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De onde vem o meu dinheiro para viajar?

Se você é uma pessoa que viaja com uma certa frequência, aposto que já teve que responder essa pergunta. E se você é a pessoa que queria viajar mais, também aposto que já perguntou isso para alguém (ou no mínimo teve vontade).

Antes de falar de grana, queria falar que a gente vive em uma sociedade em que mostrar quem tem mais e quem aproveita mais a vida vale muito. A gente vira escravo das grifes e faz dívidas para ter o carro do ano e o celular top de linha. Não vou começar a citar tudo porque é uma lista sem fim. Status, aparências, poder, ostentação e essas coisas. A gente quer sempre mais e mais. E será que precisamos mesmo de tudo isso? Não é lição de moral e nem tem resposta certa, é apenas um convite à reflexão. A sociedade funciona assim e muitas vezes a gente entra no ritmo que nos foi imposto sem perguntar o que queremos pra nós mesmos.

Algumas pessoas parecem ter uma vida perfeita e dos sonhos, o que não é verdade. Todo mundo tem problemas, todo mundo passa por dificuldades, todo mundo tem altos e baixos, momentos de desesperos e dias ruins. Elas só não mostram isso tão abertamente quanto mostram quão legal é jantar no restaurante 3 estrelas Michelin. Cada um tem os seus valores e quer mostrar o que é importante para si. E o que tem de errado nisso? Nada. O errado é a gente se comparar com uma pessoa que tem história, valores e prioridades diferentes das nossas e se sentir mal por isso.

Devaneios a parte, voltemos ao assunto das viagens. Vou te contar um segredo: eu ganhei na mega sena e por isso dinheiro para viajar não é nenhum problema pra mim. É claro que isso é mentira! Na verdade, eu assaltei um banco. Obviamente, é mentira também.

Eu viajo bastante sim. E minha lista de lugares para ir cresce em velocidade tão grande, que já acho que deveria viajar com mais frequência para conseguir conhecer tudo. Antes de mais nada, preciso dizer que sou uma pessoa privilegiada. Não nasci em berço de ouro, não cresci em uma família rica, mas sempre tive um teto para dormir e um prato de comida na mesa. Tive acesso à estudo de qualidade, boas escolas e faculdades. Tenho uma estrutura familiar que me suporta e apoia nas decisões. Tive bons empregos, trabalhei em empresas que me deram oportunidade de crescer e aprender muito. Isso faz diferença. Muita! E o que isto tem a ver com viagens?

 

Prioridades

Não tem muito segredo. A pessoa que tem o salário contado para pagar o aluguel e por comida na mesa não está pensando em viajar o mundo.  Pode até querer, mas não deve ser a prioridade da vida dela, pelo menos neste momento. Assim como não é prioridade para quem está no último ano da faculdade tentando se formar, para quem está em um emprego novo e precisa mostrar resultado, para quem comprou um carro novo e tem que pagar as parcelas, para quem acabou de ter filho e tem uma criança para cuidar.

E mais uma vez, não tem certo nem errado. Prioridades, cada um tem a sua e cada um sabe o que faz com a própria vida. Se a sua prioridade agora é ser promovido no trabalho, não se incomode se seu amigo está lá tomando cerveja na praia enquanto você faz relatórios no final de semana. A gente tem o poder da escolha, mas as consequências são obrigatórias.

Isso não quer dizer que você deve desistir dos seus sonhos. Jamais faça isso e não deixe ninguém fazer isso com você. Prioridades mudam de acordo com a fase de vida que estamos e pode ser apenas questão de tempo, paciência e organização (e coragem, dependendo do caso) para você ir para onde quiser.

Agora, se você colocou como prioridade fazer uma viagem (pode ser outra coisa também) e não está conseguindo… vamos conversar! Antes de mais nada, é prioridade mesmo? Se você diz que não tem dinheiro para viajar, mas sai para jantar fora todo dia, está pensando em trocar de carro ou gasta centenas de reais na balada toda semana talvez não seja prioridade. Ou talvez falte…

Minha prioridade é ser livre para viajar o mundo

 

Planejamento

É muito confortável dizer “eu gostaria de fazer isso, mas não tenho dinheiro”.

Você sabe exatamente o que você quer? Viajar mais é muito vago. Ir para a Europa também. Passar as férias na Disney já é um bom caminho.

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“Não tenho dinheiro”. De quanto dinheiro estamos falando? Você sabe quanto custa a viagem que você quer? Já colocou isso na ponta do lápis? Faça uma planilha com os principais custos (passagem, hospedagem, alimentação, passeios, compras), não precisa ser exato, mas algo para te dar uma noção de valor. Para calcular isso você vai precisar saber quantos dias dura a viagem e quando você pretende ir (preços de alta e baixa temporada variam demais).

Sabendo quanto precisa e qual a data desejada, você consegue se planejar, seja guardando x por mês ou tirando o dinheiro que estava guardado em aplicações.

Agora você pode dizer se o dinheiro é mesmo a principal barreira. E pode decidir por não fazer a viagem, ir para outro lugar ou viajar de forma mais barata. E tem outras coisas envolvidas ainda.

Planejamento é o segredo de tudo!

 

Reduzir gastos

Lembra das prioridades? Tenha foco. E a matemática é bem simples: gastar menos em algumas coisas para guardar mais para a sua viagem. As possibilidades são infinitas e dependendo do caso, pode até parecer um certo sacrifício, mas lembre-se: não é pra sempre, tem prazo para acabar.

