poucos trechos a distância entre uma cidade e outra é bem grande, como entre Carrión de los Condes e Calzadilla de la Cueza. São 17km entre uma e outra, sem qualquer estrutura – água, comida, banheiros etc. Em casos assim, é bom se preparar antes e carregar mais água e um lanchinho.

 

O que fazer se tiver bolhas? E dores?

O meu pé nunca teve tanta atenção e foi tão bem cuidado na vida. Cuide do seu, fica a dica.

Bolhas e dores fazem parte do caminho. É bem provável que elas apareçam uma hora ou outra (falei sobre isso no post de reflexões do caminho). Não as ignore ou elas vão piorar até que você não consiga mais dar um passo.

As bolhas precisam ser drenadas. Elas só começam a melhorar e parar de incomodar quando toda a água de dentro sai. A técnica da linha de algodão e agulha de costura é muito utilizada, apenas tenha certeza do material estar bem esterilizado. O compeed é amado por uns e odiado por outros, mas ele é mais recomendado para evitar a formação das bolhas. Depois que o estrago estiver feito, ele pode ser uma bomba-relógio. E jamais tire a pele de uma bolha que não está seca, essa é a única proteção que ela tem, a não ser que você queira mais dores e uma infecção.

Dores podem ser apenas da musculatura fadigada ou podem ser sinal de lesão ou tendinite. As vezes uma massagem ou uma noite de descanso resolvem, mas nem sempre. Preste atenção e veja se ela persiste. Pomadas e anti-inflamatórios podem ser necessários. Em casos mais graves, um ou dois dias de descanso.

Para prevenir esses imprevistos, escute e respeite seu corpo. Faça pausas regulares para descansar, principalmente no começo, até se acostumar com o ritmo. Passar vaselina nos pés ajuda a diminuir o atrito e a mante-los secos. Quando parar, tire os sapatos e deixe os pés respirarem. Se as meias estiverem muito molhadas, troque-as. Dedique um tempinho no final do dia para massagear os pés e alongar as pernas, especialmente nos primeiros dias. E a qualquer sinal de desconforto, pare e verifique. Pode ser uma pedrinha ou uma meia enrugada o motivo de uma bolha que vai te incomodar por dias.

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Peregrinos em sua pausa para descansar

 

E se eu precisar comprar xxxx? (entenda xxxx como o que você quiser)

É possível comprar praticamente tudo o que você vai precisar durante o caminho, então não se preocupe. Tem farmácia, tem mercado, tem loja de artigos de aventura, tem loja de roupa etc. Aqui ficam alguns pontos de atenção:

Algumas cidades são pequenas. As vezes não tem comércio ou tem uma estrutura mínima, então dependendo do que você precisar, vai ter que esperar até chegar em uma cidade maior. Vale se programar.

A Espanha tem a cultura da siesta, ou seja, todos os comércios fecham entre 13h e 17h. Com exceção dos bares e restaurantes, nada vai estar aberto. Esqueça lojas, farmácias e mercados. Supermercados de grandes redes como Carrefour ou Dia podem estar funcionando.

 

Como levar dinheiro? E quanto levar?

O mais prático é levar o dinheiro apenas em cash mesmo (a moeda na Espanha é o Euro), ou pelo menos a boa parte dele. É a forma menos segura 🙁 , mas como muitas cidades por onde você vai passar são pequenas e sem estrutura, nem sempre cartões são aceitos e bancos e caixas eletrônicos estão apenas nas cidades maiores, além disso, os albergues municipais aceitam pagamento apenas em dinheiro.

É sempre bom ter uma forma alternativa. Sempre esperamos que não, mas imprevistos acontecem e vai que, né? Seu dinheiro pode acabar, você pode perdê-lo ou ser roubado. Ter um cartão de crédito ou travel money (aquele cartão pré-pago) é sempre uma boa ideia. Lembrando novamente que eles não são aceitos em todos os lugares e caixas para saques não estão disponíveis em todas as cidades, sem falar que você vai pagar taxas a cada retirada, então use como plano B mesmo.

O valor depende do seu estilo de viagem. Peregrinos bem econômicos (albergues donativos ou municipais e compras no mercado para café da manhã, jantar e lanches para o dia) vivem com 10 – 15 euros/dia. Se quiser o menu peregrino para jantar e comer nos bares durante o dia, o custo sobe para 30 – 40 euros/dia. Se quiser despachar mochila, pegar ônibus e taxi, dormir em hotel, beber um bom vinho toda noite etc, é claro que essa conta vai aumentar.

 

E se chover?

O peregrino caminha sempre, faça chuva ou faça sol. É sempre bom estar preparado para dias chuvosos. Tenha uma jaqueta impermeável, uma capa de chuva para mochila e uma capa de chuva para você (que cubra também a mochila). Chuvas de granizo podem ser comuns, dependendo da época.

Em locais de grande altitude, como nos Pirineus, Alto del Perdón, Foncebadón ou o Cebreiro, pode ventar bastante e até nevar.

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Alto del Perdón, um dos pontos marcantes do caminho francês

 

Posso não carregar minha mochila?

Pode, mas não recomendo. Existem serviços durante todo o caminho e funciona assim: você solicita no seu albergue no dia anterior, avisa para qual cidade e albergue sua mochila deve ser enviada e a deixa no dia seguinte pela manhã na recepção. Um carro vai passar para retirá-la e entregá-la. Quando você chegar ela já estará lá. Veja que isso exige um certo planejamento, pois você precisa saber para onde vai, ou seja, se não dá pra mudar de ideia no meio do caminho e para antes.

Carregar sua mochila faz parte do caminho e do processo de aprendizado e descobertas (falei sobre isso aqui), então evite ao máximo despachar a sua. Se não estiver aguentando carregá-la, tente diminuir o peso.

