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Bali, a ilha dos deuses!

A Indonésia é uma país composto por mais de 17 mil ilhas e predominantemente muçulmano (a maior população muçulmana do mundo vive lá). Cada ilha tem sua própria cultura e seu próprio idioma, mas a língua oficial do país é o bahasa indonésio e todos o aprendem na escola.

Imagino quão difícil deve ser administrar um país geograficamente e culturalmente tão dividido. Bali é uma das ilhas, sua religião predominante é o hindu, diferente do restante do país, e a língua local é o balinês.

Originalmente, a Indonésia era um país hindu até chegarem os muçulmanos, que implantaram sua religião no local e foram expandindo território. Os hindus acabaram confinados em Bali e mantém uma forte cultura até os dias de hoje. Uma vez na Ásia você começa a entender a grande influência que a religião tem na forma como as pessoas vivem, pensam, se comportam etc. Em Bali não é diferente, a religião está diretamente ligada à cultura local e tudo tem espírito próprio.

A primeira coisa que me chamou atenção foi ver pequenas caixinhas na rua pela manhã. Cada uma estava cheia de flores, um pouco de arroz, às vezes bala, cigarros, moedas e outras coisas mais. Durante o dia elas acabavam sendo pisadas, chutadas (pois algumas ficam no chão, na frente das portas), as comidas enchiam de moscas e os locais varriam e as jogavam fora. No outro dia novas caixinhas estavam lá nos mesmos lugares novamente!

Essas caixinhas são oferendas para os espíritos. Quando colocadas no chão são para os maus e quando estão em cima são agradecimento para os bons espíritos. Sim, os maus espíritos precisam ser agradados para que nada de ruim aconteça com a família. Cada família precisa fazer de 25 a 50 dessas caixinhas por dia e colocá-las por toda a casa, o único local que não deve ter é o banheiro, por ser considerado um lugar sujo, e elas são feitas manualmente, uma a uma, com folhas de palmeira e presas com palitos de bambu.

Oferenda aos deuses
Oferenda aos espíritos

 

Em um país tão religioso não é muita surpresa saber que existem muitos templos. Milhares deles! Existem 3 tipos de templos: os familiares (cada casa tem seu próprio complexo de templos, onde são realizadas cerimônias da família), os locais (cada vila tem o seu e são realizadas cerimônias para os moradores dessa vila) e os públicos (acessível a todos os locais, onde são realizadas cerimônias para os deuses). Muitos são abertos para turistas, mas algumas áreas são restritas para práticas religiosas dos locais e para entrar é preciso se vestir adequadamente. São 3 principais deuses em que os balineses acreditam – Brahma, que tem o poder da criação, Shiva, com o poder da destruição, e Vishnu, responsável pela manutenção.

Existem regras para entrar nos templos públicos e a principal delas é usar um sarong – algo parecido com uma canga que deve ser amarrado na cintura, como se fosse uma saia. Mulheres menstruadas são proibidas de entrar nos templos, pois são consideradas sujas. O mesmo vale para os familiares de uma pessoa que faleceu, eles devem passar 35 dias sem frequentar templos públicos pois também são considerados impuros (por estarem tristes pela perda de um familiar).

Em um dos templos de Bali, vestindo sarong
Em um dos templos de Bali, vestindo sarong

 

O início das cerimônias dos templos públicos é marcada pela oferenda de sangue. Para isso é realizada uma briga de galo, que tem facas amarradas nos pés, e eles lutam até a morte de um deles e seu sangue é oferecido aos deuses. Galos domésticos e treinados são encontrados em todo lugar da ilha e fora dos templos existe aquela briga de galo que vale dinheiro, mas no lado de dentro é um ritual sagrado.

Os balineses acreditam em reencarnação. Quando alguém morre o corpo é enterrado por cerca de 5 anos e depois cremado para libertar o espírito, que voltará para a família encarnado em um próximo bebê. As datas de cremação seguem o calendário lunar, que tem 210 dias, assim como a data para comprar imóveis, para casar e para qualquer ato importante.

Visitar uma casa tipicamente balinesa é um tanto quanto interessante. Cada casa é composta por 4 construções distintas – cozinha, dormitório, templos e um prédio que é do chefe da família.

Os templos ficam sempre na direção norte e são 3, um para cada deus. Nele são realizadas cerimônias de nascimento, casamento, funeral e outras um tanto quanto estranhas para nós, como a celebração de 3 meses dos bebês. Até essa idade eles não podem ter contato com o chão, porque é onde ficam os maus espíritos. Outro ritual interessante é a a passagem dos meninos de adolescentes para adultos, quando eles serram os dentes caninos.

