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Chiloé, a ilha de pescadores

O sul do Chile possui mais de 2 mil ilhas e 40 delas, a maioria desabitadas, compõe o arquipélago de Chiloé, que tem grande importância histórica para o país. Foi colonizada pelos espanhóis em 1567 e seu domínio era fundamental para que eles mantivessem o controle do Oceano Pacífico nessa época. Hoje a principal atividade econômica é a pesca de peixes e mariscos.
A região possui cerca de 150 mil habitantes e 9 mil km² – uma área pouco habitada, com cidades pequenas e pouca infraestrutura (não há hospitais e o acesso as ilhas menores é bastante difícil em dias chuvosos). As estradas são estreitas e cercadas de uma extensa área verde com algumas belas casas de madeira que parecem estar perdidas no meio do mato. 

Pesca, a principal atividade econômica da ilha

Quando foi colonizada, foram trazidos alguns europeus para iniciar as atividades no local. Eles ganharam terrenos grandes para construir suas casas e começar uma vida nova, por isso as casas são tão espaçadas umas das outras. Um fato curioso é que grande parte das casas da ilha são feitas de madeira, com telhas de alerce, e cada família tinha seu desenho. Quanto mais rebuscado, mais importante era a família. 

Casas de madeira, cada uma com seu desenho

 
 
O arquipélago fica em uma região de tsunamis e nas partes baixas se encontram placas de aviso e com as rotas de fuga, que levam aos lugares mais altos. Em 1960 parte da ilha foi destruida por um tsunami, mas tudo já está reconstruido. Na chegada ao local fomos instruidos sobre como proceder caso uma onda muito grande estivesse chegando, mas felizmente nada aconteceu!

Área de tsunamis

A entrada da ilha é por uma cidade chamada Pargua, cerca de 1 hora ao sul de Puerto Varas, a última da Ruta 5 – a principal estrada do país (vai de Arica, ao norte, até Pargua). De lá, é preciso cruzar o Canal de Chacao em um ferry, 40 minutos de viagem até a cidadezinha de Chacao. Fique atento à vida marítima, é fácil ver leões marinhos e pelicanos. Podem aparecer também golfinhos e outros pássaros. 

Grupo de pelicanos sobrevoando o canal

 
Chegando a ilha, seguimos para Puñihuil, na costa oeste, de onde partem os passeios para as pinguineras. Um pequeno barco leva até algumas ilhas onde se pode ver os pinguins que chegam em novembro e ficam até março. No final do verão eles se vão para Punta Arenas, na Patagonia chilena, ou para o Peru. Este é o único lugar em que as duas espécies de pinguins convivem juntas – pinguins magalânicos e pinguins de Humbolt.  

Na pinguinera de Puñihuil

 
 
Também é possível ver leões marinhos, lontras, patos, cormorones e gaivotas. Esse passeio é todo feito em barco. Se tiver oportunidade, vá na pinguinera que fica na Isla Magdalena, em Punta Arenas, onde o contato é muito mais próximo (veja aqui o post da Isla Magdalena).

Lontra

Patos

Gaivota

Pedra King Kong

A próxima parada foi Ancud, cidade de pescadores e a principal da parte norte da ilha. Uma pausa para o almoço e uma rápida visita ao Forte San Antonio, onde pudemos comprovar como os espanhóis protegiam o local.

Ancud

Entrada do Forte San Antonio

De lá, seguimos para Dalcahue, uma hora ao sul, também uma pequena cidade de pescadores. Mais casas de madeira e artesanatos locais podem ser vistos pelas ruas. Na praça central há uma igreja de madeira que foi construida pelos índios, na época colonial. Quando os espanhóis chegaram, catequisaram os índios, lhes ensinaram o espanhol e a construir igrejas. A igreja foi feita com a mesma técnica com que eram feitos os barcos e construida sem pregos, apenas com encaixes. Foi declarada como patrimônio da humanidade pela UNESCO. Existem algumas dezenas de igrejas de madeira espalhadas pela ilha.

Cidade de pescadores

Artesanatos locais

Igreja de Dalcahue, patrimônio da humanidade pela UNESCO

 
Não muito longe fica a cidade de Castro, capital da ilha, primeira cidade a ser fundada e  a maior da região, com 38 mil habitantes. É uma das cidades mais antigas do Chile (depois de Santiago e San Pedro) e o único lugar onde vi construções de concreto, apesar das charmosas casas de madeira também estarem presentes. A praça central também possui uma igreja de madeira, esta muito colorida.  A última parada foi para ver os palafitos, casas que ficam sobre a água e são sustentadas por estruturas de madeira. Existem alguns bairros assim no local. 

Igreja colorida de Castro. O interior é todo feito de madeira

Palafitos, casas sobre a água

Para voltar a Puerto Varas percorremos o mesmo caminho. Alguns trechos da estrada estavam em reforma e havia uma grande fila para embarcar no ferry. Foi uma longa e cansativa viagem de volta.

Caminho de volta. Detalhe para a vista dos vulcões ao fundo

The Author

Patricia

Patricia

Patricia é educadora de formação, marketeira de profissão e viajante por paixão. Amante da natureza, de aventuras, da cultura asiática e de causas sociais, reside em São Paulo, mas já morou no Japão, na Austrália e no Chile, já deu uma volta ao mundo e está sempre em busca de boas recordações para adicioná-las à sua bagagem de memórias.

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