 

E se tiver itens que eu percebi que não preciso ou não quero carregar?

É simples, desfaça-se deles. O desapego é uma das lições mais importantes do caminho e ele começa na mala. Os albergues tem uma caixa em que você pode deixar itens que não vai precisar ou não quer carregar. O contrário também vale, você pode pegar itens que estão nessas caixas para você.

Caso você não queira carregar esse item, mas também não queira se desfazer dele, uma opção é ir até uma agência dos correios e enviar uma caixa para Santiago de Compostela. Vale lembrar que os correios têm horário de funcionamento, então você precisa se adequar a ele tanto quando for enviar quanto quando for retirar.

Fica a dica: atenção no planejamento da sua mala. Isso evita perder tempo, burocracias e gastos desnecessários.

 

Posso fazer um trecho de ônibus?

Cada um faz o seu caminho e como você vai fazer o seu é uma decisão só sua. Poder pode, mas também não recomendo. Tem gente que pega ônibus por falta de tempo, por lesões ou por preguiça mesmo.

Nem todas as cidades tem ponto de ônibus. Como já falamos ai em cima, algumas são tão pequenas que a estrutura é bem básica. Se você vai pegar o busão, programe-se para ver de onde partir e até onde vai. Para distâncias pequenas dá para pegar um taxi. Para distâncias longas, há a opção dos trens (apenas nas cidades maiores).

Lembro que a magia do caminho acontece quando você está andando, no ir devagar, nos pequenos detalhes, nas paisagens e até no sofrimento com as dores. No ônibus, taxi ou trem você perde tudo isso. Falei sobre isso e sobre a história do anjo aqui.

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Caminhe devagar, mas não pare

 

Como é a segurança no caminho?

No geral, o caminho é bem seguro. Mesmo para quem está sozinho ou para mulheres. Infelizmente, existem casos de roubos e até assassinatos, mas são casos bem isolados. As maiores causas de morte no caminho são por ataque cardíaco ou peregrinos que se perderam na neve, não por falta de segurança.

Alguns cuidados são válidos para evitar dores de cabeça, como sempre deixar objetos de valor bem guardados ou sob sua visão, seja no albergue, no restaurante, no bar ou onde estiver. Lembre que os quartos são compartilhados com muitos peregrinos que você não conhece, então não dê chance para o azar. Atenção redobrada com dinheiro e passaporte, que devem estar sempre bem guardados na mochila ou no money belt (que está sempre na sua cintura). Vale levar uma sacolinha e deixá-los junto com você inclusive na hora do banho.

São cuidados simples. Não deixe que isso atrapalhe o seu caminho, aproveite cada momento e converse com o máximo de pessoas que puder.

 

Tem mais dúvidas? Deixa aí nos comentários que a gente responde!

 

Leia mais:

Caminho de Santiago: A preparação

A primeira viagem internacional

Caminho de Santiago: Reflexões

Sain Jean Pied Port: Como chegar

10 dicas para passagem aérea barata

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

8 Comments

  1. valmir
    09/07/2016 at 00:18 — Responder

    olá , eu vou fazer o caminho francês com minha esposa, já somos acostumados a fazer trilhas , porem tenho uma duvida e se eu quiser, durante o caminho dormir em minha barraca de Camping, pois a mesma é leve e já estou acostumado em transportar a mesma por longas distancia, ou não tem a cultura de dormir na barraca no caminho de santiago

    • 11/07/2016 at 10:40 — Responder

      Olá Valmir!

      Há pessoas que carregam suas próprias barracas e acampam pelo caminho sim, porém são raras as áreas destinadas a camping. Muitas vezes ele ficam em parques, próximos aos rios ou onde acharem um lugar bom para armar a barraca.
      Em cidades grandes (Burgos, León, Santiago etc) pode ser difícil encontrar um local para acampar e é bem provável que vc tenha que ir para albergues ou hotéis.
      Mas sim, é possível levar sua barraca e utilizá-la em muitos lugares.

  2. 03/12/2016 at 11:47 — Responder

    Muito legal sua matéria, Patricia. Acho que o Caminho tem me chamado, porque ultimamente são muitos os sinais que tenho recebido!

    • 05/12/2016 at 10:02 — Responder

      Ale,

      Escute o chamado! É uma experiência enriquecedora.

  3. Gilclésio
    23/01/2017 at 20:54 — Responder

    Olá! Parabéns pela matéria!
    Você tocou num assunto que me deixa muito preocupado. Despacho ou não minha bagagem? Na verdade a resposta é simples. Não, mas aí vem outra pergunta. Pensando em litros. Uma mochila de 50 +10 pode ser levada na cabine?
    Pretendo fazer a viagem em maio de 2017 e não tenho nenhum tipo de experiência no assunto.
    Por acaso tem essa resposta?
    Desde já agradeço

    • 24/01/2017 at 14:03 — Responder

      Oi Gilclésio!
      Alguns itens vc obrigatoriamente vai precisar despachar – canivete, líquidos, objetos cortantes, bastões de caminhada etc. Pode despachar em uma caixa ou em uma mala velha que vc possa descartar por lá.
      Eu levei a minha mochila na cabine (a minha é 45 + 10). Não tive problema nenhum.

  4. 22/03/2017 at 23:37 — Responder

    Oi, Patrícia!
    Muito bom e esclarecedor o seu post!
    Obrigada por compartilhar em detalhes.
    Espero seguir o caminho em breve…
    Bj

    • 24/03/2017 at 18:13 — Responder

      Obrigada, Gabi!
      Vá sim, o caminho é lindo e enriquecedor. Vale muito a pena! =]

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