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10 coisas que você precisa saber antes de ir para Bali

Bali é uma das ilhas da Indonésia e se você planeja ir para lá, prepare-se para uma experiência incrível. Tem quem ame, tem quem odeie, mas ninguém pode negar que alguns choques culturais vão acontecer, afinal a vida no sudeste asiático é um tanto quanto diferente do Brasil.

Cultura interessante, presença intensa da religião, trânsito caótico, sabores exóticos, praias e paisagens encantadoras definem Bali. Para ajudar no planejamento da sua viagem, reunimos aqui 10 dicas que você precisa conferir antes de ir.

10 coisas que vc precisa saber antes de ir para bali

 

1. Brasileiros precisam de visto para entrar na Indonésia

A informação que corre por ai é que brasileiros tem entrada livre no país, o que não é verdade. Nós precisamos de visto sim, porém o processo é facil e simples.

Nada de reunir milhões de documentos, preencher formulários e levar na embaixada. Você não precisa ver o visto com antecedência, ele é tirado no aeroporto mesmo, quando você desembarca. Basta pagar uma taxa de 35 dólares e o oficial da imigração cola o visto no seu passaporte, que te dá direito a 1 mês no país. É simples assim, basta pagar mesmo e não há muito controle de quem pode ou não conseguir o visto. Não esqueça desse procedimento antes de passar pela imigração ou você terá problemas. Se pretende passar mais que 1 mês no país, uma opção é passar uns dias em um país ali perto e voltar para renovar o visto. Há também agências que podem te ajudar nesse processo.

Ainda sobre as burocracias, é preciso pagar uma taxa de Rp 200.000 para sair da Indonésia, que deve ser em moeda local (não vale dólar, euro, real ou qualquer outra coisa). Não troque todo o dinheiro que sobrou antes de pagar essa taxa.

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Visto da Indonésia

 

 

2. Alugar uma moto vai te poupar muito dinheiro

Moto é o meio de locomoção mais popular em Bali. Também é possível alugar um carro e ainda há a opção deles (tanto a moto quanto o carro) virem com um motorista junto. Fora isso suas opções de transporte se resumem a taxi, tours ou suas pernas. Transporte público é praticamente inexistente na ilha.

Alugar uma moto não é nada difícil, quase em toda esquina existe uma opção e o valor da diária é de cerca de 5 dólares e sem burocracias. Sim, é muito barato! Mas esse barato pode sair caro se você não tomar alguns cuidados e o principal deles é ter uma carteira de habilitação internacional.

O trânsito balinês é complicado e totalmente sem regras, principalmente quando se fala em motos. Nem sempre elas param no farol vermelho e não é raro ver crianças de 10 anos ou menos pilotando por ai, inclusive com outras crianças a bordo. Também é comum ver 4 pessoas + um bebê + 5 galinhas mortas + um cesto de cocos + uma sacola de verduras + o que você quiser em cima da mesma moto, ao mesmo tempo, circulando pelas ruas.

Porém, tem uma coisa que os policiais multam no trânsito: os turistas. Ouvi algumas histórias bem semelhantes: o policial para um turista e pede a habilitação, que muitos não tem. Ai vem a conversinha… “Você precisa ir até o escritório e pagar uma multa de 2 milhões de rúpias pela falta de habilitação”. A reação é sempre a mesma, afinal isso é muito dinheiro (170 dólares, mais ou menos). “Ou você pode me dar 300 mil e está tudo certo”. Também ouvi pessoas dizendo que tiveram que pagar os policiais mesmo com a habilitação internacional em mãos, sem justificativa alguma. Pois é, a corrupção não é “privilégio” apenas dos brasileiros.

 

 

3. Porte de drogas

Drogas são ilegais no país. Ao chegar na Indonésia é preciso preencher um formulário que tem uma mensagem bem clara que diz que porte de drogas é punido com pena de morte.

Apesar disso, é possível sim encontrar drogas, principalmente na região das praias. Em Gili Trawangan, uma pequena ilha perto de Lombok, as drogas são anunciadas em cartazes na frente dos bares, por exemplo. Vi pessoas com drogas em Uluwatu também.

