Amazonas (AM)Manaus

O que fazer em Manaus?

Manaus é um dos principais destinos dos gringos que buscam o turismo no Brasil, porém os brasileiros não têm tanto interesse (ainda). Esqueça a ideia de que é só mato, só tem índio andando na rua e que macacos vivem pela cidade. Manaus não é isso. Capital do estado do Amazonas e principal centro econômico-financeiro da região norte do Brasil, Manaus é uma cidade grande, com boa infraestrutura, povo simpático e a porta de entrada para conhecer  a floresta amazônica, a maior floresta tropical do mundo.

A melhor forma de chegar é voando. Tam, Gol e Azul operam na cidade e o aeroporto de Manaus é bem estruturado, com grande movimento de pessoas e de cargas, devido ao polo industrial (a antiga zona franca).

Devido à sua localização geográfica, o acesso por terra é bastante difícil. Há uma estrada que liga a cidade à Venezuela, passando por Roraima. Outros caminhos passam pela selva e a condição das rodovias é ruim, por falta de manutenção. Por estar na confluência dos rios Negro e Solimões, o transporte fluvial é bem comum.

O clima de Manaus é quente e úmido o ano todo, então prepare as roupas de verão na mala. Também chove bastante, pancadas de chuva praticamente todos os dias e as pessoas que moram lá costumam marcar os compromissos com o “antes da chuva” ou “depois da chuva”. Mas não se preocupe, nada que vá estragar o passeio. É difícil ter chuva o dia todo, geralmente elas são rápidas e ajudam a refrescar um pouco.

A região é marcada pela época de cheia (de dezembro a maio, também o inverno do local) e seca (de junho a novembro, o verão) dos rios, o que afeta bastante o lugar. Na cheia, as ilhas que ficam no meio do Rio Negro praticamente desaparecem, ficam apenas parte das copas das árvores para fora da água. Já na seca, as praias de rio dão as caras, para alegria dos turistas. A melhor época para visitar Manaus é em agosto, quando teoricamente chove menos e as praias aparecem, porém o calor atinge o pico, chegando aos 40°C. Se seu foco não for praia, Manaus te recebe em qualquer época do ano. Eu fui em fevereiro, adorei o passeio e o clima/chuvas não me prejudicou em nada.

Confira abaixo os principais pontos turísticos de Manaus para planejar sua viagem e aproveitar o melhor que a cidade e arredores têm a oferecer:

 

Teatro Amazonas

Conhecer o Teatro Amazonas é obrigatório para quem passa por Manaus. Ele fica no Largo de São Sebastião, bem no centro da cidade e traduz toda importância histórica, riqueza e ostentação do ciclo da borracha.

Manaus viveu o auge desse ciclo por volta de 1880 e foi uma das cidades mais prósperas do mundo, exportando o látex extraído das seringueiras. Com a vinda de companhias estrangeiras, surgiu a necessidade de construir um teatro que correspondesse ao nível da cidade. Nessa época, dinheiro não era problema, mas a solução de tudo. As obras iniciaram em 1884 e o teatro foi entregue no final de 1896.

O projeto foi feito na Europa, de onde vieram também os arquitetos, pintores e escultores que trabalharam durante a construção, e a grande maioria dos materiais, que desembarcaram no porto de Manaus. Sua cúpula é composta por 36 mil peças que vieram da França, sua estrutura é toda de ferro e revestida com borracha para melhorar a acústica e o Salão Nobre decorado com pinturas do artista italiano Domenico de Angelis. Uma grande obra arquitetônica, principalmente se considerarmos que foi feita no meio da floresta, há mais de 100 anos atrás.

É possível fazer uma visita guiada para conhecer melhor a história do teatro e entender a riqueza de detalhes do seu interior. Há até uma maquete do teatro feita com cerca de 30 mil peças de Lego. As visitas são realizadas de segunda à sábado, das 9h às 17h e tem o valor de R$ 20,00 (estudantes pagam meia). Mais informações: www.cultura.am.gov.br/teatro-amazonas

Apresentações, concertos, desfiles, festivais e outros eventos acontecem com frequência. Algumas delas são gratuitas. Confira a programação e mais informações em: www.cultura.am.gov.br

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Teatro Amazonas - Manaus
Teatro Amazonas traduz a riqueza do ciclo da borracha

 

Ponta Negra

Falando em riqueza, não podemos deixar de comentar sobre o bairro Ponta Negra. Aqui fica o m² mais caro de Manaus, com grandes hotéis e condomínios residenciais de luxo.

Localizada à 13km do centro, é uma ótima escolha para um passeio. Um calçadão à beira da praia reúne jardins, mirante e até um anfiteatro, o que garante uma caminhada agradável. Várias opções de comida também estão disponíveis, entre elas o típico tacacá, tapioca, queijo coalho ou a conhecida sorveteria Glacial, com sabores exóticos da Amazônia.

Um dos principais atrativos da Ponta Negra é a praia (de rio). A areia da praia foi trazida para o local para que ela pudesse ser aproveitada também durante a época de cheia. Cuidado ao se banhar, pois a areia acaba de repente e já foram registrados alguns casos de afogamento.

