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Precisamos falar sobre a cultura da beleza

Calma! Você não entrou em um blog de maquiagem e moda por engano. Aqui a gente ainda fala sobre viagens e vou te mostrar porque esses assuntos estão profundamente ligados.  Você já parou para pensar que beleza segue alguns padrões? E que isso muda de um lugar para o outro?

Se você acompanha o Bagagem de Memórias, sabe que eu gosto muito de falar sobre diferenças culturais e os aprendizados que isso traz para nossas vidas. Você pode ver mais textos assim aqui.

Mas, afinal… o que é ser uma pessoa bonita? Quando falamos de mulheres no Brasil, provavelmente os maiores votos vão para as magras, altas, com curvas acentuadas, pele bronzeada e cabelos compridos, referência Gisele Bündchen. Há exceções, é claro, mas vamos concordar que é o que agrada a maioria.

Não precisa ser nenhum gênio para perceber que uma grande parte das brasileiras não se encaixa naturalmente nesse padrão. E o que é que as baixinhas, gordinhas, sem peito, sem bunda fazem? Horas de academia, dietas malucas, maquiagens transformadoras, compram roupas milagrosas e encaram tratamentos e cirurgias para mudar o rosto e o corpo. Tem quem adquire doenças, como depressão ou bulimia. Há exceções também, mas tenho certeza que você conhece algumas pessoas que se identificam com isso, até mesmo sem perceber.

Percebe como esse padrão imposto pela sociedade e reforçado pelas revistas, pelas modelos, pelas marcas de roupa, de maquiagem e pela mídia em geral se torna uma tortura psicológica, sem que a gente perceba? De tão enraizada que está, acaba sendo um comportamento considerado normal. Ninguém é igual a ninguém e isso também vale para os nossos corpos, mas para muita gente é difícil aceitar estar fora do padrão (quem foi que inventou isso???).

Essa conversa pode ir muito longe e a ideia não é achar o certo, o errado ou dar lição de moral em ninguém. O ponto é: todos concordamos que existe esse padrão de beleza e essa pressão social?

 

Precisamos falar sobre a cultura da beleza

Vamos falar então de diferenças culturais. Mais especificamente da diferença de padrões de beleza com alguns países da Ásia (Japão, Coréia do Sul, China e alguns do sudeste asiático). Enquanto as brasileiras adoram lagartear na praia, pele bronzeada é considerada bonita, a marquinha do biquini é sexy e as curvas são valorizadas, do outro lado do mundo as coisas são bem diferentes. Por lá é bonito ser super magra e ter a pele clara. O máximo possível! A explicação é cultural: a pele queimada de sol é de quem trabalha no campo, ou seja, faz referência à classe econômica mais baixa.

As mulheres se escondem do sol. As tailandesas, que têm a pele mais morena por genética, têm a ambição de serem clarinhas. Você já viu como os japoneses vão à praia? Muitos de calça e manga comprida, inclusive para entrar na água (sim, isso é para não se queimar). É preciso comentar da indústria de cosméticos do Japão e Coréia do Sul, que tem protetor solar para clarear a pele (procure pelos whitening). Quero deixar claro que não é julgamento e não é crítica. Estou apenas comentando que essa diferença existe. Não tem certo ou errado, apenas culturas distintas.

Precisamos falar sobre a cultura da beleza
Crédito: Benny W Photography

Falando da Coréia do Sul… se você acha que existe pressão social no Brasil quando se fala em beleza, não queira saber como é por lá. Eu me assustei. Bom, uma coisa que sempre me chamou atenção nas coreanas que conheci pelo mundo foi que elas estão sempre maquiadas. Não importa se estão na balada ou acampando, no shopping ou na praia. Sim, a preocupação delas com aparência física é bem grande. Não por acaso, a Coréia do Sul é um excelente lugar para comprar cosméticos de qualidade e com preço acessível (e parece que o mercado brasileiro vem descobrindo isso). A procura e a concorrência deste mercado é super alta.

Foi quando eu pisei em terras sul-coreanas que minha cabeça revirou. Ao entrar nas estações do metrô, inúmeros cartazes diferentes anunciando cirurgia plástica com fotos do antes e depois. Se você nunca fez uma pesquisa dessas, tente buscar imagens no google por “south korea plastic surgery”. Deixei as primeiras imagens ai embaixo, mas vale ver os outros resultados.