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Vale lembrar o caso dos dois brasileiros que foram condenados à morte por tráfico de drogas e teve até a intervenção da Presidenta para tentar livrá-los da pena.

A decisão é sua. É possível sim conseguir drogas por lá, mas tenha consciência das consequências caso você seja pego com elas.

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Drogas vendidas publicamente em Gili Trawangan

 

 

4. Nem toda praia de Bali é paradisíaca

O principal motivo que leva os brasileiros para Bali são suas praias. Uma vez lá é preciso conhece-las, mas não vá com a expectativa muito alta, a não ser que você seja surfista.

Eu passei por apenas 3 praias em Bali. White Sand beach fica no lado leste da ilha e é conhecida por sua areia branca e mar azul. A areia está longe de ser branca, olhando de longe até parece, mas de perto ela é cinza. Bali é uma ilha vulcânica e boa parte das praias tem areia escura. O mar é bonito sim, desde que não tenha chovido nos dias anteriores, mas para quem procura um lugar para um banho tranquilo não é o lugar ideal. A primeira onda que veio quase me derrubou e foi difícil sair da água, que insiste em te puxar de volta. O bom dessa praia são as mulheres que oferecem massagem por um ótimo preço se você souber negociar. 45 minutos de massagem no corpo inteiro me custou menos de 5 dólares.

As outras 2 praias que conheci ficam no extremo sul de Bali. Padang Padang é super famosa e ficou ainda mais conhecida depois do filme “Comer, Rezar e Amar”, estrelado por Julia Roberts. Eu não achei lá tudo isso, apesar de ter sido uma experiência interessante. Para chegar à praia é preciso descer uma escadaria que passa praticamente dentro de uma caverna. A praia é bem pequena, mas dá tranquilamente para deitar na areia, tomar sol e uma cervejinha (quase) gelada. O mar é bonito e tranquilo, mas com muitas pedras. Cuidado ao entrar na água e veja onde está pisando.

Uluwatu foi a praia que eu mais gostei, mas infelizmente só a conheci no meu último dia na Indonésia. Para chegar é preciso descer uma escadaria que passa por lojinhas, hotéis e restaurantes. Pesquise sobre a maré antes de chegar, pois na maré alta não há muito o que fazer a não ser surfar. O dia que eu fui tinha maré alta pela manhã e maré baixa a tarde, cheguei por volta das 11h, com a maré alta, e fui direto para um restaurante com vista para o mar. De lá dava para ver os surfistas pegando ondas e na mesa ao lado, fotógrafos com lentes enormes. Depois do almoço fui para praia que, com a maré baixa, se transformou em uma piscina de água quentinha. Mesmo com a maré baixa os surfistas continuam lá, mas longe da área de banho.

Se você realmente quiser uma praia bonita, limpa, com água transparente e areia branquinha, saia de Bali e vá para Gili. Lá é certeza que irá encontrar aquele lugar que parece o paraíso.

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Uluwatu, uma das melhores praias de Bali

 

 

5. Bali é mais que praia. Aproveite a cultura!

Bali, conhecida como a ilha dos deuses, tem uma cultura riquíssima, aproveite para conhecê-la. E se você quer fazer isso, vá para Ubud, que fica no centro da ilha. Lá você não vai acordar e ver o mar quando abrir sua janela, mas pode ver uma linda plantação de arroz. Que tal?

A religião tem uma influência fortíssima no modo como as pessoas vivem. Tente conversar com um local ou fazer um tour que mostre esse lado que não é tão visível aos turistas. Vale andar pelos terraços de arroz, fazer uma aula de culinária, assistir uma apresentação de dança ou mesmo apreciar os deliciosos pratos típicos. Nada de ficar comendo só pizza e massa (eu realmente não entendo as pessoas que fazem isso).

Enfim, mergulhe na cultura e deixe-se encantar por ela. Você não vai se arrepender e, no mínimo, vai ganhar mais conhecimento e histórias para contar.