Da orla dá para ver a ponte Rio Negro, que cruza o rio de mesmo nome ligando Manaus ao município de Iranduba. Ela foi inaugurada em 2011 e facilitou muito o dia a dia dos moradores. A travessia que hoje é feita em pouco mais de 5 minutos, antes levava 1 hora de balsa + 1 hora de espera na fila. Em Ponta Negra fica também o Hotel Tropical, o mais luxuoso e conhecido da cidade.

Ponte-rio-negro-manaus
Ponte Rio Negro

 

Encontro das águas

O encontro das águas é o principal passeio para se fazer, não o deixe fora do seu roteiro. É bem fácil contratar um tour em agência, na recepção de onde estiver hospedado ou um barqueiro particular, opções não faltam. Geralmente esses passeios incluem paradas em outros lugares e isso varia bastante, entenda o que está comprando para ir com a expectativa certa.

Os passeios partem do porto de Manaus e o barcos seguem pelo Rio Negro até sua confluência com o Rio Solimões. A água dos rios se encontra, mas não se mistura. Parece mágica, mas existe explicação para esse fenômeno: as diferentes características de cada rio. Devido à diferente velocidade, densidade e temperatura, as águas dos dois rios permanecem separadas por cerca de 6 km.

O Rio Negro nasce na Colômbia, com o nome de Guianía, passa na fronteira da Venezuela antes de entrar no Brasil e se junta ao Solimões, percorrendo cerca de 1.700 km no total. É o segundo maior rio do mundo em volume de água e sua cor escura é devido à decomposição da vegetação, o que torna sua água ácida. Isso significa que você não precisa se preocupar com mosquitos e pernilongos enquanto estiver no rio, eles não estão por lá devido ao alto pH da água. É um rio de água tranquila e pouco densa, com temperatura média de 28°C. Já o Rio Solimões tem sua nascente no Peru e também percorre mais ou menos 1.700 km antes de se encontrar com o Negro. É um rio rápido, de água barrenta, mais denso e frio, com temperatura de 22°C. A partir do ponto em que as águas se misturam, o rio passa a se chamar Rio Amazonas, o maior do mundo em volume de água, que deságua no Oceano Atlântico.

Encontro das aguas - Manaus
Encontro das Águas – Rio Negro e Rio Solimões

 

 

Nadar com boto cor-de-rosa

Mundialmente conhecidos, ver os botos foi um dos highlights da visita à Manaus, para mim. Vá com trajes de banho porque você entra na água e nada junto com eles. Os animais são selvagens, mas é incrível como são dóceis. Há uma pessoa com peixinhos para atrair os botos, que passam entre as pernas dos turistas e quando sobem para comer dá para sentir sua pele emborrachada.

Por normas do IBAMA, esse passeio não acontece todos os dias, pois a intenção é que os botos não se acostumem com a comida fácil e continuem caçando para que não haja impacto na cadeia alimentar e desequilíbrios naturais.

Nadando com botos - Manaus
Nadando com botos cor-de-rosa

 

Visita às comunidades indígenas

Como falar em Amazônia e não pensar em índios? Existe muita polêmica, muitas verdades e muitos boatos nesse assunto. A FUNAI trabalha para proteger os direitos dos índios no Brasil e muitas informações podem ser encontradas no seu site.

Aquela imagem dos índios que vivem no meio da floresta, da caça, de plantas medicinais etc é tudo mentira? Não, ainda existem tribos isoladas, mas você não vai vê-las. E você também já ouviu falar que os índios hoje andam vestidos, falam português, moram em casas construídas e têm celular. Sim, é verdade. E se você quiser visitar uma comunidade indígena, são esses que você vai ver. Tenha isso em mente para ajustar suas expectativas.

Isso não quer dizer que eles perderam totalmente sua cultura, mas ela com certeza foi adaptada à atual situação de vida que eles levam hoje. Durante a visita você pode ver rituais de dança, comprar artesanatos, tirar fotos ou conversar com os índios para tirar suas dúvidas.

Comunidade indigena - Manaus
Artesanatos da comunidade indígena do Tupé

 

Pesca do pirarucu

Provavelmente você já ouviu essa palavra, mas se não é fã de pescaria há grandes chances de não ter muita noção de que peixe é esse. Eu não tinha a mínima. O pirarucu é o maior peixe de água doce do mundo e pode atingir até 3m de comprimento e 200kg. Parece história de pescador, né?

Muitos passeios fazem parada em um criadouro, porém os peixes de cativeiro não chegam a esse tamanho (mas ainda assim eles são bem grandes). Por R$ 5 você tem 3 tentativas de pescar um deles. A pesca é só por diversão, pois a vara é um bambu com um barbante na ponta e a isca é um peixe amarrado a esse barbante, não há uso de anzol. A brincadeira aqui é você sentir a força do bichinho, e prepare-se para perder.

