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As Olimpíadas acabaram. E agora?

O Brasil esteve na mídia nas últimas semanas. Os olhos do mundo todo estavam aqui, nos jogos olímpicos, no #Rio2016, para ver os mais fortes, mais rápidos, mais ágeis e os melhores em cada modalidade. E agora que tudo acabou, o que acontece?

Sabe que eu não estava em clima de Olimpídas. Tudo o que eu queria ver era a ginástica artística (pra quem acompanha o blog, sabe que eu fui ginasta) e a abertura, se minha agenda permitisse. No começo tudo correu conforme os planos. Sexta-feira a noite, chamei uns amigos para virem em casa ver o início dos jogos olímpicos, porque se a apresentação fosse no mesmo nível da copa do mundo, pelo menos a comida, a bebedeira e a diversão estavam garantidas.

E foi assim que paguei toda a minha falta de expectativa. Eu simplesmente amei a abertura! O efeito das projeções foi sensacional, o le parkour arrasou e a Gisele divou. Adorei as bicicletinhas que entraram antes de cada delegação, achei a ideia das sementes incrível e os anéis olímpicos verdes foi uma das partes que mais me tocou. E no meio de uma crise política, econômica e com a zika atormentando, o Brasil deu um show para tirar qualquer dúvida de que a gente sabe sim fazer festa boa e mais, tudo embasado na sustentabilidade.

No dia seguinte meu escritório teve uma mudança temporária para frente da tv (quem me conhece sabe que eu não assisto absolutamente nada no dia a dia) e acompanhei tudo o que pude durante as 2 semanas, com Brasil ou sem. Vai entender porque temos que seguir os horários da tv americana e alguns jogos começarem tarde da noite, mas mesmo assim eu estava lá, madrugada a dentro inclusive nos programas que comentavam os acontecimentos do dia. Torci com as meninas e os meninos do volei, chorei com a inédita dobradinha brasileira de Diego e Nory na ginástica, sofri com a lesão da Jade e vibrei com o ouro do Thiago Braz.

Aqueles rostos desconhecidos que vi na cerimônia de abertura aos poucos foram ganhando nome. Atletas que inspiram pela superação e por acreditar que sonhos são possíveis, como nos ensinou a nossa medalhista de ouro no judô, Rafaela Silva. Anônimos viraram heróis e histórias incríveis começaram a aparecer, como a da pequena chinesa Shang Chunsong que venceu a pobreza e a desnutrição para estar nas olimpíadas e tentar pagar a operação do irmão que tem visão parcial. Ou a de Yusra Mardini, a atleta síria da equipe de refugiados que puxou um barco a nado por mais de 3 horas e salvou 20 vidas. Infelizmente o pódio só tem 3 lugares, mas elas com certeza já são vencedoras na vida. E como falar em Olimpíadas e não citar Michael Phelps, Usain Bolt e Simone Biles? Mitos, lendas, os melhores do mundo, sem sombra de dúvidas, em suas modalidades, garantiram suas medalhas e deram um show de simpatia, além de inspirar muita gente.

Sabe toda aquela história de pensamentos positivos, acreditar, mentalizar etc etc? É verdade! Quando eu entrei no ritmo e passei a acompanhar tudo adivinha o que aconteceu? Eu ganhei os ingressos para ver a festa de perto, para fazer parte dela. Em 4 dias eu embarquei e, de repente, aquela pessoa que não estava ligando muito pra nada disso estava ali pulando no meio da multidão e dizendo que é brasileira com muito orgulho. Foi rapidinho, um bate-volta bem corrido, mas que valeu cada segundo. Fizemos bonito sim! Tudo me pareceu organizado, funcionando e pessoas felizes estavam por todo o lado. Sei que nem tudo foi perfeito, tiveram erros e algumas coisas poderiam ter sido melhores, mas o saldo geral foi positivo.

rio_ingresso olimpiadas

E como dizem por ai, o melhor do Brasil é o brasileiro. Não tem como discordar. Nós torcemos pro Brasil, torcemos pros outros países, torcemos até para o juíz. Homenageamos o boxeador Mina e as jogadoras do Egito. E não vou negar que tive um incentivo a mais para acompanhar o vôlei todas as noites só pra ouvir a narração do Rômulo Mendonça. Só as vaias que foram totalmente desnecessárias, afinal todos os atletas treinaram muito para estar ali e eles merecem aplausos, não importa o país ou qual a colocação de cada um (até o francês medalha de prata no salto com vara e o nadador americano que mentiu, apesar de suas atitudes nada exemplares).

A festa de encerramento foi emocionante e o primeiro ministro do Japão, Shinzo Abe, aparecer vestido de Mario Bros surpreendeu o mundo todo e deixou aquela vontade de quero mais, quero fazer parte de Tokyo 2020 também!

 

Pera… Mas o que isso tudo tem a ver com esse blog?

Tem muito! O Rio estar na mídia coloca o turismo brasileiro em alta. Não só a própria cidade, mas os principais pontos do Brasil, afinal quando você vai viajar você aproveita para conhecer o que tem por perto também, não?

As Olimpíadas acabaram, mas as melhorias em transporte e infraestrutura no geral ficam. O Rio já era uma cidade super turística, mas agora está ainda mais preparada para receber gente nova e afim de ver as belezas da cidade maravilhosa. Gente, agora dá pra ir pra Barra de metrô!

Com ou sem jogos olímpicos, o brasileiro continua sendo o melhor do Brasil. Somos conhecidos por ser um povo alegre, irreverente e criativo. O mundo conheceu um pouquinho da nossa cultura, tradições e toda essa mistura que faz a gente ser quem a gente é.

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E espero que esses tantos sentimentos que as Olimpíadas despertaram aqui permaneçam, cada vez mais fortes. Que a torcida e a vibração não aconteça apenas a cada ponto ou gol, mas a cada conquista de um amigo ou a cada lei votada que venha em benefício da população. Que nossos modelos de inspiração não sejam somente os mitos, mas aquela mãe que se desdobra entre filhos, casa e trabalho ou o próximo prêmio nobel. E que anônimos virem heróis todos os dias, seja naquele desconhecido que te ajudou com informações no meio da rua, seja naquele autor que você não conhecia e se identificou tanto que o tem como modelo de vida agora.

Pode ser que você seja tudo isso e nem saiba. Aqui, o título não aparece na mídia e nem vem em formato de medalha no peito, mas vem no reconhecimento, no respeito, na confiança, no sorriso sincero e naquele obrigado ou no parabéns que vem do fundo do coração. E que o espírito olímpico que acompanha todos os jogos esteja presente nas nossas vidas, em atitudes corretas, na competição leal e no apoio mútuo. Que venham muitas medalhas de ouro da vida para todos nós!

 

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The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

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