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Aprendendo a fazer o canang sari, a oferenda aos deuses, em Bali

 

 

6. Forte presença do hinduísmo

A Indonésia é hoje um país predominantemente muçulmano, com uma pequena população hindu que se concentra em Bali. Sua forte presença é visível no cotidiano das pessoas e nas atitudes. A religião é tão forte que se mistura com a cultura local, de forma que muitas vezes é difícil separar uma coisa da outra. Tente conhecer mais sobre o hinduísmo conversando com os locais e qual a influência da devoção no dia a dia deles.

Dedique pelo menos um dia para conhecer os templos. São vários espalhados pela ilha inteira. Não dá para ir em todos, escolha os mais próximos de onde estiver ou vá nos principais. Alguns são mais rústicos, outros mais turísticos, tem os que tem estrutura melhor e os que parecem ter parado no tempo. Com um pouco de sorte você vai ver os balineses em seus rituais religiosos. Leve um sarong (ou uma canga) para cobrir as pernas (alguns templos alugam ou emprestam sarongs na entrada).

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Templo Tirta Empul

 

 

7. Escolha bem os lugares que vai

Se você já pesquisou ou conversou com alguém sobre Bali, provavelmente já ouviu falar em Kuta. Todo mundo vai para Kuta. É lá que tudo acontece e onde estão as praias mais badaladas (o que não quer dizer que são bonitas e estão longe de serem limpas). Eu não conheci Kuta, apenas passei por lá dentro do ônibus e logo segui meu caminho para outro ponto da ilha, mas a recomendação que mais ouvi foi: não vá para Kuta ou não fique muito tempo por lá, a não ser que você goste de australianos bêbados. Além de ser um lugar um pouco perigoso (conheci pessoas que foram roubadas lá), parece uma cidade grande com suas lojas de departamentos e ruas comerciais, eu definitivamente não me senti no clima de Bali por lá.

Seminyak é outra região bem conhecida, cheia de turistas e onde o lema é “shopping”. Eu até pensei em passar por lá, de tanto que ouvi outros viajantes falando, mas fazer compras não fazia parte do meu roteiro em Bali, então decidi não ir. Não tenho muitos detalhes de lá.

Se você quer praia, vá para o extremo sul de Bali. As principais regiões são Jimbaran e Uluwatu. A região toda me lembrou a beira de uma estrada, com um restaurante aqui, uma casinha ali e uma loja acolá, as vezes com um centrinho comercial que reúne uma lanchonete, uma farmácia e uma loja de conveniência. Se você estiver a pé vai sofrer um pouco. Tudo é longe para ir andando, não existem calçadas e a noite andar na estrada escura e cheia de curvas se torna uma aventura (leve uma lanterna). Se tiver de moto ou de carro a região é muito boa! A praia de Uluwatu concentra uma boa quantidade de comércios, hospedagens e restaurantes, o que pode ser bem conveniente, mas toda vez que quiser sair de lá… já sabe, né?

O lado leste da ilha é bem menos badalado. Talvez por ser longe do aeroporto seu acesso seja mais difícil, o que torna o destino perfeito para quem quer fugir um pouco da agitação e das zonas turísticas. Lá você vai encontrar um pouco de tudo: praias, templos, comida local, pequenos comércios etc. O templo mais bonito que fui em Bali foi o Tirta Gangga, que fica no lado leste da ilha.

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Templo Tirta Gangga, no leste de Bali

 

 

8. Pechinche!

Assim como em muitos locais do sudeste asiático, em Bali não é diferente. A regra na hora de fazer compras é pechinchar! Isso vale para o passeio pelos mercados, para a mocinha que te oferece massagem na praia, para a outra que quer te vender uma canga e até mesmo para passeios turísticos, guias e aluguel de motos/carros.

O ideal é você já ter uma noção de preço antes de começar a negociação, assim sabe o valor que é realmente justo (vale perguntar na recepção de onde estiver ou para viajantes que já estão há mais tempo em Bali). Seja firme e se o vendedor não abaixar o preço, diga que volta depois, vire as costas e vá embora. É bem provável que ele corra atrás de você aceitando sua oferta.