Precisamos falar sobre a cultura da beleza

Como você pode ver, é uma cirurgia que vai muito além das plásticas estéticas que temos no Brasil. Não é tirar uma ruga aqui, um botox ali, uma bolsa embaixo dos olhos a menos, um lábio mais preenchido. É uma completa transformação, a ponto da pessoa de antes não ser reconhecida no depois. Por que essa falta de aceitação tão grande?

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Quando passei pelo Camboja conheci a Morgan. Ela é americana, deu aulas de inglês na Coréia e eu já falei dela quando contei a história da happy pizza. Em alguma das conversas que tivemos, ela contou como foi a experiência de trabalhar nas escolas coreanas. Um dos pontos que me chamou atenção foi exatamente o da beleza e como isso é tratado com as crianças. Eu fiquei abismada quando ela disse que crianças feias sofriam bullying pelo simples fato de serem feias. Concorda comigo que se uma criança discrimina outra por ela não se encaixar nos padrões de beleza que a sociedade impôs, é porque alguém ensinou isso para ela? Não digo a discriminação, mas a super valorização de um padrão estético. O bullying é mera consequência. O que dizer de uma sociedade que cria pequenos monstrinhos assim? E o que acontece com essas crianças feias quando adultas? Agora essa indústria agressiva de cirurgias plásticas faz mais sentido?

Se você ainda não está convencid@, veja esse vídeo da Coreaníssima, uma coreana que já morou no Brasil, que encontrei por acaso navegando na internet e foi por isso que decidi escrever este texto. Ela não fala da beleza de rosto, mas do corpo. No fim, a conclusão é a mesma.

O que dizer de uma sociedade em que a única opção das mulheres é ser extremamente magra? E quando isso é muito exigido pelos pais, pelos amigos e pelo crush? E se o seu desempenho no trabalho fosse influenciado por você ser magra ou não? Como conviver com essa pressão se você está fora dos padrões?

Como você se sentiu ao ler/ver tudo isso? Existe uma linha que divide o “quero ser uma pessoa bonita, de forma saudável” e o “tenho que ser uma pessoa bonita para ser aceita pelos outros”. Não tem nada de errado em você querer se cuidar ou querer estar bem. Mas tem muita coisa errada se você não se aceita e gasta uma energia enorme tentando ser quem você não é, simplesmente para agradar os outros.

Galerinha, as pessoas são diferentes e todas tem sua beleza própria. Para que os outros enxerguem isso, você tem que perceber primeiro. Por menos anúncios de cirurgia plástica e mais campanhas da Dove. Por um mundo com menos máscaras, por vidas mais leves. _/|\_

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

4 Comments

  1. 21/07/2017 at 11:16 — Responder

    Pati, a sra é f*da!! Vim aqui ver se esqueci de abordar alguma coisa importante na postagem sobre Ko Tao e me deparei com esse texto.
    A gte acha que sofre aqui, né? Que no Brasil o negócio é ruim, vai ver lá fora :/
    Eu bem que reparei na enorme quantidade de produtos whitening que encontrei na 7/11. Não sabia que na Coreia do Sul o negócio era tão tenso, e pensei que a maioria das orientais eram magras por questões genéticas.

    Viajar é a melhor forma de enxergar o mundo como ele realmente é. <3

    Um beijo :*

    • 22/07/2017 at 07:37 — Responder

      <3
      Viajar faz mesmo a gente ver o mundo com outros olhos. A beleza na Coréia é assunto tenso mesmo. Até demais, eu acho.

      A gente é muito acostumado a falar mal do Brasil e ressaltar pontos bons de outros países. E deveria ser o contrário. Pq os brasileiros não têm orgulho do país?
      E também temos a mania de comparar e reclamar do que é muito diferente lá fora, quando são diferenças culturais que deveriam agregar e não serem alvos de críticas.

      Adorei sua visita aqui! =)
      bjo

  2. Tieko
    18/11/2017 at 23:00 — Responder

    Adorei seu post!
    Eu já tinha visto algo sobre essas cirurgias – no JP também tem um povo que faz umas transformações bem radicais, né? Mesmo homens…
    Nem consigo imaginar como fica a cabeça dessas pessoas. E com o boom das redes sociais e cultura da imagem, acho que tende a piorar.
    Seria bom se mais empresas e pessoas influentes abordassem esse assunto publicamente, como você citou no post (a campanha da Dove).

    • 23/11/2017 at 15:35 — Responder

      A influência da sociedade é algo muito pesado. Com as mídias digitais isso potencializou. É um assunto muito delicado que envolve aceitação, auto-estima, coragem e muitas outras coisas.
      Isso leva tempo. Vamos um passo de cada vez, né?
      Mas concordo que mais campanhas Dove deveriam aparecer!

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