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A aventura de Uyuni – dia 3

E enfim chegou o dia de voltar para o Chile. Acordamos cedo para o café da manhã e as 7h estávamos de saída. Na noite anterior nos despedimos do Walter e um novo motorista seguiu conosco neste dia. As agências aproveitam a viagem que ele terá que ir até a fronteira pegar um grupo para nos levar para lá. (Se você não leu os posts anteriores, veja como foram os preparativos, a chegada na Bolívia, o dia 1 e o dia 2)

E foram longas 3h e meia de paisagens inabitadas, lhamas correndo pela estrada, montanhas nevadas etc, até chegarmos na fronteira. Voltamos a casinha onde funciona a imigração boliviana e tivemos a primeira surpresa. Os policiais nos cobraram uma taxa para sair do país! Achamos que fomos extorquidas, mas preferimos não causar problemas. Depois descobrimos que realmente há uma taxa para sair da Bolívia, mas nenhuma agência diz isso. Por sorte, tínhamos alguns bolivianos (moeda local) que não usamos, pois não conseguimos chegar nos parques nacionais.

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Com os passaportes em dia, fomos procurar o carro que nos levaria para o lado chileno. O motorista que nos levou de Uyuni até a fronteira (vamos chamar de motorista 1, para facilitar) nos indicou um ônibus que estava parado lá. Ao tentar embarcar tivemos a segunda surpresa. O motorista 2 disse que não tinha lugar para tantas bagagens, pois já estava com um grupo grande de koreanos e não poderia nos levar. Depois de algumas discussões e do motorista 1 intervir, conseguimos nosso lugar. O grande trunfo foi dizer que éramos passageiros da agência Colque Tours (imagino que eles tenham um bom relacionamento).

Eis então que surge a terceira surpresa: a briga com os koreanos. Não sei porque eles viajam com malas tão grandes, mas perdemos todo o banco de trás como bagageiro (e as malas entraram todas pela janela). Garantimos que nossas mochilas estavam dentro do ônibus e subimos para guardar nosso lugar no ônibus. Aparentemente, não tinha lugar para todo mundo! Depois descobrimos que tinha um banco dobrável (e desconfortável) no corredor, e lógico que ninguém queria viajar as 6h lá.

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O grupo tinha um guia koreano que era uma vergonha. Além de barraqueiro, dizer que ele falava um espanhol básico seria um elogio (como um guia não fala a língua local?). Ele alegou que tinha pagado por aquele ônibus e que o grupo dele não viajaria nos bancos desconfortáveis do corredor, por isso nós (as brasileiras e os chilenos) teríamos que trocar de lugar com eles. Resumindo a história, nós também pagamos pel ônibus e não trocamos de lugar.

Os formulários de imigração foram distribuidos e o guia orientou o preenchimento todo errado, simplesmente porque não sabia ler o espanhol e não entendia a explicação do motorista (em espanhol). Como nem as brasileiras, nem os chilenos falavam koreano não tínhamos muito como ajudar. (Nem merecia, depois de tudo o que já tinha feito).

Paramos na aduana chilena para novos carimbos no passaporte e tivemos que descer todas as malas para passar por uma inspeção. É claro que todas elas voltaram para ônibus pela mesma janela que entraram na primeira vez. Lá estava eu ajudando o motorista a subir as malas, quando chega o guia koreano para ajudar também. As malas estavam todas misturadas e a minha estava a caminho da janela quando ele percebeu que ela não fazia parte do grupo dele. Ele simplesmente largou e se eu não estivesse do lado, ela teria sido jogada no chão.

Malas guardadas, fizemos uma parada para o lanche. Exigimos nosso almoço incluso no pacote (se não fosse cobrado, ficaríamos sem) e ganhamos uma sopa e um refrigerante. Nada mal. O restaurante não tinha lugar para todo mundo, então o guia koreano fez milhares de viagens comprando empanadas e levando para dentro do ônibus.

Enfim, seguimos viagem. Intermináveis 6h de estrada com umas duas paradas para banheiro. O guia koreano passou o trajeto todo reclamando do lugar desconfortável dele. Há pouco menos de 1h para chegar em San Pedro, a última surpresa: o parachoques do ônibus caiu! O motorista achou um arame jogado no acostamento e usou para amarrar o parachoques de volta (!). E assim continuamos até o nosso destino final.

Saldo da viagem: a Bolívia é assim mesmo. Não espere conforto. O país não tem estrutura e perrengues fazem parte do passeio.

Apesar de tudo, o tour vale muito a pena. As paisagens são lindas e únicas, a aventura é uma experiência a parte. Posso considerar um item da minha wish list como checked!

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The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

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