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Senhora vendendo flores no Ubud Market

 

 

9. Bali é um destino barato

Por ser do outro lado do mundo, chegar em Bali vai ser um pouco carinho. Vale pesquisar promoções para a Ásia e se já estiver pelo continente, a Air Asia pode te ajudar bastante.

Brasileiros em Bali têm a sensação de serem ricos, o dinheiro parece valer mais. Na verdade a rúpia indonésia é uma moeda bastante desvalorizada. Uma vez por lá, você pode se surpreender com os preços! Uma refeição com bebida custa a partir de Rp 40.000 (3 dólares) e a diária de hostel por volta de Rp 100.000 (8 dólares), como por exemplo no post em que recomendo um local para se hospedar em Ubud. A entrada nos templos custa, em média, entre Rp 10.000 e Rp 20.000 (menos de 2 dólares).

Casas de câmbio e ATM são encontradas com muita facilidade, trocar ou sacar dinheiro não será problema. Apesar de não recomendar ir para Kuta, foi lá que vi as melhores cotações de dólar. Independente de onde for trocar seu dinheiro, tome cuidado. Ouvi histórias de turistas serem enganados com a habilidade dos balineses em contar notas muito rápido e acabarem recebendo menos dinheiro do que deveriam. A moeda de lá tem muitos zeros e é fácil se confundir.

 

 

 10. Os balineses

Como não amar os balineses? Sempre com um sorriso no rosto, simpáticos e dispostos a ajudar. Talvez seja pela cultura e pela religião, talvez seja porque Bali é realmente a ilha dos deuses, nesse ponto não há do que reclamar.

No hostel que fiquei em Ubud, o dono sempre falava com os hóspedes, dava dicas e muitas vezes me convidou para tomar chá e conversar. Em um dos dias aluguei uma moto com motorista e, além de me levar para conhecer os lugares que eu queria ir, o mocinho me explicou sobre a cultura, religião e o dia a dia dos balineses. Os serviços são sempre feitos de bom humor, isso vale para restaurantes, massagens, agências de turismo, transporte etc.

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Balineses em cerimônia religiosa

 

 

Mais sobre Bali:

Bali, a ilha dos deuses

Ubud, a tradicional Bali

Onde se hospedar em Ubud

Subindo o Mont Batur

 

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

4 Comments

  1. 16/03/2017 at 02:31 — Responder

    Patricia adorei o post. Dicas muito úteis. Eu adorei Kuta e Seminyak. Tive a sorte de não ver nenhum australiano bêbado e ter passado ótimos 7 dias lá. Em Seminyak passei 4 dias e adorei também e nem comprei nada. Ubud com certeza é o lugar favorito. É tão interessante como cada um tem uma experiência tão diferente em Bali né? Abraços.

    • 17/03/2017 at 11:44 — Responder

      Giulia,
      A experiência de um nunca vai ser igual ao do outro. Mesmo se vc voltar para Bali, terá uma nova visão. É por isso que viagens encantam tanto! <3
      Ubud é só amor. É um lugar incrível demais!

  2. Daniela
    18/01/2018 at 09:54 — Responder

    Olá!
    Você sabe me dizer se é melhor levar dolar australiano ou americano? Obrigada!

    • 19/01/2018 at 21:50 — Responder

      Daniela,

      Acredito que vc não terá problema com nenhum dos dois. O dólar americano é facilmente trocado em qualquer lugar do mundo, eu mesma troquei lá sem nenhum problema.
      Como a Austrália fica perto de Bali e a quantidade de australianos que visitam o local é bem grande, o dólar australiano deve ter boa circulação também.

      Apenas confira o valor na hora e na frente da pessoa que te entregou o dinheiro. Eles são muito rápidos com as mãos e como o dinheiro deles tem muitos zeros, é fácil errar as contas. Quando se trata de dinheiro é sempre bom ter atenção redobrada.

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