Pescaria-pirarucu-Manaus
Pescando Pirarucu (ou tentando)

 

Pescaria no rio

Se você é um amante da pescaria, isso será uma bela diversão. Existem passeios de pesca no Rio Negro e no Rio Solimões, sendo o último mais rico em variedade de peixes. Pode ser feita pela manhã ou no final do dia.

Esse passeio eu não fiz, portanto não consigo detalhar muito, mas fica a dica de que é uma opção que pode ser incluída no seu roteiro.

Pescaria no Rio Negro - Manaus
Grupo pescando no Rio Negro

 

Animais locais

Em um ecossistema com  tanta diversidade como o amazônico, oportunidades de contato com animais não vão faltar. Além dos botos e da grande variedade de peixes, você pode ver bem de pertinho macacos, cobras, jacarés e bicho-preguiça.

Muitos passeios param em restaurantes flutuantes para o almoço e há um caminho suspenso de madeira que leva até um lago de vitórias-régia. Por esse percurso os macacos fazem a alegria dos turistas, pulando de galho em galho ou buscando comida. Também é possível encontrar locais com macacos ou cobras e tirar uma foto junto com os animais (e dar uma gorgeta depois).

Um passeio bastante comum é a focagem dos jacarés, que é feita a noite. Os olhos desses animais brilham com a luz forte, o que torna relativamente fácil encontrá-los nas margens dos igarapés. Por ter olhos bastante sensíveis, eles são ofuscados e o guia consegue pegá-los com as mãos para que os turistas possam vê-lo mais de perto e tirar fotos.

Macaco - Manaus
Macaco a procura de comida

 

Ver a selva de perto

Conhecer a floresta amazônica de pertinho é outro item obrigatório no seu roteiro. Isso pode ser feito a pé, em trilhas mata a dentro, ou em barcos que entram nos igarapés.

Se for caminhar, um guia é indispensável. A selva é bem fechada e, mesmo com trilhas demarcadas, é muito fácil se perder. Além disso, o guia ainda vai te dar uma aula sobre a fauna e flora local. Tente se agendar para ir logo pela manhã, quando o sol ainda não está tão alto e prepare seu kit básico para trilha – calça comprida, sapato fechado, repelente, protetor solar e água. Verifique a dificuldade das trilhas antes, a que eu fui teve 1 hora de duração e foi tranquila mesmo para iniciante (porém o calor estava de matar, mesmo pela manhã). Existem outras opções para quem quer ter uma experiência mais profunda.

De barco, você pode contratar um barqueiro particular e incluir esse item em um pacote de lugares para passar durante o dia ou contratar um passeio em uma agência que tenha a visita a um igarapé em seu roteiro. É com certeza uma forma mais confortável, mas você não estará literalmente no meio do mato para ver de perto as imensas árvores e a vegetação nativa.

Trilha na floresta - Manaus
Vegetação nativa da floresta amazônica

 

Pôr e o nascer do sol

O nascer e o pôr do sol no Rio Negro são verdadeiros espetáculos da natureza. O sol tinge o céu e a água de vários tons de vermelho. Tente um dia pouco nublado, com muitas nuvens o sol fica escondido (como você pode ver na foto abaixo, eu não tive muita sorte com o tempo).

É possível ver do mirante em Ponta Negra ou em um passeio de barco, no meio do Rio Negro mesmo. Aproveite que nesses horários o calor não está tão forte.

Por do sol Rio Negro - Manaus
Pôr do sol no Rio Negro

 

Se tiver mais tempo, inclua passeios nos arredores de Manaus para ver as cachoeiras em Presidente Figueiredo ou um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo em Anavilhanas.

 

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

6 Comments

  1. 05/03/2015 at 17:36 — Responder

    Oiii Patricia, adorei seu texto, Manaus é tudo de bom, foi a viagem que me vez apaixonar por viagens, fomos em 2010, foi maravilhoso, esse destino eu quero repetir! Bjosss

    • 05/03/2015 at 18:26 — Responder

      Que bom vc por aqui Kelen!
      Eu amei Manaus. Quero voltar e ficar mais tempo também.
      Peguei umas dicas lá do seu blog antes de ir =)
      Bjo

  2. angela
    25/03/2015 at 09:51 — Responder

    Q lindo a postagem sobre a minha cidade.
    Seja sempre bem vinda!

    • 25/03/2015 at 10:31 — Responder

      Oi Angela!
      Eu adorei Manaus, voltarei com certeza!

  3. Mayara
    21/08/2015 at 09:27 — Responder

    Olá Patrícia! Muito interessante o que você disse sobre Manaus, realmente muitos não tem noção de como essa cidade é desenvolvida…volte sempre!

    Haaaa…e quando voltar, tenta conhecer algumas cachoeiras de Presidente Figueiredo, você vai se encantar!

    Um abraço!

    • 21/08/2015 at 11:06 — Responder

      Oi Mayara!
      Voltarei para Manaus, com certeza. Minha passagem foi muito rápida e não tive tempo de fazer tudo o que queria. Entre outras coisas, ficou faltando Presidente Figueiredo no roteiro =[
      Na próxima visita eu irei!

      Bjo

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