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Típica casa balinesa
Típica casa balinesa

 

Mais uma tradição curiosa: quando os bebês nascem, a placenta é enterrada em frente das casas balinesas e uma pedra é colocada sobre o local (qualquer pedra). Eles acreditam que a placenta tem o espírito gêmeo do bebê, que irá protegê-lo por toda a vida.

Cada família também tem em seu “quintal” uma plantação de bambus, de cocos e bananas, que são usados para fazer as oferendas, para consumo próprio, para manutenção das casas etc. Além disso eles também têm animais como galinhas, porcos e vacas.

Falando em famílias, as balinesas também têm uma característica única. Todos os membros da família moram juntos, na mesma casa, por toda a vida. Não é difícil encontrar casas onde moram 15, 20 ou mais pessoas. As únicas que saem são as meninas, quando se casam e vão morar na casa da família do marido.

As mães são responsáveis pelas refeições e elas cozinham uma única vez por dia, pela manhã. A mesma comida serve o café da manhã, almoço e jantar. Aliás, a comida balinesa é saborosa, apimentada e diferente do restante da Indonésia.

Um dos pratos típicos de Bali. A comida vem enrolada em uma folha de bananeira
Um dos pratos típicos de Bali. A comida vem enrolada em uma folha de bananeira

 

Outro fato curioso são os nomes. Não se surpreenda se muitos dos balineses que você conhecer chamarem Wayan. Em Bali existe uma quantidade bastante limitada de nomes para colocar nas crianças: 4, e isso varia de acordo com cada região da ilha. O primeiro filho se chama Wayan (ou Putu, dependendo do local), o segundo será Made (ou Kedek), o terceiro Nyoman (ou Komang) e o quarto apenas Ketut. A partir do quinto filho os nomes se repetem, então este será Wayan também. Simples assim!

Como todo país asiático, o arroz tem uma grande importância na vida dos balineses. Bali sem terraços de arroz não é Bali, e por mais turístico que seja conhecer um deles, lembre-se que as pessoas estão lá trabalhando. Existem muitas plantações e se estiver em Ubud vai passar por uma delas com certeza! Até nos templos tem. Cada m² produz cerca de 0,5 kg de arroz por colheita, que acontece a cada 3 meses, mais ou menos.

Terraços de arroz de Bali
Terraços de arroz de Bali

 

Saindo da parte cultural e indo para a parte prática. Sua entrada em bali provavelmente será pelo aeroporto de Ngurah Rai, que fica em Denpasar. Esqueça trens e metrôs, eles não existem na ilha e o transporte público é praticamente inexistente também. A opção são os taxis ou aluguel de carros ou motos. Muitos dizem que o trânsito é caótico, mas para quem está acostumado com a loucura de São Paulo, vou dizer que não é tão assustador assim, apesar de ser meio confuso e sem leis (é muito fácil ver crianças de 9 ou 10 anos pilotando motos com outras crianças menores a bordo). Se prepare para ficar horas nele, dependendo do horário que for transitar.

Há uma grande variedade de tours na ilha, que te pegam na porta de onde estiver hospedado e te trazem de volta, uma opção bastante cômoda e fácil e os preços são acessíveis (aliás, a moeda balinesa é tão desvalorizada que praticamente tudo tem preço acessível). Se não quiser se prender a um grupo por todo o dia, também dá para alugar um carro ou moto com o motorista, assim você fica livre para fazer o que quiser, no seu tempo e do seu modo. Só combine o valor com antecedência (e vale pechinchar!).

Pechinchar faz parte da cultura. Compras no mercado, taxi, massagem na praia etc, tudo será oferecido por um preço turístico e se você for bom de lábia pode levar por 1/3 do preço inicial (ou até menos).

Ubud Market. Local de pechinchar!
Ubud Market. Local de pechinchar!

 

Provavelmente se você ouviu falar de Bali, ouviu falar de praias paradisíacas, certo? Sim, elas existem! Mas fica a dica: a ilha tem muitas praias, mas nem todas são esse paraíso que você imagina. Bali é uma região vulcânica e grande parte das praias tem a areia preta. Além disso, como é um destino turístico muito procurado, as praias mais badaladas costumam ser um tanto quanto sujas. Os surfistas dominam a região litorânea e isso quer dizer ondas fortes, mas dá para encontrar locais bons para banho com águas mais tranquilas. Há praias em que é possível mergulhar e ver golfinhos.

Candi Dasa Beach
Candi Dasa Beach

 

Cultura fascinante, um povo sempre sorridente, templos maravilhosos, comida saborosa, praias bonitas e tudo bem barato! Precisa de mais motivos para ir para Bali?

 

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

2 Comments

  1. Marli Lucio Rodrigues
    11/02/2017 at 02:02 — Responder

    adorei a publicação sobre Bali, realmente muito interessante . Parabens

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