Vale deixar o carro na garagem e ir para o trabalho de transporte público, abolir o restaurante caro do jantar de sábado e cozinhar, fazer as unhas em casa ou deixar de tomar aquele cafezinho diário depois do almoço. Tem coisa que parece bobeira, mas 5 reais de café por dia são 100 reais em um mês. A economia em gasolina e estacionamento pode te poupar uns 400 reais/mês.

Dá pra ser menos drástico também. Dá pra sair pra jantar em um lugar mais barato ou usar e abusar das promoções e comer bem, gastando menos. Faça as contas e veja se não compensa usar taxi (ou Uber, Cabify etc) ao invés de carro próprio. Ou combine caronas com quem mora por perto.

Quando eu estava me planejando para a volta ao mundo, isso virou rotina. Meu carro ficou em casa por um tempo e logo eu o vendi. Passei a usar transporte público e caronas para os lugares mais longe. O que era perto (até umas 4 estações de metrô) eu fazia andando. A conta era que economizar a passagem de ida e volta do metrô me pagaria quase 2 noites em um hostel no sudeste asiático.

Comecei a recusar alguns convites para comer e beber (essa foi a parte mais difícil). Ou mesmo para viajar. Os programas de casal saíram dos restaurantes para a fila do mercado e cozinha de casa. Todos os gastos supérfluos foram cortados e virei a louca das promoções.

Pode ser difícil no começo, mas isso tudo é um verdadeiro exercício de desapego e com o tempo você percebe que realmente não precisa de algumas coisas. Por exemplo: 3 anos se passaram desde que vendi o carro e até hoje não tenho outro. E não quero. Percebi que gasolina, estacionamentos, IPVA e manutenção me traziam gastos desnecessários para o estilo de vida que levo hoje. E corro atrás de todas as promoções de taxi e afins (se tiver dicas, me manda?).

Que tal trocar o restaurante pela cozinha?

 

Aumentar entradas

Outra matemática simples: se entra mais dinheiro, dá pra guardar mais.

Procure formas de aumentar a renda. Pode ser fazendo hora extra, vendendo brigadeiro no trabalho, passeando com o cachorro do vizinho. Que tal fazer uma limpa no armário e vender aquelas roupas que estão boas e você não usa mais? Ou usar seu tempo livre para lucrar com coisas que você faz bem – tirar fotos, escrever, cozinhar, cuidar de crianças etc. Dependendo da sua área de atuação, conseguir freelas não é uma tarefa tão difícil. Divulgue seus serviços para os seus amigos. Só não vale ser fora da lei.

Vender roupas que não usa mais pode render um bom dinheiro | Crédito: Nikita Kashner via Visual hunt

 

Viajar barato

Além de tudo isto, outro ponto muito válido é viajar barato. Assim o dinheiro rende mais e dá para aproveitar melhor a viagem.

Aqui no blog mesmo tem uma série de dicas para viajar mais barato. Pesquise por promoções de passagens aéreas, por alternativas mais em conta ou grátis para hospedagem, passeios sem custo e dias gratuitos nas atrações. Escolha a comida de rua, cozinhe, vá em restaurantes baratos. Opções para economizar durante a viagem não faltam.

Lembra da fase de planejamento? Estipule o seu orçamento para cada item (hospedagem, alimentação, passeios, transporte e compras), assim fica mais fácil se controlar.

Vou dar mais um exemplo da minha volta ao mundo. Meu orçamento de alimentação era de 40 reais por dia. Para padrões brasileiros pode até parecer pouco, mas no sudeste asiático dá pra comer muito bem e ainda sobra. Confesso que me manter dentro disso na Europa não foi fácil, mas não passei fome nenhuma vez e nem deixei de comer as comidas típicas. O segredo? Uma refeição barata por dia, que podia ser um salgado, um sanduíche, o combo de 1 euro do Mc Donalds, alguma coisa do mercado, um restaurante baratinho e por ai vai.

Basta uma pesquisa rápida no Google para ver a quantidade de gente que viaja praticamente sem dinheiro por aí. Tem projetos de 1 dólar por dia, de 4 meses com 300 reais e até de Europa sem dinheiro nenhum. O mundo hoje é colaborativo! E tende a ser cada vez mais.

Viajar barato pode significar sair da zona de conforto algumas vezes, dependendo do seu estilo de viagem e do nível de pão durice. O que posso te garantir é que sair da zona de conforto sempre é uma experiência que marca e deixa aprendizados incríveis. Seu mundo começa a se expandir quando você percebe que existe muita coisa além do que você enxerga hoje.

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Viaje fora da sua zona de conforto. Isso muda vidas!

Viu como não é mágica, não precisa ganhar na loteria e nem se fazer dívidas enormes para viajar? Basta estabelecer prioridades, se planejar para guardar x por mês, reduzir seus gastos, aumentar os ganhos e gastar menos na estrada. Você ajusta o peso de cada um destes itens de acordo com as suas preferências.

Sabe aquela pessoa que viaja tanto quanto você gostaria? Se inspirar, sim. Comparar, não. Invejar, jamais! E lembre-se: é possível!

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão, blogueira por hobby e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

2 Comments

  1. Barbara Quadros
    31/05/2017 at 10:42 — Responder

    Excelente texto Patricia, como todos os que voce escreve de uma forma clara e falando tudo que precisamos saber para que possamos realizar os nossos de viagem. muito obrigada.

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